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Travelers

25/01/2017

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Travelers – por Lucas Veloso canecacanecacanecacaneca

Mais uma série viciante da Netflix. Ironicamente, não vi muita gente falando nela, então vou ajudar a divulgar pra ver se ganha uma segunda temporada: a premissa não é lá muito original, admito: viajantes do futuro estão se infiltrando entre nós, no lugar de pessoas comuns de diferentes contextos sociais e profissionais que estavam prestes a morrer, e agora, precisam ao mesmo tempo assumir a vida de seus hospedeiros com todos seus encargos e relacionamentos a fim de não levantar suspeitas, mas também achar tempo para cumprir suas missões, que visam melhorar o futuro de onde eles vem. O que eu gostei na série é que ela consegue, de forma bem esperta (leia-se, com um orçamento limitado) criar uma boa história de ficção científica, colocar um bocado de ação e aventura, e ainda achar tempo para desenvolver personagens. Sim, todo o elenco principal (e por que não, coadjuvantes também) dá um show de atuação, e fazem com que criemos empatia com os personagens facilmente. E a natureza singular da viagem do tempo faz com que cada caso seja diferente e empolgante, o que nos leva a ficar na expectativa sobre o próximo viajante. Hype gratuito, e a garantia de que a série poderá sempre se renovar. Essa primeira temporada é bem construída, explica toda a premissa direitinho e ainda deixa na pilha para uma segunda. Que, espero, não tarde a chegar do futuro.

Resident Evil

24/01/2017

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Resident Evil – por Lucas Veloso canecacanecacanecacaneca

Estou prestes a adentrar terreno espinhoso mais uma vez: o maravilhoso mundo das adaptações de video games. Em 2002, tivemos “Resident Evil”, adaptado da bem-sucedida série de games da Capcom sobre uma epidemia zumbi e a inescrupulosa corporação por trás dela, a Umbrella Corporation. Os jogos eram bem divertidos e viciantes, por misturar ação com muito, mas muito terror. Sério, eu não sou um cara que assusta fácil em filmes, mas nesses jogos, o nível de imersão é tão alto que eu diria que é quase impossível. Pois bem, o que esperar do filme? O elemento do terror está lá, na forma dos zumbis, mas devo dizer que a ação é muito mais privilegiada. A história é original, mas poderia ser paralela aos games: Uma bela moça (Milla Jovovich) acorda numa macabra mansão sem nenhuma memória de quem é ou de como foi parar lá. Logo, ela é envolvida numa operação militar que ocorre no lugar, a fim de controlar um vírus que foi liberado num complexo subterrâneo e que, se não for contido, poderá se espalhar pela cidade mais próxima, Raccoon City (pior nome pra cidade de todos os tempos). Quem jogou o jogo já sabe o triste final da história, mas por uma hora e meia observaremos os esforços da equipe e da desmemoriada Alice, que acaba descobrindo ter habilidades de luta (entre outras surpresas). Eu achei o filme bem fiel ao tema da série, embora seja uma história original. Temos boa ação, e mesmo que o terror fique em segundo plano, temos alguns bons momentos de gore. Michelle Rodriguez está no filme também, trazendo sua persona durona pra história. Outra coisa de que gosto bastante é a trilha sonora: a parceria de Marco Beltrami e Marilyn Manson rende uma música errática, nervosa, e distorcida. Nunca ouvi nada igual nem antes nem depois desse filme. É um filme bastante divertido, e acho que faz jus à série de games. Infelizmente, a franquia de filmes continuou, e de forma bem irregular, acabou se tornando sua própria criatura, quase que independente dos jogos. Eu desisti lá pelo terceiro filme, mas o sexto (e último?) filme chega aos cinemas essa semana, comandado pela toda-poderosa Milla, musa do maridão e produtor da série, e diretor desse primeiro filme, Paul W. S Anderson. Seja como for, o único que recomendo é esse primeiro mesmo. E depois, direto pros jogos.

