ESPECIAL American Pie
Hoje, falamos da série de comédia mais maluca e ousada dos anos 90… AMERICAN PIE! Por Lucas Veloso.
American Pie surgiu em 99 com a proposta de ser um “Porky’s dos anos 90″. Como nunca fui muito fã de Porky’s e seu tipo de humor, passei longe. Mas acabei, eventualmente, dando uma chance em vídeo para as peripécias de Jim, Oz, Kevin, Finch, e claro, Stifler. A estória tratava desse grupo de amigos, que, às vésperas da formatura, ainda se encontram em estágios diferentes mas igualmente estáticos de virgindade, e fazem um pacto para darem um jeito nisso até o dia da festa. Bem padrão mesmo, nada de mais. O que se segue é uma série de piadas grosseiras, humor físico, e uma torta de maçã desfigurada na cena mais icônica (e nojenta) dos filmes de comédia. Porém, em meio a essas tosqueiras, American Pie se destacou por causa de seus personagens. Embora nunca nos aprofundemos demais no drama (não é mesmo esse tipo de filme), podemos simpatizar com os garotos e suas dificuldades que só quem já foi adolescente também pode compreender. Afinal, quem não teve uma conversa com o paizão que começou até bem, na base do conselho, e terminou com um jovem sem saber aonde enfiar a cara de tanta vergonha? A propósito, “O Pai de Jim”, Eugene Levy, é o grande achado da série, que fique registrado desde já. Na continuação, American Pie 2, os rapazes agora estão com a vida sexual à toda, na universidade, e começam a trombar com novos problemas, referentes à vida adulta. E tome mais situações embaraçosas e piadas chulas. Aliás, essa continuação traz um número recorde de mulheres peladas, para quem estiver tomando nota. Embora mais apelativa, mantém o cerne da amizade do filme anterior e traz os personagens mais maduros (dentro do possível). Em American Pie – O Casamento, Jim, o “rapaz da torta”, finalmente resolve se casar. Claro que, entre despedidas de solteiro com strippers e planejamentos da cerimônia, não será um casório nada comum. Embora ainda traga o inconfundível humor da série, esse filme brilha menos pois muitos do elenco não quiseram voltar, e o filme parece incompleto de alguma forma. Ainda bem que esse ano resolveram nos brindar com American Pie – O Reencontro, o mais novo exemplar da série. Agora beirando os 30, e com crises nos casamentos, noivados malucos, dificuldades no trampo, entre outras mazelas, os personagens ainda lidam com tudo isso da mesma forma insana de sempre. Especialmente Stifler, que tem dificuldades em aceitar a passagem do tempo. Dessa vez, capricharam: ninguém ficou de fora, mesmo personagens secundários dão o ar da graça, nem que seja por alguns segundos em tela. Arrisco dizer também que é o definitivo, dá mesmo uma impressão de conclusão, e mais um filme seria picaretagem (mais do que esse já foi). O que fica após os farelos da torta é uma série de comédia bem tosqueira, mas com um coração de ouro. Mesmo depois de anos, os rapazes ainda são “do bem”, e mesmo diante das tentações e tribulações, tomarão as melhores decisões possíveis, dentro de seu contexto de comida e sexo.
O Enigma de Outro Mundo
O Enigma de Outro Mundo (ou “The Thing”) – por Lucas Veloso ![]()
![]()
![]()
Não quero que pareça que estamos fazendo um “especial John Carpenter” aqui, mas é que revisitei alguns de seus filmes recentemente, e por isso as críticas em sucessão. Nesse “O Enigma de Outro Mundo (quão difícil é traduzir ‘The Thing’?)”, acompanhamos a rotina de um grupo de pesquisadores na Antártida ser perturbada por estranhos homens nórdicos caçando um cachorro aparentemente inofensivo. O que vamos descobrir ao longo do filme é que nada ou ninguém naquela vastidão gelada é inofensivo, e pior… não há para onde correr quando se é perseguido. Carpenter investe no terror claustrofóbico com toques de ficção científica, e cria um dos melhores exemplares do gênero… talvez empatando apenas com os filmes do Alien. A tensão de não saber quem será o próximo integrante da equipe a ser atacado pela “Coisa” que é capaz de imitar um ser humano com perfeição é insuperável, e há credibilidade já que é grande o número de atores veteranos no elenco puxado por Kurt Russell. Os animatronics usados pela equipe de Rob Bottin, por sua vez já não causam o mesmo impacto devido à idade do filme (início da década de 80), mas as sequências em que aparecem ainda são eficientes, nem que seja pelo bizarro da situação. A trilha sonora, composta por outra pessoa que não o diretor (raridade nos filmes do mesmo) fica por conta do excelente Ennio Morricone, ou seja, nem de longe decepciona, ajudando a criar a atmosfera de terror. Não é o melhor de Carpenter, mas tem todo o seu estilo impregnado em cada centímetro do filme.
