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Blade Runner 2049

06/10/2017

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Blade Runner 2049 – por Lucas Veloso canecacanecacaneca

Cara, expectativa era mato pra esse lançamento… fiquei realmente nervoso ao ir pro cinema. Não porque esperava muita coisa, mas pelo medo deles avacalharem com esse que é considerado um dos marcos da ficção científica. Pois bem… como se sai o promissor diretor Denis Villeneuve? Se sai bem. Mas mais sobre isso depois. A trama do filme retoma a história 30 anos depois da fuga de Deckard (Harrison Ford). O policial K (Ryan Gosling) precisa encontrá-lo para resolver um mistério que pode mudar a humanidade. Sem mais. Falar mais é estragar o filme. Existem surpresas aqui que você deve descobrir por conta própria. Em termos gerais, posso dizer que o filme é extremamente respeitoso com a mitologia criada em “Blade Runner”, e é um bom filme de ficção/investigação policial por si só. Os visuais são geniais, diferentes do filme original, mas ainda assim, surpreendentes. Destaque para os vários cenários reais construídos para o filme, ao invés de só encher a tela de CG. Minha única reclamação sobre os visuais é que quis ver mais da LA de 2049, e ver como ela mudou desde 2019, mas foram poucas cenas passadas na metrópole. Entendo, claro, é uma outra história, passada em outros cenários, mas gostaria de ter visto mais. Também é divertido ver a evolução nas armas e veículos, todos parecem extensões naturais de suas encarnações originais. O elenco escolhido é também inspirado, com escolhas distintas e nem sempre esperadas, tanto para humanos quanto replicantes. Mas todos se saem bem, mesmo os que tem pouco tempo de tela. Harrison Ford surge como coadjuvante de Gosling, não deixe o poster e os trailers te enganarem. Mas faz seu papel muito bem. Fiquei até surpreso, ele realmente pareceu investido no personagem, ao invés do “piloto automático” que tem acometido algumas de suas atuações ultimamente. O que é irônico, pois sempre foi colocado que ele não era muito fã de Blade Runner, tendo penado nas mãos de Ridley Scott no original. Veredito final: Um filme correto e bem-intencionado do diretor Villeneuve, tentando justificar sua existência com reverência, pisando em ovos e se sujeitando aos fãs, mas com algumas coisas novas a mostrar. Chega aos pés do original? Claro que não. Mas verdade seja dita, nem Ridley Scott conseguiu esse feito em seus filmes seguintes. É uma confluência de diferentes fatores num determinado tempo que fazem um clássico. E muitas vezes, é um evento único.

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Cine Papos: Se Deckard é um replicante, ele é o PIOR replicante já feito!

28/09/2017

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ATENÇÃO: Contém SPOILERS do filme “Blade Runner” de 1982 e do livro “Do Androids Dream of Electric Sheep”, de Philip K. Dick.

Em 1982 foi lançado Blade Runner. Muita gente detestou, alguns curtiram, quase ninguém entendeu nada. Em 1992, uma versão do diretor foi lançada, buscando tornar a história mais visceral e próxima da visão original de Ridley Scott. Não seria a última versão do filme que veríamos… Mas o fato é que nessa versão, Ridley Scott adicionou uma sequência de sonho que encontra respaldo numa cena ao final do filme: tudo parece indicar um só resultado: Deckard, o caçador de replicantes vivido por Harrison Ford, é, ele mesmo, um replicante, o próprio ser que ele esteve caçando por todo o filme. Teve início um tsunami de discussões, discussões essas que permanecem até hoje. Deckard é ou não é um replicante? Por muito tempo, achei que a pergunta, o mistério, eram mais interessantes do que a resposta em si. Mas pensando um pouco melhor ao rever o filme recentemente, vi que não foi assim. E mesmo que Ridley bata o martelo em sua versão da história, a de que Deckard é, SIM, um replicante, eu respeitosamente peço licença para discordar. E vou explicar porque logo adiante. Mas atenção: se para você o fato de Deckard ser um replicante está sedimentado e é “bíblico”, conforme ditado por Ridley Scott e provado por diversas fontes, já aviso para não perder tempo com esse artigo. Agora, se você tem suas dúvidas e/ou tem a mente aberta para novas teorias, pode seguir adiante…