Millennium

24/01/2017

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Em 1996, com o sucesso de “Arquivo X”, o criador Chris Carter começou a pensar em uma série derivada, também de investigação policial, mas mais pé-no-chão, dedicada a analisar o lado mais sombrio do ser humano, ao invés de se centrar em atividades paranormais, como era o caso de sua outra série. E assim surgiu “Millennium”, estrelada por Lance Henriksen, velho conhecido de quem curte ficção científica por seus papéis em “Aliens O Resgate”, “O Exterminador do Futuro” entre outros, e com participações de Terry O’ Quinn, que viria a obter sucesso mundial como o Locke da série “Lost”. A premissa é que Frank Black (Henriksen) é um membro do Grupo Millennium, que presta consultoria em alguns casos para as autoridades. Ele é trazido para consultar para o FBI numa série de casos relacionados a um culto que acredita que o novo milênio (lembre-se, era final da década de 90) traria o apocalipse, e cometiam crimes baseados nessa crença, ou a fim de validar essa crença. O input de Frank Black era essencial pois ele possui uma capacidade especial de ver pistas nas cenas do crime que poderiam estar ocultas a outras pessoas. No início, a fim de tornar tudo mais realista, os produtores diziam que essa capacidade era totalmente mundana, e simplesmente o resultado de anos trabalhando em casos como aquele. Mas nas duas temporadas restantes, eles escancaram a porta do sobrenatural, e admitem que Frank possui um “dom”, que acaba sendo compartilhado por sua filha Jordan. Pois bem, vamos falar de Millennium: A ideia inicial era fazer uma série mais madura, mais séria do que “Arquivo X (que já era bem séria e madura, sejamos honestos)”, mas enveredar um pouco mais pelo lado negro da psiquê humana. E nesse ponto, a série foi extremamente bem-sucedida: casos que envolviam violência sexual, pedofilia, eutanásia, fanatismo religioso, entre outras “amenidades” eram rotina, e os finais em aberto ou ambíguos deixavam uma sensação desoladora. Definitivamente não é algo que você queira ver antes de dormir.

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Eu mesmo, confesso, levei anos para terminar a série, pois depois de ver determinado episódio, às vezes demorava semanas (ou até meses) para criar a coragem de ver o próximo. Não coloco isso como um ponto negativo, pelo contrário, os roteiros, atuações, fotografia e música são de primeira. O negócio é que a série não tem medo de descer até o fundo do poço do ser humano, e às vezes, é difícil voltar de lá. Como primo afastado de Mulder e Scully, Frank Black também tinha mais liberdade para ousar: vale mencionar o episódio maluco que conta com a participação do KISS (sim, a banda KISS), o episódio de natal com visitação de fantasmas, o episódio com fadas (sério!), o episódio com o encontro de vários demônios num bar enquanto eles discutem como corrompem os seres humanos, e todos os episódios com Lucy Butler (o próprio satanás), entre vários outros memoráveis. O tom da série mudou algumas vezes, resultado da troca de showrunners. Sempre saiu algo de qualidade no fim, mas o tom era diferente dependendo da temporada. Lance é um ótimo ator, e é um prazer poder vê-lo com frequência, e num papel tão bom. Megan Gallagher e Brittany Tiplady, que faziam sua esposa e filha, respectivamente, também eram bem simpáticas e ajudavam a trazer humanidade não apenas à vida de Frank Black, mas à série como um todo. E num mundo tão sombrio, você temia muito mais pela segurança de seres tão inocentes. No fim, é uma pena que a série tenha durado apenas três temporadas, e nem chegou a ver o fim do milênio (Frank Black volta em um episódio de “Arquivo X” para reparar essa injustiça), mas é aquela coisa: eles apostaram. Ousaram criar uma série dark e sem concessões para o horário nobre. Conseguiram um cult following, mas foi só isso. Nunca virou mainstream. Hoje em dia, ironicamente, na própria TV aberta tem coisas muito mais gráficas do que essa série, e na TV paga, você consegue séries que apostam no cerebral, ou terror psicológico. Então, embora seja clichê dizer isso, talvez Millennium estivesse um pouco à frente de seu tempo. Um milênio à frente.