Fuga de Nova York
Fuga de Nova York – por Lucas Veloso 
![]()
![]()
O ano é 1997. A violência nos E.U.A saiu do controle. Manhattan foi transformada numa ilha-prisão para os criminosos. Lá dentro, eles fazem sua própria lei, e quem entra não sai mais. É claro que você já viu essa estória. Mas essa foi a primeira vez. Obra da mente do diretor John Carpenter, o mesmo de Halloween, “Fuga” traz Kurt Russell naquele que é possivelmente seu papel mais notável, Snake Plissken. Um condenado que se “oferece (ou é oferecido?)” como voluntário para o resgate do presidente, quando o avião do mesmo cai na ilha-prisão. Russell faz o anti-herói de mal com a vida, sempre fumando, resmungando ou quebrando o queixo de alguém. Mas no fim, faz o serviço. É ajudado por um elenco de durões, de várias épocas: Lee Van Cleef, Ernest Borgnine, Isaac Hayes e Donald Pleasence. Carpenter, um hábil diretor, faz o que pode com o orçamento apertado. E os resultados são… irregulares. A NY do “futuro” é desolada e dilapidada o suficiente para vender a ilusão, mas alguns efeitos são simplesmente atrozes para os padrões de hoje. Mas se não passam no teste do tempo, pelo menos ajudam a sedimentar o status de cult do filme. A trilha sonora, como quase sempre, a cargo do próprio diretor, é ritmada e tensa. E ótima, claro. Não é um filmão, mas agradou a muita gente, a ponto de render uma continuação em 96, “Fuga de L.A”. Que é pior ainda. Bom, fazer o que, né…
A Mulher de Preto
A Mulher de Preto – por Lucas Veloso 
![]()
![]()
Daniel Radcliffe pegou a cartilha de “como continuar sua carreira depois de um personagem marcante” e a está seguindo à risca: fazendo um papel completamente diferente daquele que o consagrou. E por que não? Afinal, em time que está ganhando, não se mexe, não é mesmo? Então ele está mais do que certo. Nesse novo filme, ele interpreta Arthur Kipps, um jovem advogado atormentado pela recente morte da esposa que viaja para um cidadezinha remota a negócios. Enquanto tenta trabalhar, começa a descobrir o mais terrível segredo da cidade: ela é assombrada pelo fantasma de uma mulher vestida de preto, visível principalmente no caso de mortes de crianças. O desempenho do jovem ator é bom, mas infelizmente em alguns momentos é difícil não vê-lo como “Harry Potter”. Não atrapalha o filme, são apenas distrações momentâneas. O diretor James Watkins, de qualquer forma, não nos dá muito tempo para meditar sobre isso. Ele está mais preocupado em criar um dos filmes de terror mais eficientes dos últimos tempos. Temos os sustos clichês, com barulhos, e pessoas se virando apenas para dar de cara com outras pessoas. Mas temos também sustos inovadores, mais sutis, do tipo “será que eu vi aquilo mesmo?”. A câmera nunca é sua amiga, e está sempre buscando enquadramentos para te deixar tenso. E que tensão! A violência no filme é brutal e inesperada, e mostra mais uma vez que foi uma decisão acertada e corajosa de Radcliffe de se envolver num projeto desses, nem que seja pela mudança de ares.
Wilhelm Scream
Provavelmente, muitos de vocês estão se perguntando o que é “Wilhelm Scream” e qual a relevância do mesmo. Bom, você com certeza já ouviu, mesmo sem saber, esse que foi chamado de “o grito mais famoso do cinema”, pois ele está presente em vários, mas vários filmes mesmo. Mas vamos do começo… esse efeito sonoro foi gravado inicialmente para o filme “Tambores Distantes”, de 1951. Na cena em questão, um homem era atacado e comido por um jacaré. Logo depois, o som foi reutilizado para “The Charge at Feather River”, de 53, onde o soldado Wilhelm é atingido por uma flecha e acaba servindo como inspiração para o nome do som (até então, tinha sido propriamente denominado “homem sendo comido por jacaré”). O som continuou sendo usado esporadicamente para filmes, até que Ben Burtt, o designer de som dos filmes de Star Wars e Indiana Jones resolveu utilizá-lo nos filmes de Spielberg e Lucas nos quais trabalhou. Isso deu nova visibilidade ao efeito (ou seria audibilidade), e ele passou a ser utilizado por outros designers em diversos filmes. E assim tem sido até hoje. É incrível que um efeito sonoro possa ganhar notoriedade, mas assim foi, e se duvida, veja a compilação abaixo mostrando os diversos filmes e séries no qual esse peculiar grito pode ser ouvido: às vezes abafado, às vezes mixado, mas sempre presente. Da grande produção até o filmeco barato. Esse é o legado do grito de Wilhelm.
