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Turbokid

04/06/2017

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Turbokid – por Lucas Veloso canecacanecacaneca

A nostalgia é real! Não apenas revisitar temas e tendências dos anos 80/90, mas a moda atual é fazer filmes que se parecem tanto com os produtos daquela época, que você quase poderia ser perdoado por pensar que são mesmo filmes perdidos que foram encontrados apenas recentemente. Entram nessa lista “Kung Fury”, “Stranger Things”… e a lista só cresce. Mas, ei… sendo eu mesmo um nostálgico, não reclamo. Turbokid bebe direto na fonte de Mad Max, mas tem um pouco dos “filmes de amizade” da época (“Os Goonies”, “Conta Comigo”, etc…), ao contar a história de um garoto que tenta sobreviver num desolado pós-apocalipse, quando encontra uma nova amiga. Quando ela é sequestrada, ele resolve encarnar seu antigo super-herói Turbo Rider para salvá-la. O filme é extremamente curioso, pois apresenta uma filmagem e design de produção que como citei, poderiam ter sido feitos nos anos 80, incluindo aí a obrigatória trilha sonora de sintetizadores. A violência também é excessiva, como era o padrão também. Mas o filme se sobressai é no coração… e não quero dizer órgãos arrancados de corpos, que tem bastante… mas o núcleo emocional mesmo. O casal de atores principais é extremamente carismático e é fácil torcer por eles. E embora siga o padrão oitentista, o filme não se contenta apenas com isso, oferecendo uma surpresa no enredo aqui e ali. É divertido, e vale conferir, principalmente se você é um dos órfãos da “década perdida”.

Mulher Maravilha

03/06/2017

WW

Mulher Maravilha – por Lucas Veloso canecacanecacaneca

Esse tinha expectativa, ô se tinha: o primeiro grande filme baseado em HQs liderado por uma personagem feminina, dirigido por uma mulher (Patty Jenkins, do premiado “Monster”) e o primeiro filme da DC depois dos criticados Batman X Superman (na verdade, um bom filme) e Esquadrão Suicida (esse, ruim mesmo). Então, como a mulher mais poderosa das HQs se sai em seu próprio filme? Muito bem, na verdade: o filme conta a origem de Diana, princesa amazona da ilha de Themyscira, que após resgatar o piloto Steve Trevor, volta com ele para o mundo dos homens e testemunha os horrores que inflingimos um ao outro. Claro que, com seu forte senso de honra e justiça, ela não pretende ficar parada frente a tanta brutalidade. Para essa história, os produtores preferiram inserir a personagem na I Guerra Mundial ao invés da II, que é quando ela foi criada nos quadrinhos. Não me pergunte porquê, mas a verdade é que como são poucos os filmes passados nesse período (comparando com o tanto de filme de II Guerra), pra mim foi uma mudança bem-vinda. Diana é interpretada com ingenuidade e solenidade por Gal Gadot, que já tinha interpretado uma versão mais calejada da mesma em BVS. Para mim, nunca haverá uma Mulher Maravilha mais maravilhosa do que Linda Carter, mas estaria mentindo se dissesse que Gal não sai bem aqui. Com seu porte e presença de tela, faz frente a um veterano como Chris Pine e deixa sua marca. As cenas de ação são muito boas, a mulher bota pra quebrar sem nunca precisar recorrer a homem nenhum para protegê-la. A mensagem é bem clara: essa é uma guerreira que não está na Liga apenas por seu rostinho bonito. O desenho de produção, com as imagens idílicas na ilha e a recriação de época do início da década passada também merecem uma menção. O roteiro é apenas correto e nunca chega a, com o perdão do trocadilho, nos maravilhar, mas o filme faz tudo que ele precisa fazer, ao meu ver: apresenta a origem da Mulher Maravilha, a estabelece como uma “embaixadora da paz” de Themyscira, parte integral da personagem, mostra uma parte do que foi o tal “século de horrores” que ela presenciou antes dos eventos de BVS, e deixa a porta aberta para novas aventuras mas sem a obrigatoriedade dos filmes que buscam “construir um universo”. Apenas correto, sem exageros, mas um filme respeitável e respeitador.

