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Millenium – Os Homens Que Não Amavam As Mulheres

23/02/2012

Millenium – Os Homens Que Não Amavam As Mulheres – por Lucas Veloso

Contratado pelo ricaço Henrik Vanger com a desculpa de escrever a biografia deste, o jornalista Mikael Blomkvist logo percebe que a tarefa é outra: descobrir quem matou sua sobrinha, Harriet Vanger anos antes. Para isso ele precisará se aliar à pouco convencional investigadora e hacker Lisbeth Salander. O best-seller mais quente do momento, numa adaptação de David Fincher. Nada mal mesmo. Não assisti à adaptação original sueca, e não consegui terminar de ler o livro antes de ver o filme. Então, realmente fica difícil uma comparação. O que pude perceber até onde li do romance, é que a narrativa extremamente detalhada do autor Stieg Larsson é substituída sem dó pela edição videoclíptica do mago dark David Fincher. Embora em alguns momentos, isso tenha sido uma grande melhoria em relação ao arrastado livro, em outros, me fez pedir arrego, tipo “para o mundo que eu quero descer”, de tão rápido que as informações eram jogadas na tela. A estória se desenrola como um thriller genérico de assassino, e realmente, olhando unicamente pelo filme, não pude ver o motivo de tanto frisson sobre essa franquia. Corro agora para terminar o livro e ver se é para tanto. Embora não tenha muito pique na trama dos assassinatos, o filme propõe uma discussão interessante e relevante sobre a violência contra a mulher, que extrapola o título. Temos vários exemplos brutais ao longo do filme, e por bem ou por mal, certo ou errado, temos também a resposta feminina a essa violência. Um filme nem de longe ameno, Fincher não nos poupou do desconforto. Mas quando não está chocando, no resto do filme, parece estar em piloto automático. É fácil distinguir esse serviço contratado dos filmes mais autorais que ele costuma se pôr a fazer. No mais, Daniel Craig está muito bem no papel do nada-heróico jornalista, humano e falho, bem diferente daquele outro papel dele. Rooney Mara da mesma forma se sai bem, mas sua Lisbeth puxa mais pro lado do animal acuado, que é uma das facetas da personagem do livro, mas não a única. Achei-a menos ameaçadora e até mais sociável em filme do que na descrição feita no livro. Por fim, a trilha sonora de Trent Reznor e Atticus Ross passa todas as emoções que uma trilha de suspense padrão passa, mas ela em si, nada tem de padrão, com ruídos incômodos e melodias esquizofrênicas. Deve ser assim a sensação de se estar dentro da cabeça de Lisbeth.

Mad Max 1 e 2

17/02/2012

O filme pós-apocalítptico que ditaria as regras pros outros filmes pós-apocalípticos… com vocês, MAD MAX 1 e 2! Por Lucas Veloso.

Mad Max

Uma produção independente australiana, Mad Max foi dirigido por George Miller, e estrelado pelo então desconhecido Mel Gibson, residindo no país naquela época (o que confundiu muitos acerca da nacionalidade de Gibson, que é americano). A trama mostra um futuro distópico, onde criminosos com carros velozes desafiam a lei nas estradas empoeiradas. Max Rockatansky é um dos policiais de jaqueta de couro que tentam fazer valer a lei e a ordem, mas aos poucos, está se desiludindo com a força policial e com a insanidade das gangues. O filme tem uma qualidade diferenciada, possui uma fotografia saturada e vibrante, valorizando tanto as paisagens áridas quanto as cenas de perseguição, com seus carros coloridos. Começamos a ver também a câmera psicótica de George Miller em ação, com closes super-rápidos e bom uso de velocidades diferentes. O ritmo do filme é meio irregular, com algumas partes bem dinâmicas, e outras meio paradonas. Mas que ninguém reclame de falta de desenvolvimento de personagem. Observamos bem a queda de Max, temos um bom insight sobre como é a vida de uma dona-de-casa e esposa de policial do futuro, e confirmamos quão loucas as pessoas são na Austrália. Um clássico, sem dúvida, mas mais da ficção. A ação mesmo ficaria para o próximo filme. Uma curiosidade: no DVD nacional (imagino que nos outros também), você pode optar pelo áudio original, em “inglês australiano”, e um outro áudio, dublado em “inglês americano (!!!)”. Que via de regra, americanos tem preguiça de ler legenda, isso a gente já sabe. Mas não toleram nem mesmo um inglês com sotaque? Aí é demais, bloke!