Jogos Vorazes
Jogos Vorazes – por Lucas Veloso 
![]()
![]()
Baseado na série de livros de Suzanne Collins, e com promessas de ser o “novo Crepúsculo”, ainda assim esse filme teve uma premissa interessante o suficiente para me chamar a atenção: num futuro distópico, num país chamado Panem (previamente a América do Norte), acontece um reality show (e põe reality nisso!) em que jovens provenientes dos vários distritos deverão se enfrentar até a morte, para deleite dos abonados telespectadores, bandos de drag queens e refugos de shows do Elton John. O filme segue um casal de jovens do Distrito 12, Katniss e Peeta, principalmente Katniss, caçadora nata e grande protetora de sua irmã mais nova, a quem ela se ofereceu para substituir na letal competição. O filme tem um design de produção excelente, com uma visão do futuro que, dependendo de onde você está, como por exemplo, os pobres distritos, é monocromática e sóbria, mas se estiver na famigerada “Capital”, tudo é colorido e exuberante. Nota-se que o orçamento do filme não foi astronômico, mas que eles souberam usar o que tinham à mão. Depois de quase uma hora de preparação, os jogos começam, e aí salve-se quem puder: estava receoso, depois do blábláblá inicial, do filme puxar o freio de mão, e atenuar a violência em prol do público-alvo, os adolescentes. Mas não foi isso o que aconteceu. Embora é claro, o filme tenha uma censura baixa, há um bocado de violência sugerida e tortura psicológica, e mesmo morte de crianças novas não são evitadas. Digamos que os jogos são mesmo vorazes. A Katniss criada pela atriz Jennifer Lawrence desperta nossa simpatia e torcemos por ela. O filme seria inútil se não fosse assim… já o romance dela com Peeta (Josh Hutcherson) não convence, e achei o ator um tanto quanto limitado. Não é uma estória particularmente original. Consigo ver ecos de “O Sobrevivente”, “Battle Royale”, e se forçar a mente, acho que dá pra achar mais alguns. Mas considerando novamente que o público-alvo não deve ter visto (e nem sei se verá) esses filmes, fico feliz que ao menos eles estejam recebendo um filme de qualidade, ao invés de um “novo Crepúsculo”, como tem sido alardeado. De alguma forma, vestidos on fire ainda são “menos piores” do que vampiros brilhantes.
Os Miseráveis
Os Miseráveis – por Lucas Veloso 
![]()
![]()
![]()
Baseado no romance de Victor Hugo, que inspirou também um musical (não consigo nem começar a imaginar essa estória como musical, mas enfim). Jean Valjean (Liam Neeson) é um ladrão que recebe uma segunda chance, com a condição de que mudará de vida. E de fato ele muda: acaba se tornando o prefeito de uma cidadezinha francesa. Porém, quando um novo inspetor de polícia (Geoffrey Rush) chega à cidade, ele pensa reconhecer Valjean de seus tempos de criminoso, e agora tentará de tudo para expô-lo e prendê-lo. A perseguição acirrada por parte do inspetor e a indiferença de Valjean, que só quer levar uma vida pacífica, tomam grande parte do filme, mas não é nem de longe o único conflito do filme. Há também o drama da operária doente (Uma Thurman), que só quer rever sua filha, que mora em outra cidade. Filha essa que crescerá e se tornará a bela e inocente Cosette (Claire Danes). Um filme com excelente fotografia e recriação de época, e com certeza, muita miséria também (o título não é propaganda enganosa). Mas sua mensagem é, definitivamente, de esperança. Valjean é um homem arrependido, de caráter reformado e temente a Deus, e mesmo passando por diversas dificuldades, não volta à vida antiga e fácil de roubos. Ótima atuação de Liam Neeson, que comanda o filme, acompanhado do bom elenco. Um filme sóbrio e inspirador, motivacional, até. Definitivamente merece ser descoberto (ou redescoberto, se for o caso).