Alien: Covenant

13/05/2017

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Alien: Covenant – por Lucas Veloso caneca

Cara, cara, cara… que mundo é esse em que vivemos em que Neill Blomkamp, o talentoso diretor de “Distrito 9” tem ideias interessantes para um filme do Alien e não consegue fazê-lo, e Ridley Scott, o homem que deu início à franquia, tem ideias totalmente estapafúrdias e ainda assim, consegue continuar fazendo esses filmes?! Vou falar de uma vez, se não quiser perder tempo lendo tudo: esse Alien Covenant é um DESASTRE! Uma bomba atômica! Um chute nos bagos de qualquer fã que já curtiu algum filme do Alien. Ressurreição? AvP? OBRAS DE ARTE perto desse filme! A campanha de marketing, genial, nos leva a crer que Scott aprendeu com o outro desastre que foi “Prometheus” e que agora voltará para o “clima” do Alien original: nave mais realista, tripulação estilo caminhoneiros do espaço que nem Sigourney e cia, corredores escuros… mas aí você vai ver o filme, e é Prometheus 2?! Ah, COME ON!!! Pra que insistir numa premissa furada? Ninguém deu a mínima praqueles carecas branquelos e suas experiências científicas, cara… foi a pior parte do filme! E aí ele traz justamente essa parte de volta? É brincadeira… o filme é tão escroto, que quando chegou a parte final, com o obrigatório jogo-de-gato e rato com o Alien na nave, eu já estava tão de saco cheio que não dava mais a mínima. Com o perdão do trocadilho, esse é um filme que me alienou direitinho da série e de Ridley Scott, hoje apenas uma sombra do que já foi, apesar de algumas bolas dentro (“Perdido em Marte”). A única salvação é mesmo Fassbender, que mesmo numa bomba dessas, ainda consegue mandar bem. Fantástico ator. Mas de resto… meu amigo… que roubada! Dêem-me sangue novo ou aposentem essa série de vez!

Guardiões da Galáxia Vol. 2

04/05/2017

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Guardiões da Galáxia Vol. 2 – por Lucas Veloso canecacanecacanecacaneca

Se você acompanha nosso blog, talvez saiba que não sou muito fã do primeiro “Guardiões da Galáxia”. Não sei, tem coisas naquele filme que não me desceram bem, tentava ser outra coisa, e não deu pra relevar. Sei que não é a opinião geral (todo mundo adorou). Sendo assim, não estava ansioso pro segundo filme, não estava nem de longe no meu Top 10 de filmes mais esperados. E assim fui ao cinema, meio a contragosto, numa sessão cara de IMAX em 3D acompanhando alguns amigos. E foi assim que vi o melhor filme da Marvel do ano, e um dos melhores já feito pela empresa. WHAT?! É, isso mesmo… se é pra dar o braço a torcer, vamos fazer direito. Dessa vez, me conectei mais com a história: o pai de Peter “Starlord” Quill reaparece, querendo se reconectar ao filho… só tem um probleminha: ele é um planeta vivo! E Peter já tem uma “família” agora: como ficam os Guardiões nessa? O filme se concentra ao máximo em capitalizar nos trunfos de seus personagens: Drax é fortão e sem noção? Então, você terá excelentes cenas dele sendo fortão e sem noção. Gamora e sua irmã azul tem questões familiares pra resolver? Então, você vai ver lavação de roupa suja hardcore! Rocket Raccoon é um babaca azedo mas com um bom coração? Você vai… putz! Sem spoilers. Mas basta dizer que algo inesperado desse filme é que ele mexe com suas emoções mais primais. O filme abre seu coração pra você, e você seria um babaca nível Rocket se não o acolhesse caridosamente. Ah! E Baby Groot rouba a cena várias vezes, mas isso já era esperado. Além disso, desde Avatar não via um 3D tão imersivo. Você nunca “esquece” que está vendo em 3D, e não porque coisas pulam na sua cara o tempo todo, mas porque o design de produção é intrincado e bonito, e os mundos que os Guardiões visitam são cheios de camadas e detalhes, e você vai querer ver tudo, se absorver em tudo. Se você leu HQs da Marvel dos anos 70, com aquela arte colorida de John Buscema e afins, sabe do que estou falando. E mais: a ação é espetacular, as piadas são hilárias, as referências para os fãs estão fervilhando. Então, resumindo, um filme bom pra caramba, sim… e ao longo da projeção já estava com a intenção de dar uma nota de 3 canecas (bem cheias) pra ele. Mas aí, no clímax, Peter Quill se transforma em (SEM SPOILERS) escancara a porta da anarquia, abraça cada nerd no cinema, e me vi “forçado” a dar quatro estrelas. Surreal. Acho que nunca desgostei tanto de um filme e curti tanto sua continuação, a ponto de virar fã desses personagens, passar a me importar com eles e querer saber o que vem por aí pra eles. Talvez esse tal de James Gunn seja mágico mesmo.