1 – A Evidência por Trás das Câmeras

Antes que me chamem de demente, e comecem a linkar a entrevista em que Ridley Scott em pessoa confirma que Deckard é um replicante, supostamente invalidando qualquer discussão, vamos analisar um pouco as filmagens: É documentado que Harrison e Ridley discutiram muito durante a produção do filme por diversos motivos, e entre eles estava o fato de Deckard ser ou não replicante. Um debate que, 35 anos depois, ainda parece não ter sido resolvido! Harrison sentia que o filme explorava o arco narrativo de Deckard como um humano dessensibilizado (como um andróide) que reencontra a sua humanidade justamente junto a esses seres artificiais que teoricamente, não deveriam sentir nada. E ainda por cima se envolve romanticamente com uma! Ele sentia que, se o personagem fosse, no fundo, um replicante, isso invalidaria ou pelo menos banalizaria essa busca. Os roteiristas Hampton Fancher e David Peoples fazem eco a esse pensamento em suas entrevistas ao livro “Future Noir” de Paul M. Sammon, leitura obrigatória para fãs da obra. Eles dizem que quiseram contrapor a ideia de que, embora Deckard não fosse artificial como os replicantes, ele também teve um criador, e ele também o fez falível e finito. Porém, numa versão antiga do roteiro, Fancher introduz a polêmica, criando uma cena em que, ao voltar para seu apartemento após “remover” todos os replicantes, a mão do detetive começa a tremer e se contrair, como a de Roy Batty tinha feito antes, quando estava prestes a “expirar”. Cansaço? Stress devido à noite difícil? Talvez, mas poderia ser algo mais. E dessa forma bem mais sutil, ficaria a dúvida no ar. A partir dessas nuances, Ridley Scott, um diretor NADA sutil (ao mesmo tempo sua maior qualidade e maior defeito), achou a ideia genial, intelectualmente provocativa, e a colocou no filme como fato. E daí vieram os “olhos vermelhos de replicante”, o origami do unicórnio, e a coisa toda. Mas são adições que não se misturam suavemente ao resto do filme, como veremos a seguir…

2 – A Evidência em frente às Câmeras

Mas a essa altura você pode dizer, “OK, mas o que acontece nos bastidores não influencia a história final, o que fica valendo é o que é dito NO FILME.” OK, tudo bem… então, vamos a ele: Uma coisa que me fez tomar partido nessa discussão, e não ficar mais satisfeito com a vaga ideia de que “É mais interessante especular”, é que ao meu ver, se Deckard é um replicante, sinto que o filme fica menos interessante, menos certeiro em sua pegada e até mesmo estúpido, em alguns momentos, por isso! Veja só, um filme tão cerebral ficar estúpido? É grave! Quais os problemas em Deckard ser um replicante? Pois bem:

A) Em primeiro lugar, se ele for um replicante, é o PIOR modelo já feito na história! No filme, os replicantes são supostamente mais fortes e até mais inteligentes que os humanos. E o que ele faz na história inteira? Só apanha! Os replicantes enchem ele de porrada a cada confronto! Ele precisa da ajuda de Rachel para apagar um, o que salva-lhe a vida, apaga outras duas de forma covarde, à traição, e o último acaba por expirar naturalmente, mas apenas após… adivinhou, enchê-lo de mais porrada e acabar decidindo poupar-lhe a vida. Sério? Para uma missão tão importante, enviariam um modelo tão limitado? Tão fraco quanto um… humano?

B) Em segundo lugar, Bryant e Gaff parecem indivíduos sérios, policiais durões. E no caso de Bryant, expressamente preconceituoso em relação a essas criaturas. Não consigo imaginá-los fazendo o joguinho de Tyrell, pajeando um replicante com memórias falsas implantadas (Bryant parece ver Deckard como um igual, inclusive convidando-o para uma bebida, enquanto na mesma cena despreza os replicantes. Que joguinho é esse?). Porém, admito que não é uma razão muito forte. Pode-se argumentar que eles são só policiais seguindo ordens, e isso inclui pajear o tal replicante. Pode ser que todos eles sejam replicantes, conforme um capítulo do livro de Phillip K. Dick indica, quando Deckard é levado para uma delegacia formada apenas por policiais replicantes. Essa parte, no livro, é justamente a parte em que Deckard se questiona se ele mesmo não é um.