Millennium – por Lucas Veloso canecacanecacanecacaneca

Assassin’s Creed

14/01/2017

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Assassin’s Creed – por Lucas Veloso canecacaneca

Ah, as adaptações de videogames pro cinema… as malfadadas adaptações de videogames pra cinema! Queria vir aqui hoje e dizer que finalmente podemos descansar, que foi feita uma boa adaptação, por um grande estúdio, e dessa vez, com um super astro, Michael Fassbender… mas não será dessa vez. Sério, cara… qual é o problema desse povo? E olha que dessa vez, ainda seguiram a história dos jogos mais ou menos à risca, que é a grande reclamação comum a esse tipo de produção. A história pra quem não sabe: Callum Lynch é o descendente de um grande mestre assassino do passado, Aguilar. E com base nas “memórias genéticas” dele, que seu sucessor experimenta em forma de neuro-simulações, ou coisa que o valha, ele ajudará a curar a violência (!) na Abstergo, a empresa que o salvou da morte. O que ele não sabe é que por trás da empresa estão Os Templários, uma ordem anciã inimiga do Credo dos Assassinos, e por aí vai. Eu que joguei o jogo fiquei confuso, imagina quem não o fez. Histórias mirabolantes à parte, as cenas de ação são boas, com bons momentos de le parkour nos telhados de Madri, o visual e desenho de produção lindíssimos, mas nada mais funciona. O problema principal é que parece que faltou ânimo aos realizadores… como se tivessem reunido todo esse poder de fogo para o filme, e no fim, decidiram que não estavam mesmo muito a fim de fazer o filme. Esse desleixo é percebido na edição, na falta de impacto de várias cenas que deveriam ser impactantes, nos diálogos… enfim, é um filme que só está lá. E sinceramente, cara… com tantos filmes feitos com paixão por aí, e bebendo da fonte de um jogo tão cinematográfico, os caras ainda me soltam um filme ruim? Eu me recuso a gastar mais uma linha com um filme tão feito “nas coxa”. Era melhor ter ido jogar de novo Assassin’s II com o Ezio, curtir uma Florença, com aquela trilha sonora envolvente…

Dois Caras Legais

12/01/2017

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Dois Caras Legais – por Lucas Veloso canecacanecacanecacaneca

À primeira vista, apenas uma comédia de ação como qualquer outra. Mas ao ver o nome do diretor, Shane Black, sabemos instantaneamente que esse é o cara que reinventou com “Máquina Mortífera”a fórmula da “dupla de policiais” para o final do séc. XX e é copiado até hoje. Na verdade, não são exatamente policiais, mas detetives particulares, mas enfim. O que vale é a dinâmica da dupla. E como se saem Russell Crowe e Ryan Gosling? Incrivelmente bem. Crowe é o durão de sempre, mas deixa passar um senso de humor, como se já estivesse fazendo o trabalho há muito tempo, e estivesse à vontade com suas peculiaridades (divertido que isso descreva tanto ator e personagem). Gosling faz um tipo bobão, mesmo que tente se fazer de durão, e isso torna seu personagem muito engraçado, e mais tolerável que outras atuações dele que já vi. Mas por incrível que pareça, embora não esteja no poster, essa parceria não estaria completa sem a filha do personagem de Gosling, interpretada pela talentosa novata Angourie Rice. A menina é uma gracinha, e ao tentar ajudar o fracassado pai nas investigações, ela é a alma do filme, e consequentemente faz com que nos importemos não apenas com ela, mas com os outros personagens. A trama detetivesca é interessante o suficiente, e o panorama da LA dos anos 70 embora nada inovador, acaba sendo inovador para esse gênero. Me diverti muito com esse filme, e indico, satisfeito em poder contar mais uma vez com o “Selo Shane Black de Filme de Brodagem Policial”, muito embora nesse filme… bom, você já entendeu.

