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The Get Down

17/09/2016

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The Get Down – por Lucas Veloso canecacanecacanecacaneca

Esse sujeito chamado Baz Luhrmann muito me encanta! Acredito que uma das marcas de um bom diretor é conseguir fazer você se interessar pelo filme dele, mesmo que o tema não lhe interesse necessariamente. E nessa vibe, ele conseguiu me fazer interessar por uma história sobre dança de salão, depois pelo amor adolescente de DiCaprio e Claire Danes (com selo shakesperiano de qualidade, verdade), e ainda me interessar mais pela cultura aborígene. Seus filmes trazem uma energia cinética que não consigo quantificar. Talvez o melhor seja nem tentar. O fato é que esse australiano maluco volta em mais um contexto improvável: contando a história do surgimento do movimento hip-hop na Nova York dos anos 70, no fim da era disco. E faz isso via mais um romance adolescente improvável, do jovem músico-em-desenvolvimento Ezekiel e da diva sufocada pelo pai-pastor Mylene. Ao meio de blecautes, tensão racial, movimentos sociais, e muito calor no verão novaiorquino, esses jovens e seus amigos vão mudar suas vidas e ao mesmo tempo, assistir a uma revolução urbana acontecer. A série traz o agito que é necessário para uma história assim, com cores vibrantes, músicas fantásticas da época (não necessariamente os hits), e filmagem impressionante. O primeiro episódio é dirigido por Baz e traz seus floreios característicos, então os que vem depois precisam manter o nível. Não conseguem, exatamente, mas ainda assim, mantém o nível. Simplesmente uma experiência multi-sensorial. Há muito não assistia um filme ou série que me deixasse tão empolgado com a história, personagens e técnica utilizada. Altamente recomendado, e só não dou cinco canecas porque senti que o final foi um pouco abrupto, deixando algumas pontas soltas de forma grosseira, sem a finesse do resto da série. Mas pelo que ouvi, ainda não é o fim da primeira temporada, que tem mais episódios prontos para ir ao ar em 2017. Então, vamos aguardar… ansiosamente.

Ben-Hur

17/09/2016

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Ben-Hur – por Lucas Veloso canecacanecacaneca

Ainda sobre remakes… esse aqui ficou legal. Antes de começar, vale esclarecer: SEM CHANCE de se comparar ao épico de Charlton Heston, simplesmente uma das maiores obras-primas do cinema. Mas este tem o bom senso de pegar a história, adaptar para uma geração atual sem comprometer a integridade da obra, e num tempo de duração bem mais amigável que o clássico. Enfim, é um filme bom o suficiente para indicar para aquele seu amigo que não topava nem a pau encarar quatro horas de Charlton Heston! A história é basicamente a mesma: O príncipe judeu Judah Ben-Hur é falsamente acusado de atacar um oficial do exército romano, tudo por ambição de seu irmão adotivo Messala, que quer subir ao poder de qualquer jeito. Vendido como escravo, ele precisará retornar para conseguir sua vingança, mas… no caminho terá um encontro que mudará sua vida. Como já disse, o filme é mais acelerado na ação, e coloca umas discussões políticas no meio, que me parecem meio sem propósito, meio que tentando espelhar situações políticas atuais, mas posso estar enganado, pois não li o livro em que os filmes se baseiam. Os atores são bons o suficientes, nenhum grande destaque, tirando Morgan Freeman, que é sempre um destaque, e Rodrigo Santoro, com uma boa interpretação de Jesus de Nazaré, que ganha mais espaço aqui do que no filme original. No mais, ação competente, roteiro OK, e os problemas, por incrível que pareça, são os mesmos do original! Juro! Até a cena das bigas, que achei que terminava de forma muito abrupta e desengonçada no original, se repete aqui! Isso que é fidelidade ao material! Veredito final? Faz jus ao original, mas não tem as pretensões de se igualar ao épico, até porque, de lá para cá, quantas mil histórias do mesmo tipo com pano de fundo romano já foram feitas? O filme está satisfeito em apenas contar sua história, e conta bem.