C) Ainda nesse tópico, se Deckard for um replicante programado pela Tyrell Corp. e/ou a polícia para encontrar os demais, por que não fornecer imediatamente os dados necessários para ele ir caçá-los diretamente? Por que ir buscá-lo na rua, levá-lo até Bryant, depois ir testar Rachel, ir ao apartamento de Leon, etc…? Pode-se argumentar que isso provinha da vaidade de Tyrell, querendo testar seu mais novo modelo, Deckard, querendo ver como ele ia agir, e que essa ação seria justamente sua derrocada, mas dessa forma, colocamos Tyrell como um personagem muito menos inteligente do que ele parece ser na história, ao arriscar colocar vaidade acima de segurança e/ou opinião pública. Lembre-se de que há uma certa pressão para que a fuga dos replicantes seja resolvida depressa a fim de que não vá acabar na mídia. O chefe de polícia Bryant diz (parafraseio): “Ninguém vai saber que eles estão aqui, pois você vai encontrá-los e apagá-los antes disso”.

D) Quando Deckard encontra o origami de unicórnio ao final, a dita “prova definitiva” de que ele mesmo é um replicante, e Gaff sabe disso, qual a reação do caçador de androides? Ele simplesmente assente com a cabeça, lembrando das palavras de Gaff, “É uma pena que ela não viverá. Mas afinal, quem vive?” e logo em seguida, entra no elevador sem hesitação. Não me parece de forma alguma a reação de um homem adulto que acaba de descobrir que toda sua vida foi uma mentira e que ele não é o que pensava ser. Lembrem-se de Rachel, e o tanto que ela sofreu após descobrir sua real natureza de replicante!

E) Na versão de cinema, que hoje em dia é desconsiderada, Deckard afirma, em sua pavorosa “narração em OFF”, que tinha uma ex-esposa, inclusive existe uma foto dele com ela, que não é mostrada no filme. Mas novamente, não é razão suficiente, pois 1 – Não está na versão considerada definitiva do filme, e 2 – Pode facilmente se tratar do combo implante de memória + foto falsa, à la Rachel. Porém mostra que essa ideia foi pelo menos considerada, e uma atriz contratada para posar para a foto.

F) Os arcos de Roy Batty e o de Deckard são exatos opostos: Roy é um ser artificial, e supostamente sem emoções, que encontra a própria humanidade. Já Deckard é um ser humano que precisa lutar para não se tornar um ser frio e sem emoções, devido a seu trabalho alienante. Se Deckard é replicante, essa simetria se perde, e sinceramente, o que isso acrescentaria ao crescimento do personagem? Como isso torna sua jornada mais rica? Simplesmente não consigo ver.

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3 – OK, mas então…

A essa altura, imagino que esteja pensando: “OK, senhor esperto, mas então, como você explica as evidências a favor de Deckard ser replicante?”

Na verdade, é uma batalha possivelmente inútil, uma vez que no fim das contas Deckard é replicante simplesmente porque Ridley Scott QUER que ele seja replicante, uma decisão tomada tardiamente na filmagem, que como já explicitado, deixou os roteiristas e Ford desgostosos. Uma vez decidido isso, ele correu e tentou colocar as tais “pistas” que não estavam lá anteriormente. Repare que isso foi tão tardio no processo que o próprio sonho do unicórnio que surge como a prova definitiva só foi colocado quando o filme foi revisitado em 1992. Na versão original ele não existia, e nesse caso, a única boa evidência de que ele possa ser replicante são os olhos vermelhos/laranja. Sem o sonho que remete ao unicórnio, o origami ao final precisa ter uma outra explicação: 1 – O unicórnio representa Rachel, assim como o ser mítico, ela é a última de sua espécie? 2 – o unicórnio representa fertilidade e boa sorte. Um cartão de visitas de Gaff desejando o melhor ao novo casal? 3 – O unicórnio é uma figura predominante do imaginário feminino, portanto é uma das memórias de Rachel, à qual Gaff, assim como Deckard, teve acesso. Uma espécie de “piada interna” entre eles? Essa teoria, por sinal, é do diretor Frank Darabont, um fã confesso do filme, e que também não compra a teoria Deck-a-Rep.