O Lar das Crianças Peculiares

28/12/2016

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O Lar das Crianças Peculiares – por Lucas Veloso canecacanecacanecacaneca

Cara, andava cansado de Tim Burton… digo, o cara nunca ficou ruim exatamente, mas acho que ele sempre quer fazer o mesmo tipo de filme. Sombrio com tons de comédia, maneirismos repetitivos, sei lá… mas então, o que mudou nesse filme que pra mim é o melhor dele desde “A Fantástica Fábrica de Chocolate”, feito a cerca de 10 anos? Nada. Absolutamente nada. Bom, pelo menos superficialmente falando. Todos os clichês e afetações que formam um “filme de Tim Burton” estão lá. Mas então, o que me cativou nesse filme? Os personagens, e a forma com que são escritos. A história começa como uma espécie de X-Men: existem “lares” onde crianças peculiares (leia-se: com habilidades especiais) podem se refugiar sem medo, e são protegidas por guardiães de seu bem-estar. O jovem Jake descobre um desses lares ao investigar a morte de seu avô, que contava histórias sobre essas crianças especiais desde que ele era pequeno. A partir daí, o legal é assistir a interação de Jake com as outras crianças, que variam muito de idade, e cujas habilidades são, obviamente, uma grande parte do show que são os efeitos especiais do filme. Me importei com os personagens como há muito não me importava num filme, e mais ainda em se tratando de um filme de Burton. Resumindo, não sei se algo mudou. Quero pensar que Burton resolveu dar mais ênfase a seus personagens, ou pode ser que eu só estava com bronca do cara. Seja como for, é um grande filme, não deixe de ver.

Um Brinde a… Carrie Fisher

27/12/2016

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Imagem por Dave-Daring

Hoje, perdemos Carrie Fisher. Conhecida principalmente por seu papel como Princesa Leia no mamute mercadológico que é Star Wars, Carrie era muito mais: Parte da realeza hollywoodiana, era filha de Debbie Reynolds e Eddie Fisher. Era também escritora, tendo escrito diversos livros, a maioria autobiográficos. No mais recente, faz revelações sobre um romance nos bastidores entre “Leia” e “Han Solo”. Nunca se esquivou de seu passado difícil, onde experimentou diversas drogas para lidar com um diagnóstico de bipolaridade. Depois de tudo que passou, se tornou ativista pela saúde mental. De volta a Hollywood, era considerada uma das maiores “script doctors”, tendo dado uma recauchutada nos roteiros de filmes distintos como “Hook – A Volta do Capitão Gancho”, “Mudança de Hábito”, “Máquina Mortífera 3”, entre outros, sempre sem receber crédito. Na saga galáctica, quando precisou usar um biquíni dourado para bancar a escrava de Jabba The Hutt, foi parceira, e topou, sem reclamar muito. Depois se arrependeu. Recentemente, quando a pediram pra emagrecer pra poder interpretar a nobre princesa 30 anos depois, achou meio complicado, mas também foi lá e fez. Quando ouviu que colocariam outra atriz para interpretá-la mais nova em Rogue One (sob um pesado verniz digital, claro), sorriu e assentiu. Pois o tempo não pára para ninguém, nem para a própria Princesa Leia. E agora, é hora dela se tornar uma com A Força. Fica a dúvida do que nos aguarda no EP. VIII, pois parece que ela completou sua participação. Mas e depois? Deixaremos Leia descansar ou a ressuscitaremos com CGI, como o governador Tarkin em Rogue One? O tempo dirá. Por hora, vamos lembrar de Carrie, que não foi tão bem-tratada pelo show business, tendo sido atirada a seus tentáculos famintos tão nova para nos entreter. Teve momentos difíceis, mas enquanto pôde, se levantou, sorriu, sacudiu a poeira e jogou o jogo tão bem quanto pôde. Parafraseando o personagem de Max Von Sydow em “O Despertar da Força”: “Ela sempre será realeza para mim”.