A Bruxa de Blair

17/09/2016

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A Bruxa de Blair – por Lucas Veloso canecacaneca

Em geral, paramos de comentar a relevância de remakes aqui no blog, pois são, em sua maioria, irrelevantes. Continuamos assistindo na esperança de achar algum que valha a pena. E às vezes sai um. Esse… é quase um daqueles casos. Esse novo “Bruxa de Blair” faz seu dever-de-casa de acordo com a cartilha do remake moderno: tem conexões com o filme original, incluindo o envolvimentos dos criadores e o personagem principal é irmão de Heather, desaparecida no filme original. Os sustos são para a galera moderna, então vão um pouco além da mera sugestão daquela época que, convenhamos, não funcionaria hoje. Tudo é feito de forma bem respeitosa e séria, e na maior parte do tempo, é bem-sucedido, com bons momentos de tensão. Como fã do primeiro filme, fiquei empolgado ao ver um novo filme da Bruxa de Blair e não saber o que acontecerá aos personagens principais (ou sejamos sinceros, “como” acontecerá). O que dá errado? Pois é, é complexo: o filme é tão fiel ao original, que é quase o mesmo filme, praticamente um remake, um “soft reboot”, como tem sido chamado por aí. Mas sendo assim, não agrega nada à história, e não justifica sua relevância (oops, I did it again… Sorry!). Senti uma curiosa ambiguidade: ao mesmo tempo que queria ver mais da bruxa, por curiosidade, também não queria, não sei se por medo de errarem na mão com algum CGI tosco ou só pra manter o mistério mesmo. Mas novamente, mistério preservado, mas não dá pra evitar aquela sensação de que 17 anos depois, você volta ao cinema pra assistir à mesma história, sem nenhum desenvolvimento. A não ser que você considere que a presença de YouTube, drones e equipamentos modernos faça diferença. Pra bruxa não fez…😉

Ligados pelo Amor

15/08/2016

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Ligados pelo Amor – por Lucas Veloso canecacanecacanecacaneca

Um filme de romance que tem um ângulo diferente: mostra a vida amorosa de todos os membros de uma mesma família: conhecemos Bill (Greg Kinnear), um escritor neurótico que não admite ter sido abandonado pela ex-esposa Erica (Jennifer Connelly), e seus filhos, Rusty (Nat Wolff), um jovem apaixonado pela gatinha da escola, e sua filha Samantha (Lily Collins), que acaba de publicar seu primeiro livro, e não acredita em amor e romance. Dizer mais da história é privar o espectador da descoberta sobre o que faz esses personagens funcionarem. Todos são interpretados muito bem, e acabei simpatizando por todos, por mais difícil que o temperamento de alguns possa ser. É também intrigante ver representações de romance nas diferentes fases da vida, e impossível não se identificar por pelo menos alguma dessas fases e os problemas decorrentes. Um filme denso, com algumas partes engraçadas, mas não digo que é uma comédia romântica… talvez um drama romântico? Altamente recomendável.

Esquadrão Suicida

07/08/2016

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Esquadrão Suicida – por Lucas Veloso canecacaneca

Cinema é um negócio. Fato. Toda a expressão artística e autoral precisa passar pelo filtro da grana. Por mais triste que isso possa parecer, é a verdade. E hoje, na era dos blockbusters que custam 150, 200 milhões de dólares, os estúdios tem medo, MEDO, de soltar um produto que possa desagradar o público o mínimo que seja. Então, acompanhar a produção desse “Esquadrão Suicida” foi sofrido, e ver o resultado final foi mais sofrido ainda. A história dos vilões reunidos para formar uma força-tarefa capaz de impedir ameaças super-poderosas é uma ótima premissa, e tanto os personagens quanto os atores reunidos para vivê-los são intrigantes. Mas o roteiro simplesmente não funciona. O filme todo soa artificial, saído de uma linha de montagem, costurado de diversos pedaços por inúmeros artesões, todos trabalhando a toque de caixa, tentando entender porque as pessoas não gostaram totalmente de Batman X Superman (nós adoramos!), e o que Deadpool tem de tão engraçado que o público abraçou o semi-desconhecido anti-herói. No comando, David Ayer, um talento moderado, superestimado, que no fim, faz um filme esteticamente interessantíssimo, com personagens fantásticos: Margot Robbie rouba a cena como Arlequina, Will Smith vive dias bons como Pistoleiro, e todo o resto do esquadrão funciona em maior ou menor dose. Inclusive se essa crítica ganha duas canecas, é só pelos personagens. Mas eles são lindos hamsters correndo por um labirinto pra lá de chato. Seja lá qual rumo que o universo cinematográfico da DC vai tomar, é bom eles resolverem logo, pois assistir a esse filme foi uma experiência embaraçosa, estranha, porém com lampejos de genialidade. Desconfortável, pra dizer o mínimo. P.S: Jared Leto, seu Coringa funkeiro não funcionou, cara. MESMO! Obrigado pela participação, mas não precisa voltar da próxima vez.