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Footloose (2011)

12/02/2012

Footloose (2011) – por Lucas Veloso

Remake do clássico de dança dos anos 80, esse Footloose conta a exata mesma estória: Ren McCormack, garoto da cidade grande, vai morar na pacata Bomont, onde dança e música foram praticamente banidas. Putz, é basicamente a mesma sinopse que escrevi pro outro filme. OK, o filme segue o mesmo caminho, então quem viu o original, sabe o que virá cena a cena. O que muda então? Bem, as músicas clássicas ganharam nova roupagem, algumas cenas novas foram acrescentadas, além de algumas mudanças aqui e ali nos personagens, a fim de acrescentar mais peso às caracterizações. Às vezes funciona, às vezes, não. Dennis Quaid está excelente no papel do reverendo Moore, papel de John Lithgow, no original. Kenny Wormald não tem o mesmo carisma de Kevin Bacon, mas o rapaz se sai até bem, principalmente por ser um bom dançarino. Juliane Hough é mais bonita e menos maluquete do que a Ariel antiga, mas o preço que se paga é a vozinha de duende. E assim vamos indo com esse remake, com algumas cenas bacanas novas, outras coisas faltando. Nota-se, pelo menos, com uma ou outra homenagem, que o pessoal fazendo o filme realmente curte o original. Não sei se justifica a existência desse (1984 nem é tanto tempo atrás assim, garotada… tomem vergonha e vão atrás dos clássicos), mas pelo menos não mancha o “legado” de Footloose.

Fogo Contra Fogo

10/02/2012

Fogo Contra Fogo – por Lucas Veloso

Embora tivessem participado de “O Poderoso Chefão – Parte 2” juntos, Al Pacino e Robert De Niro não dividiram a cena naquele filme. Demorou mais alguns anos para que esse encontro de gigantes pudesse acontecer. E isso foi em “Fogo Contra Fogo”, do diretor Michael Mann. Os dois são, respectivamente, o detetive Vincent Hanna, um homem obcecado por seu trabalho, às custas de sua vida pessoal, e Neil McCauley, um ladrão profissional e altamente metódico, cuja gangue executa roubos mirabolantes em Los Angeles. O filme retrata esse jogo de gato-e-rato entre os dois homens, e é verdadeiramente a obra-prima do diretor Mann: as vidas dos personagens se desenrolam numa metrópole cinzenta, melancólica, a rotina do dia-a-dia drenando suas vidas pouco a pouco. Mas nos momentos de ação e perseguição, cores vibrantes, o barulho dos tiros ensurdecedor… como se o único momento em que esses homens se sentem vivos fosse em momentos de perigo. Além disso, o talento reunido nesse filme é assombroso: além dos dois principais, temos Val Kilmer, Jon Voight, Diane Venora, Ashley Judd, Tom Sizemore, William Fichtner, e uma jovem Natalie Portman. Michael Mann extrai o melhor de cada um deles. Pacino e De Niro só divivem realmente um diálogo no filme, o que pode gerar alguma decepção. Mas o ritmo do filme, a natureza do mesmo, pede que eles estejam sempre distantes um do outro, e é interessante acompanhar essa interação, as armadilhas e pequenas sacadas. O duelo entre os dois homens não é verbal ou físico, e sim mental. Quem vai elaborar uma estratégia melhor? Um dos melhores filmes policiais de todos os tempos, e novamente, o melhor de Michael Mann. Um verdadeiro suspense psicológico.

ESPECIAL Carga Explosiva

01/02/2012

Hoje, damos uma olhada na franquia que consolidou Jason Statham como astro de ação: CARGA EXPLOSIVA! Por Lucas Veloso.

Carga Explosiva

Por muito tempo, fiquei receoso em conferir esses filmes. Já tinha visto “Adrenalina”, com o mesmo Statham, e fiquei com uma raiva mortal daquele filme imbecil. Mas depois de vê-lo em “Os Mercenários“, e relembrar da boa performance do carecão em “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes”, resolvi dar uma chance, ainda mais porque muita gente dizia que o filme era bem divertido. E não é que é mesmo? Statham é o motorista profissional Frank Martin, baseado na França, e um pouco diferente dos “Jarbas” da vida. Ele transporta o que quer que você precise, de um ponto A a um ponto B, sem fazer perguntas. Claro que, nessa linha de serviço, é natural que ele acabe se envolvendo com uns tipos suspeitos. Mas tudo bem, porque Frank é um ex-oficial das Forças Especiais, que sabe se virar muito bem numa briga ou tiroteio. A coisa complica num dia em que uma de suas cargas começa a se mover, e ele descobre que está transportando uma moça chinesa. Além disso, seu carro é destruído por uma bomba, e Frank rapidamente se liga que armaram pra cima dele. E enquanto vai atrás dos suspeitos, ele terá também que evadir um curioso inspetor francês que está na sua cola. Bom, com produção de Luc Besson, e direção conjunta de Louis Leterrier e Corey Yuen, todos sujeitos muito visuais e virtuosos, não é surpresa que o filme seja muito dinâmico e esteticamente impecável, além de competente nas cenas de ação. É o melhor do cinema europeu encontrando o melhor do cinema asiático. No final, é sim uma sessão da tarde, produto descartável, mas da melhor qualidade.