Guardians

19/04/2017

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Guardians – por Lucas Veloso canecacaneca

Não, calma, galera… ainda não são os “da galáxia”. Esse “Guardians” é um filme russo que gerou frisson com seu trailer na comunidade nerd ano passado, e agora tive acesso ao filme completo. Bom, como se sai o primeiro filme de super-heróis russo? Em resumo? Mal. Mas vamos lá… o filme não tenta esconder a vontade de ser “Os Vingadores” versão Rússia, e não apenas a história de montagem de um grupo, mas também cenas específicas fazem referência ao filme americano. Aliás, o filme todo é uma colcha de retalhos de filmes anteriores, desde a fotografia, passando pelo design e até mesmo a trilha sonora tenta emular os “best hits” dos filmes de ação e super-heróis. E não teria nada de errado nisso, vimos colchas de retalhos darem certo no passado com muita habilidade. O problema aqui é que o roteiro é MUITO ruim. Ininteligível, na verdade… e antes que você pergunte, sim, a versão que eu assisti TINHA legendas. Ainda não sei direito quem eram os personagens, o que queriam, por que lutavam… então me concentrei nas cenas de ação. E é aí que o filme deslancha: excelentes cenas de ação! E com efeitos especiais de primeira (na maior parte do tempo), que não fariam feio numa produção hollywoodiana. É de dar orgulho mesmo, são super bem-cuidados, e de encher os olhos. Destaque para Arsus, o cara que vira Urso, melhor parte do filme fácil. Ainda não tinha acabado o filme e fiquei imaginando que barato seria uma action figure dele com a metralhadora em cima da minha mesa. Animal, com o perdão do trocadilho. Também curti a loirinha que fica invisível e é boa nas lutas. Bonita e faz suas próprias cenas de ação, não tá fácil assim de achar no mercado, não! Os outros personagens, sinto dizer, não são memoráveis, e apesar de ter amado os efeitos especiais, me sinto obrigado a dar essa nota baixa. Um bom esforço, com boa qualidade e fora do eixo Hollywood, mas a galera tem que entender que os filmes de super-heróis nos quais se inspiraram fizeram sucesso não apenas com visuais, mas com uma história envolvente e bons personagens. É o pacote todo. Quem sabe na próxima? Até lá, vamos curtindo o ursão da metranca!

 

Godzilla Resurgence

12/04/2017

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Godzilla Resurgence (ou “Shin Godzilla”) – por Lucas Veloso

