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ESPECIAL Rocky

09/12/2011

É hora de bater o ovo no liquidificador, colocar o moleton, e sair pra correr na madrugada… hoje, falamos do lutador de boxe mais famoso do cinema, ROCKY!!! Por Lucas Veloso.

Rocky – Um Lutador

Rocky não foi o primeiro filme sobre boxe, mas é com certeza, um dos mais bem-sucedidos. E por incrível que pareça, o filme nem é “sobre boxe”. E simplesmente a estória de um perdedor lutando pela chance de sua vida. Rocky é um coletor da máfia na Filadélfia, não é muito brilhante, pratica boxe na academia detonada do rabugento Mikey, paquera a tímida Adrian da loja de animais, e no fundo, tem bom coração. Por obra do acaso (ou destino?), é escolhido entre tantos outros para enfrentar o campeão dos pesos pesados, e para isso terá que dar o melhor de si.

É bacana assistir ao treinamento de Rocky, com a já clássica montagem ao som de “Gonna Fly Now“, e a grande luta que começa como uma piada, mas se torna um embate de gigantes. Praticamente impossível assistir à luta sem se emocionar, triunfo da edição, trilha sonora (de Bill Conti) e das atuações, em meio a muitos socos, de Sylvester Stallone e Carl Weathers. Mas o filme não é só isso: grandes atuações também dos coadjuvantes Talia Shire, como Adrian, Burt Young, como seu irmão abusivo-mas-digno-de-pena Paulie e do grande Burgess Meredith no papel de Mickey. É tocante ver como todos os que cercam Rocky de certa forma são perdedores como ele, em maior ou menor instância, mas um dá força ao outro para continuar em frente. Stallone estava à toda quando escreveu Rocky, possivelmente o melhor roteiro de sua vida, e fez certo também ao bater o pé, e exigir interpretar o personagem, mesmo que os produtores quisessem atores mais vistosos. Hoje, não dá pra imaginar outra pessoa como o falastrão personagem.

Já mencionei a trilha sonora, não apenas a canção, mas a trilha incidental também merece grandes aplausos, pois conduz o filme muito bem. É extremamente melancólica, mas também pode ser vibrante nos momentos certos. Parabéns também ao hábil diretor, John Avildsen, por reunir todos esses talentos de forma coesa, e criar um filme verdadeiramente motivacional, um clássico moderno. Ganhou Oscars pela direção, edição e melhor filme.

Rocky II – A Revanche

Começa exatamente onde o primeiro terminou, e mesmo depois de prometerem que não haverá revanche, tanto Rocky quanto Apollo começam a passar por dificuldades: Rocky, após se casar com Adrian, e com um bebê a caminho, não consegue arrumar um emprego decente, e Apollo é ridicularizado pelos seus fãs, após o resultado da última luta. Não demora muito para que a ideia de uma nova luta pareça interessante para ambos os lados. Em termos de estrutura, o filme segue basicamente a mesma do filme anterior: haverá uma luta, então tome montagem de treinamento, e finalmente, a luta. Acho que após o sucesso do primeiro, ninguém quis mexer muito em time que estava ganhando. Pelo menos, há algum desenvolvimento de personagens, e você realmente sente que está presenciando mais um capítulo da vida da agora “familia Rocky”. É tão bom quanto o primeiro, possue a mesma “vibe”, só peca por querer ser tão igual.

Rocky III – O Desafio Supremo

O filme que trouxe Rocky aos anos 80, e com todos os exageros típicos da época: cabelos pufantes, camisetas ridiculamente curtas para homens, e rock n´roll motivacional, que tem aqui seu grande hit, “Eye of the Tiger“. Dessa vez, Rocky enfrenta um grande desafio, o gigante mal-humorado Clubber Lang, e contará com ninguém menos que seu antigo rival, Apollo Creed, para treiná-lo. A estrutura aqui é diferente da dos outros filmes: embora ainda haja o inevitável treinamento seguido de luta, o filme é mais curto e direto, e parece apostar mais na ação do que no drama dos anteriores. Some a isso as participações de Mr. T e Hulk Hogan, e você tem um filme que é mais espetáculo do que filme. Mas mesmo com essa mudança de ritmo, é um filme divertido e honra a franquia.

Rocky IV

Rocky, a essa altura, longe do azarão visto no primeiro filme, praticamente se torna um super-herói dos ringues, e é só uma questão de ver quem será o “vilão da vez”. E é um russo! Ivan Drago, interpretado monossilabicamente por Dolph Lundgren. Já nos finalmentes da guerra fria, não há a preocupação com sutileza, e o filme já abre com duas luvas de boxe, uma com a bandeira americana, e outra com a soviética, se chocando e explodindo. Drago torna a luta pessoal, e isso dá um novo nível ao filme, com certeza o mais (melo)dramático da série até então. Embora siga a cartilha do “mais ação, menos roteiro” do filme anterior, é um dos melhores da série, nem que seja pela diversão descompromissada que proporciona e novas montagens com novos hits. Inclusive, esse é o único filme da série sem trilha de Bill Conti. Ele é bem subtituído por Vince diCola, que não envergonha seu antecessor, e entrega boas melodias, como tem que ser. O filme termina sem entrar muito na questão política, apenas com Rocky dizendo que americanos e soviéticos podem respeitar um ao outro. Mas ele vence a luta, claro.

Rocky V

Universalmente execrado por crítica e fãs, mas não é um filme tão ruim assim. É paradão, e Rocky nem chega a subir no ringue nesse aqui, além da questionável luta final nas ruas, estilo “street fighter”. Mas existe uma dinâmica interessante aqui: Rocky começa a treinar um jovem talento do boxe, ao mesmo tempo em que tenta mantê-lo longe das “má infuências” do glamouroso mundo do boxe. Enquanto isso, sua relação com o filho começa a desmoronar, pois ele se sente negligenciado pelo pai. Por sinal, Rocky Jr. é interpretado pelo próprio filho de Stallone, Sage. Há coisas bacanas aqui para fãs de Rocky, mas talvez Stallone tenha perdido um pouco o foco.

Rocky Balboa

E para o capítulo final, Stallone se redime de qualquer vacilo que tenha dado ao longo da série, trazendo o filme mais próximo ao tom do primeiro Rocky, ou seja, mais dramático e intimista. Rocky, um campeão do passado, mas ainda hoje lembrado pelos cidadãos da Filadélfia, tem um restaurante, onde conta aos clientes sobre suas glórias passadas, tem um relacionamento difícil com o filho, mas ainda sonha com uma última luta, onde possa lidar de vez com seus demônios e frustrações. Quando uma luta virtual contra o campeão atual coloca Rocky como o vencedor, muitas pessoas ficam intrigadas, e passam a exigir a luta, dessa vez, no ringue de verdade. Remetendo a vários momentos da série, e contando com versões mais maduras de coisas consagradas como a montagem, as frases de efeito e a própria luta final, o filme é um tocante e apropriado fecho para a série, que com certeza celebra o personagem e seus fãs, e nos lembra porque seguimos esse personagem desde o começo. Rocky ainda é um adorável perdedor por fora, mas por dentro, seu grande coração e caráter fazem dele o maior vencedor de todos.

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