Carga Explosiva 2

Nessa parte 2, Frank está trabalhando nos E.U.A como motorista de uma família influente, e não demora muito para que o filho seja sequestrado, a suspeita caindo sobre o chofer, claro. Mas Frank resolve ir atrás do menino, apenas para encontrar um bando de terroristas malucos e seu plano de liberar um vírus. Sim, a coisa fica ainda mais maluca nessa continuação, e consequentemente, mais divertida. Eu ri alto de algumas cenas, tamanho o grau de absurdo. Mas é feito de forma tão integral ao resto do filme, que não foi difícil aceitar o ridículo, já que tudo parece situado numa história em quadrinhos, com personagens e situações coloridos e teatrais. O inspetor francês Tarconi retorna, dessa vez como amigo de Frank, e ajuda a livrar o companheiro também. Como no anterior, as cenas de ação (carro e lutas) são extremamente bem orquestradas, mostrando maestria e coordenação da dobradinha Leterrier/Yuen na direção.

Carga Explosiva 3

E na parte 3, Frank, de volta à França, recebe a incumbência de transportar a jovem Valentina, filha de um político ucraniano. Ela foi sequestrada para forçar o pai a fazer negócios com uma companhia irresponsável. Frank entra na dança também, pois tanto ele quanto Valentina possuem braceletes que explodirão caso eles se afastem muito do carro. Não demora muito para que o proativo motorista tente mudar a situação. Nessa continuação, o diretor é Olivier Megaton (que nome é esse!?), que faz bem seu dever de casa e entrega um filme que, com explosões e perseguições, se adequa facilmente à cartilha da série “Carga Explosiva”. Em uma determinada cena, eles até brincam com o boato de que o personagem de Statham seria gay. Seja como for, não brilha tanto quanto os dois primeiros, que convenhamos, embora divertidos, já eram filmes de ação apenas medianos. Não sei se Statham ainda revisita esse personagem, com sua carreira decolando cada vez mais, mas Frank Martin é um personagem carismático e relevante, mesmo quando não aproveitam seu potencial, como é o caso aqui. Mas seria legal vê-lo de novo.

O Sol da Meia-Noite

13/01/2012

O Sol da Meia-Noite – por Lucas Veloso

Já havia muito tempo que queria ver esse filme, e após assistí-lo, fui avaliar o impacto dele na internet. Fiquei perplexo: existe relativamente pouca informação sobre o mesmo! Imaginei que um filme que une dança e a Guerra Fria seria inusitado o suficiente para garantir um pouco mais de atenção. Bom… a estória contada aqui é que o dançarino russo Nikolai Rodchenko (papel de Mikhail Baryshnikov, um dos maiores bailarinos do mundo), desertor da União Soviética, acaba voltando para lá quando seu avião é forçado a pousar. Considerado um criminoso por seus compatriotas, ele é mantido preso e forçado a praticar para dançar em um espetáculo. Para ajudá-lo, eles chamam Raymond Greene (interpretado por Gregory Hines, outro hábil dançarino) também desertor, mas dos E.U.A. Os dois se estranham inicialmente, mas uma amizade nasce entre eles, e começam então a bolar um plano para fugir da Rússia. Como se não bastasse a estranheza da premissa, o filme ainda se passa durante o fenômeno que dá nome ao filme, o que apenas o torna mais exótico. Baryshnikov e Hines estão ambos muito bem, transmitem simpatia, acompanhados ainda de uma estreante Isabella Rossellini, mas é nos números de dança mesmo que o filme ganha vida. Os dois estilos diferentes (balé e sapateado) geram coreografias brilhantes quando separados, e se complementam de forma única quando juntos. As cenas possuem uma energia cinética impressionante, e cativaram até quem não é necessariamente fã de filmes de dança, como eu. Traz ainda na trilha a balada kitsch-romântica “Say you, Say me” de Lionel Richie. Não estamos falando de um clássico aqui, mas conforme mencionei, a confluência de componentes inusitados presentes vale a conferida.