Ridley Scott se mostrou tanto um excelente diretor quanto um diretor medíocre de ocasião. Sua filmografia é irregular, e quando se mete a dar palpite nos roteiros, então… seu ponto forte sempre foi a criação de visuais sensacionais para seus filmes, então infelizmente o que eu tiro dessa discussão toda é que ele quis deixar o filme mais “cool”, e veio com esse papo do personagem principal ser replicante apenas para chocar, mas sem o consentimento do roteirista ou mesmo do ator que interpretava o personagem, que trabalharam no filme por outro viés, sinto que isso enfraquece o produto final. Como eu disse, Deckard ser um replicante não ajuda a história ou o personagem. Na verdade, até atrapalha, pelos motivos que já citei acima. Sendo assim, a ideia aqui não é tentar convencer ninguém, até porque provavelmente estou na minoria nessa, mas sim, explicitar incoerências no filme que sinto que só surgem decorrentes dessa ideia. O filme até então é perfeito. Espero que, se nada mais, ao menos esse artigo ajude a manter viva uma das discussões mais longevas da sci-fi.

Texto por Lucas Veloso. 

MAIS LINKS SOBRE ESSA TEORIA (Em inglês):

Blade Runner: Deckard is NOT a replicant 

Why Deckard is not a Replicant and Blade Runner works less as a film if he is

Deckard is not a Replicant or “How I learned to stop worrying and love a Replicant.”

Cine Papos: A Queda do “Universo Cinemático”?

17/08/2017

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A expressão surgiu nos últimos anos: “Universo Cinemático”. Trata-se de uma série de filmes, na superfície independentes uns dos outros, mas que ao final, formam um grande quebra-cabeça e/ou franquia onde tudo está conectado. A moda começou com a Marvel, que, começando em 2008 com “Homem-de-Ferro”, foi lançando seus filmes com pontas soltas aqui e ali, interconectados por cenas misteriosas, a fim de gerar expectativa, e em 2012, lançou um “Os Vingadores” que amarrou tudo num mega-filmaço. Era como se tudo tivesse levado a isso! Que catarse! Que maravilha! E com essa fórmula, a Marvel tem ido bem até hoje. Virou muleta, e agora tudo tem que servir de trampolim pra um próximo filme. Mas aí, é outra discussão. O fato é que tem a ver a Marvel querer fazer seus filmes assim, pois afinal, essa interconectividade é o que tem funcionado em seus quadrinhos há mais de 70 anos! A DC, sua rival, que começou tardiamente seu próprio universo cinemático, tem corrido atrás e tentado se inspirar na Marvel, pois afinal, todo mundo quer uma fatia do bolo. E aí é que começa o problema.

Como disse, editoras de HQs que fazem a transição para o cinema se adaptam muito bem a essa fórmula, pois possuem vários personagens e histórias, que já são conectados naturalmente. A questão é que, sempre que alguma coisa dá certo (leia-se: faz dinheiro), todo mundo quer copiar. Natural. Mas aí começamos a ter coisas tipo “Universo cinemático Transformers”, “Universo cinemático Lego”, “Universo Cinemático Caça-Fantasmas”, “Universo Cinemático Star Wars”, e por aí vai. Uau! Todos esses filmes exigem diversos filmes diferentes que se conectam por um tema em comum? Eles não podem ser só… filmes? Não! E assim segue a febre. Mas nos últimos tempos, os estúdios estão tomando umas lambadas pra ficarem espertos.

O problema é: ao planejar um universo cinemático, os estúdios vão lá longe. Nada mais óbvio, afinal, algo tão intrincado e conectado tem que ser planejado com antecedência. E daí fecham contratos, pagam atores, diretores, roteiristas para desenvolver a parada, colocam a coisa em movimento, bolam uns 9 filmes, e aí… o primeiro da série vai mal nas bilheterias. Mas mal mesmo. Nível “Vou Ter que Pegar meu Universo Cinemático e enfiar… num baú”. E aí? Tentamos continuar? E todo o trabalho que foi feito?Recentemente, vimos isso com o remake de “A Múmia”, estrelado por Tom Cruise. A ideia era dar o pontapé inicial num novo universo, o chamado “Dark Universe”, que juntaria todos os monstros que a Universal tem sob contrato, com toda aquela gente bacana da foto acima. Em teoria, parece formidável, mesmo que forçado! Mas… o povo não curtiu o filme. E agora? O que vai acontecer com esse universo permanece no ar até o momento em que esse artigo é escrito, mas é de deixar o cabelo em pé. Outro caso foi a franquia “Espetacular Homem-Aranha”: licenciado pela Marvel para a Sony, o aracnídeo ganhou um reboot, e depois esse reboot ganhou uma continuação. E daí surgiram vários planos não apenas para uma terceira parte, mas filmes derivados, usando inclusive personagens menores da “família” Homem-Aranha. Mas aí, bum! Amazing 2 não fez o tanto que o estúdio esperava e… cancela tudo! Agora, o Aranha está de volta à Marvel e a Sony está matutando pra ver como continua seu universo aracnídeo.