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Quem acompanha o blog sabe da minha paixão pelo monstrão mais famoso do japão, mesmo se às vezes acabo não curtindo muito os filmes em que ele aparece. Depois do execrável remake americano de 2014, que fez o remake americano de 98 parecer uma obra-prima, agora temos o remake japonês de 2016. Confuso? Tudo bem, eles sabem… e por isso, fazem o filme em si parecer bem simples pra nós. Esse “Shin” Godzilla reconta a história como se nunca tivesse havido uma invasão do monstrão no Japão (o que a essa altura, é um cenário impossível de se conceber, mas…) e mostra a mobilização do governo japonês frente à ameaça gigante… e põe gigante nisso! O monstro dessa versão chega a mais de 100 metros de altura(!), a maior altura que Godzilla já teve. A história é exatamente a mesma de TODOS os filmes solo do Gojirão, então nem tem o que comentar nesse aspecto. Claro, eles o adaptam aos tempos atuais, com filmagens amadoras caindo na net, drones e intriga política internacional, mas é a exata mesma coisa: quando não estamos vendo o monstrão, estamos em salas com diversos japoneses engravatados. Devo admitir que em todos os filmes, essa é a parte mais chata pra mim, e fico ansioso pra voltarmos logo pro campo de batalha e ver a destruição. Mas sinceramente, simpatizei mais com os engravatados dessa vez. No final, já tava quase votando no primeiro ministro substituto pra presidente do Brasil, o cara é fera! Sobre o design, eles acertam em algumas coisas: o Godzilla mais ameaçador já feito. Ele é imponente, ele é assustador, ele é feio pra cacete, ele é nojento, ele é majestoso em sua destruição (fãs do bafo atômico não terão do que reclamar). E erraram também: tem horas que mesmo com o bom design, o monstro parece um joão-bobo de borracha, andando duramente como se estivesse paralisado… e aqueles bracinhos de T-Rex pra um bicho com mais de 100 metros não deram certo, foi mal, galera. Os efeitos são bons, mas não sei… não parecem adequados a uma grande produção, sinto que faltou uma finesse ali, não sei explicar. No fim, é mais divertido que as bobagens em que andam colocando o “Grande G” atualmente, é mais empolgante que a maioria dos outros filmes, mas ainda tem um didatismo, uma burocracia e uma seriedade que acabam dando um tom cômico não-intencional ao filme. Ou talvez seja intencional? Não sei… mas diverte, sim. Recomendo.

A Vigilante do Amanhã

31/03/2017

GITS2017

A Vigilante do Amanhã (ou “Ghost in The Shell”) – por Lucas Veloso canecacanecacaneca

Baseado nos mangás e animes homônimos, “Ghost in The Shell” finalmente chega aos cinemas estrelado por Scarlett Johansson. Já tendo sido adaptado tantas vezes, como é que se sai a Major dessa vez? Vamos lá: em termos de adaptação temática, o filme é muito bom, os temas principais (alienação, melhorias robóticas, perda de humanidade, hackers) estão todos lá. A personagem da Major, por sua vez, passa por uma gigantesca mudança de comportamento (discutida mais a seguir), mas considerando que a versão do mangá já era bem distinta da do anime, não chega a ser um grande pecado. É como se a Major se adaptasse de acordo com a mídia na qual está, e no que a história precise dela ser naquele momento. Acho isso interessante. Os visuais estão simplesmente deslumbrantes, com efeitos de primeira, e creio que é o principal trunfo do filme. Mesmo quem já viu Blade Runner e seus clones menos famosos diversas vezes ainda fica com o queixo no chão com a cidade de neon desse filme, com os efeitos dos robôs e a “roupa” que distorce a luz e torna a Major invisível. Existem, claro, diversas referências para os fãs do anime e DE anime em geral. Scarlett se sai bem, numa interpretação contida e um pouco esquisita, que pode ser erroneamente confundida com canastrice, mas ela apenas tenta retratar a bizarrice e alienação de uma personagem que parece não experimentar emoções. Quanto à polêmica sobre “whitewashing”, ou seja, escalar uma ocidental para um papel oriental, o filme oferece sua explicação, de forma conveniente, sim, mas de jeito que faça sentido para a trama. Não me incomodou muito, ainda mais que o elenco ficou bem diverso etnicamente, como se quisessem compensar qualquer incômodo. Mas a mudança traz efeitos colaterais estranhos, como por exemplo, o personagem de Takeshi Kitano sendo o único falando japonês porém interagindo livremente e respondendo outros que falam inglês. Coisa pequena, mas fica esquisito. A trilha de Clint Mansell (Réquiem para um Sonho) e Lorne Balfe (Exterminador Gênesis) é boazinha,  mas nunca se destaca muito (o coral de vozinhas japonesas só rola nos créditos finais). Olha só, o filme é correto e nada mais. Mas o visual… digamos que será um bom filme para mostrar aos amigos o poder do seu home cinema, caso surja a oportunidade. Não acho vergonha pro filme dizer que ele é mais bem-sucedido como uma experiência sensorial do que como narrativa. Nem todo filme precisa ser “Cidadão Kane”.