Rio Bravo – Onde Começa o Inferno

01/08/2016

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Rio Bravo – Onde Começa o Inferno – por Lucas Veloso canecacanecacanecacaneca

Frequentemente eu lia que “Rio Bravo” era a resposta de John Wayne e do diretor Howard Hawks a “Matar ou Morrer”, de Gary Cooper e Fred Zinnemann, inclusive o filme me foi recomendado dessa forma. Não gosto de começar uma crítica já comparando filmes, mas vou fazê-lo, apenas para deixar claro que, embora o tema seja parecido (um xerife trabalhando com poucos aliados contra uma gangue de criminosos), e ao meu ver, não existe um melhor ou pior que o outro, são apenas dois filmes que tentaram fazer coisas diferentes. Em “Matar ou Morrer”, o forte era o suspense, a adrenalina do trem chegando, e a incerteza de quando os criminosos agiriam. Aqui, o tempo não é tão relevante, o problema é que nunca se sabe o que os criminosos vão aprontar em seguida para libertar seu líder. E nesse meio tempo, o diretor quer nos apresentar a seus personagens, quer que nos acostumemos com eles, quer que acompanhemos a rotina de uma pacata cidadezinha no meio do Texas na época do Velho Oeste. Claro que tem um bocado de cenas de brigas e bangue-bangue, mas é justo dizer que trata-se de um western mais lento, reflexivo, com excelente desenvolvimento de personagens, complementado por ótimas atuações de Dean Martin, no papel de um ajudante bêbado que tenta se endireitar, e Ricky Nelson, como um jovem esquentado e arrogante, mas que no fim, vai topar ajudar o xerife. Aproveito para confessar que esse é meu primeiro filme de John Wayne. Li durante anos que o “Duke” fazia sempre o mesmo papel, e que todos seus filmes eram sempre iguais, e isso sempre me desanimou. Mas perseverei, e gostei demais do estilo dele: durão, impassível, mesmo nas cenas em que precisa demonstrar ternura, consegue dar uma tirada. Ele tem aquela qualidade de macho-alfa que não pode ser negada. A câmera de Hawks é espectadora. Em pouquíssimos momentos ela ousa chegar muito perto, contentando-se em assistir por trás de uma coluna, da porta, sempre à distância. É um jeito mais impessoal de filmar, mas serve para o filme, uma estética documental. No começo, achei o filme arrastado, mas depois ele me ganhou, não no momento em que começa a ação, mas pela força de seus personagens. É isso que vemos aqui: um western baseado não no bangue-bangue, mas numa direção sólida e ótimas atuações. Não seria o western que eu recomendaria para alguém que nunca viu um, mas seria o que eu recomendaria para quem quiser uma reinvenção.

Projeto Filadélfia

25/07/2016

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Projeto Filadélfia – por Lucas Veloso canecacanecacaneca

Baseado num experimento verdadeiro, que foi realizado em Outubro de 1943, no qual testemunhas afirmam que por um período de tempo, o destroyer da Marinha USS Eldridge não apenas se tornou invisível aos radares (o que era o objetivo do experimento), mas também ficou invisível a olho nu. Ainda hoje, mesmo tendo sido desmentido, o evento ainda suscita debates e teorias. O filme pega uma das mais notáveis: a de que o destroyer teria passado por uma dobra dimensional, desafiando o continuum espaço-tempo e viajando para o futuro, e constrói sua história a partir daí. Dois marinheiros, David e Jimmy, vão parar no ano de 1984, e entre tentativas da marinha atual de descobrir quem eles são, estranhas sensações pelas quais estão passando, e a possibilidade do mundo inteiro ser sugado por um buraco negro, precisam dar um jeito de resolver a situação. O filme, embora modesto, tem excelente fotografia, e um roteiro bem-amarrado, que sabe onde quer chegar, além de uma boa química entre Michael “Ruas de Fogo” Paré e Nancy “Robocop” Allen, de forma que você realmente se importa com os personagens deles e suas tribulações. É uma pena que ambos não tenham feito tantos filmes depois. Como ficção científica, é mirabolante, mas aí depende do quanto você consegue suspender sua descrença. Eu descreveria mais como uma fantasia científica. As cenas de ação, em sua maioria perseguições, são bem orquestradas e empolgantes. No geral, é uma pequena gema do cinema fantástico dos anos 80 que fiquei satisfeito em descobrir. Acaba que fiz a jornada reversa do personagem de Michael Paré, visto que fui até o passado para viver essa aventura, mas valeu a pena.