O que houve de errado? Bom, ao meu ver, parece ser apenas um caso do público não estar tão interessado nos filmes que os estúdios acham que ele está interessado. O que torna um filme um sucesso, e o transforma em franquia permanece um mistério! Quem imaginaria que Star Wars, aquele filme meio low-budget de ficção de 1977, cujo trailer foi ridicularizado no cinema viraria a maior franquia de todos os tempos? Quem imaginaria que Velozes e Furiosos, franquia de filme de ação legalzinho, se tornaria uma potência que gera um bilhão a cada filme que solta? Quem imaginaria que Transformers, que a cada filme fica mais longo e com menos qualidade, faria tanta grana? E Avatar? Mesmo nas melhores estimativas da Fox, NUNCA eles poderiam prever que o filme faria 2 bilhões de dólares na bilheteria mundial! De novo, não se prevê essas coisas… Puxa! Como os estúdios gostariam de prever essas coisas… e talvez a questão seja essa: não se cria franquia. Não se força empatia. Não se fabricam clássicos. Simplesmente acontece. Pode-se chamar de magia do cinema se quiser, mas o fato é que é assim. Claro que isso não impedirá os estúdios de continuar tentando, afinal, existe dinheiro demais em jogo para parar agora. Mas com essa “forçação de barra”, a tendência é termos um ciclo infinito de reboots, remakes e continuações de coisas que não deram certo. Tal qual uma carne moída que é reaproveitada e passada no moedor de novo, e de novo, e de novo, sem fim… Não me parece um futuro muito empolgante.

Texto por Lucas Veloso.

Dunkirk

17/08/2017

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Dunkirk – por Lucas Veloso canecacanecacaneca

O novo filme de Christopher Nolan me pegou de surpresa: um filme sobre II Guerra? E de uma batalha nem tão conhecida? Mas bobagem, todos os filmes dele, a não ser as continuações de Batman Begins, foram totalmente distintos tematicamente uns dos outros, então não deveria causar estranheza. Pois bem: Dunkirk traz algumas marcas registradas do diretor: não-linearidade, tons azulados, atores que retornam de outros de seus filmes, violino tenso de Hans Zimmer (juro que fiquei esperando o Coringa aparecer), entre outros. O que ele inova é na escala épica. Não que seus filmes não sejam épicos, putz, pelo contrário! A cada filme se tornam cada vez mais grandiosos, mas aqui é diferente, é um épico à la Ponte do Rio Kwai, Lawrence da Arábia, com muitos figurantes, tomadas que varrem todo o cenário natural, valorizando bem o que se tem. E os efeitos práticos e realistas… ah! Eu adoro esse cara! E outra: nunca estive numa guerra, mas imagino que seja algo como o que eu experimentei indo ver o filme em IMAX. Uma loucura! Tiro de metralhadora com o impacto de um canhão! Então, onde o filme peca, para mim? O roteiro… o roteiro é fraquinho de tudo… se propõe a mostrar a tal batalha de Dunkirk, que nem foi lá tão interessante… mas dá um passo pra trás e se rende à maravilha visual que Nolan nos proporciona. Não chega a ser imperdoável, como o roteiro macarrônico de Batman 3, mas já tivemos espetáculos visuais COM bons roteiros, vindo dele… bom, dá pra passar. É um filme sólido. E belíssimo.