O Protetor

08/01/2012

O Protetor

Tony Jaa, que já tinha barbarizado em “Ong-Bak“, emendou logo em seguida esse Protetor. Aqui, ele é o jovem Kham, que vai até a Austrália procurar os elefantes de seu vilarejo, que foram raptados por homens cruéis. Lá, ele se une a um oficial de polícia, tailandês como ele, e tentam recuperar os tais elefantes, ao mesmo tempo em que destróem a organização criminosa comandada por um transsexual (!). Bom, vilões de sexo ambíguo e outros países à parte, é basicamente a mesma estória de Ong-Bak, ou seja, um rapaz que deixa seu vilarejo para seguir numa jornada a fim de recuperar algo. E distribuir muitos sopapos pelo caminho. Se não há muita inovação no tema, ao menos as cenas de ação são bem caprichadas, principalmente uma em que Jaa abre caminho pelo esconderijo dos vilões, detonando sujeitos a cada andar, e tudo numa tomada contínua! É praticamente o cinema-hitchcock à serviço da porrada! Realmente não tem o frescor e o impacto de se ver Tony Jaa pela primeira vez em Ong-Bak, acho que aquela empolgação será difícil de se duplicar, mas pelo menos é um filme de ação competente.

ESPECIAL Loucademia de Polícia

05/01/2012

Para começar o ano com bom humor, trazemos para você os cadetes mais pirados, aprontando “Altas confusões”: com vocês, a LOUCADEMIA DE POLÍCIA! Por Lucas Veloso.

Loucademia de Polícia, a bem-sucedida franquia de comédia criada nos anos 80 e que continuou anos 90 adentro, gerou 7 filmes, uma série de TV, uma série animada, brinquedos, quadrinhos, e muitos outros produtos. Vamos discutir um pouco esse sucesso, mas de uma forma um pouco diferente: vamos falar da série como um todo, ao invés de discutir cada filme individualmente.

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O Dia em que a Terra Parou

29/12/2011

O Dia em que a Terra Parou – por Lucas Veloso

Clássico supremo da ficção científica, dirigido pelo versátil Robert Wise. Tudo começa quando um OVNI acaba pousando em Washington, revelando o tripulante humanóide Klaatu e seu acompanhante robô Gort. Ambos trazem uma prova de amizade alienígena e uma mensagem urgente: os humanos devem cessar seu modo de ser destrutivo, que com o avanço espacial, agora ameaça outras civilizações. Devem fazer isso… ou sofrer as consequências. Um filme de ficção que com certeza se separa dos outros da mesma época, mais preocupados em divertir com suas criaturas exóticas e (d)efeitos especiais. Aqui você encontrará ambos, mas não são o centro da narrativa. Klaatu, que passa a maior parte da narrativa em forma humana, de terno, e que se apóia mais em diálogos do que em raios laser, ele sim é o centro. Trata-se de uma abordagem mais séria dos temas da sci-fi que já conhecemos. Por um lado, os efeitos especiais não envelheceram nada bem, e as dobrinhas de borracha do robô Gort causam uma boa dose de vergonha alheia. Por outro lado, a mensagem de paz e tolerância do filme permanece tão (ou mais?) atual e contundente, em nosso atual contexto. Portanto, é um filme altamente ideológico, relevante, e que terá muito a nos dizer por muitos anos ainda, desde que desejemos ouvir.

ESPECIAL Missão Impossível

27/12/2011

Hoje, falamos de uma das séries de filmes de espionagem mais queridas tanto do público quanto de Tom Cruise. MISSÃO IMPOSSÍVEL! Por Lucas Veloso.

Missão: Impossível

A primeira adaptação para o cinema da cultuada série de TV foi comandada por Brian De Palma, que fez a lição de casa direitinho: temos o indefectível pavio queimando, as máscaras de disfarce, as fitas que se auto-destroem, a correria e todos os aparatos que um agente secreto precisa.  Comandando a equipe, temos Tom Cruise no papel de Ethan Hunt, super-espião que precisa se recuperar de um duro golpe: sua equipe foi eliminada em plena missão por um traidor que se esconde dentro de sua própria agência. Agora, enquanto foge, Ethan deverá encontrar esse traidor, contando com agentes renegados da IMF (Impossible Missions Force). Um filme fantástico, com altos níveis de ação e tensão. De Palma mantém a trama em movimento, auxiliado pela trilha vibrante de Danny Elfman (além da versão de Larry Mullen e Adam Clayton para a música tema, de Lalo Schifrin). Tom Cruise está cercado de bons atores, como Jean Reno, Ving Rhames, Jon Voight, Vanessa Redgrave, que em maior ou menor instância, dão sua contribuição. Com várias reviravoltas e cenas memoráveis (a principal sendo a cena de invasão da sala de computador da CIA, suspenso por um cabo), esse filme deu novo fôlego ao gênero dos filmes de espião, numa época em que James Bond também estava se reinventando, e além de prestar homenagem à série original, o filme cria suas próprias regras e dá início a uma nova e bem-sucedida franquia. Tanto que Tom Cruise viria a revisitá-la várias vezes.

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