Baby Driver

01/08/2017

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Baby Driver (ou “Em Ritmo de Fuga”) – por Lucas Veloso

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Para explicar esse filme, te peço para imaginar um “Onze Homens e Um Segredo” ou “Uma Saída de Mestre” com toques de “Drive” e com trilha sonora escolhida por Tarantino. Ah! E dirigido pelo cara que fez “Scott Pilgrim (que realmente é o caso aqui)”. O novo filme de Edgar Wright é tudo isso, e mais: em seu conto de crime, o jovem de nome Baby é um preciso e experiente piloto de fuga, que para funcionar completamente, precisa estar sempre escutando sua música. As razões eu deixo para o filme explicar, é melhor. O fato é que ele sempre consegue fazer o trabalho, e o mafioso que o emprega adora seu serviço. O problema ocorre quando ele resolve “sair dessa vida”, conhece uma bela garçonete e faz planos de sumir com ela. Alie isso a mais um “último trabalhinho (sempre o último)” que dá errado, e tem início a correria e tiroteio. Olha, eu vou ser bem sincero: é um filme super normal. Não se destaca. As cenas de ação e perseguição são bem orquestradas, mas nada inovador. O lance da música, e a forma que ela é usada na história, que na minha opinião, era para ser o destaque, também não me chamou a atenção. Existem umas boas sacadas, mas é só isso. O que eu realmente gostei foi dos personagens: com um elenco que tem Kevin Spacey, Jon Bernthal, Jon Hamm, Jamie Foxx e o carinha da Culpa é do Câncer Ansel Elgort, o destaque fica por conta dos coadjuvantes: a garçonete de Lily James é extremamente simpática, o pai adotivo de Baby também é um achado… personagens com os quais você se importa: algo em extinção nos filmes atuais. E aqui tem, e realmente torci por eles. Então, pra mim esse é o trunfo do filme. Isso e as mix tapes feitas por Baby. Uma ideia realmente genial. OK, é um filme mediano com algumas boas ideias aqui e ali, admito. Ah! e tem a melhor piada já feita envolvendo Michael (ou seria Mike?) Myers. Só ela já valeu o ingresso, do tanto que eu ri.

GLOW

29/07/2017

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GLOW – por Lucas Veloso canecacanecacanecacaneca

OK, antes de fazer a crítica propriamente dita, gostaria de relatar como foi minha história com essa série. Espero contar com vossa paciência, pois foi uma experiência singular. A primeira coisa que ouvi dessa série é que seria um novo show chamado GLOW, sigla de Glorious Ladies of Wrestling. Whoa! Luta Livre com mulheres? Legal. Daí, li que era baseado num programa real dos anos 80(!), e que as lutadoras cantavam um rap antes de subir ao ringue(!!!). Putz! Por fim, li que era uma produção do Netflix e que entraria logo na grade. Bom, quando entrou, desnecessário dizer que parti logo pra uma maratona. E a série tinha sim, um pouco de tudo aquilo que tinha me atraído e que descrevi aí em cima, mas tinha mais! Tinha coisas que eu não esperava: um elenco feminino genial, de todas as raças e tipos, não necessariamente preocupado em se adequar a estereótipos ou padrões de beleza vigentes. Um personagem completamente detestável, Sam, o empresário das garotas, um ser sem quaisquer qualidades redentoras. Ficava esperando algum momento em que eles iam contar algo que faria com que nós, espectadores, simpatizassem com ele. Nope! Nunca rola. Dá pra ter pena, talvez? Mas simpatizar não… achei corajoso. Por fim, a Luta Livre ficou em último plano, mas não liguei porque o drama dessas personagens era interessante por si só. Claro que eventualmente a luta vem, e é legal. Mas deixa de ser o principal. Digamos que, assim como a entediada plateia do primeiro programa filmado, eu vim pela luta, e fiquei pelas garotas, e suas histórias. E agora aguardo uma 2a temporada, que espero que não demore…

A Múmia

29/07/2017

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A Múmia – por Lucas Veloso canecacanecacaneca

Era questão de tempo até revitalizarem essa franquia, mas admito que a escalação de Tom Cruise foi uma surpresa. Sempre vi os filmes da Múmia como um lado B dos blockbusters de verão (se é que isso faz algum sentido). Mas com o aval de Tom, há o potencial de ser algo mais. E é! Um filme que tinha tudo pra ser MAIS UM remake genérico, mas consegue oferecer cenas de ação que fogem do comum, em cenários fora do padrão, e com cenas e premissas que podem te surpreender (com certeza surpreenderam a mim). Ainda por cima, uma bela fotografia e boa trilha sonora. Não vou mentir, me diverti demais com esse filme. Com uma temática um pouco mais séria (apesar de ter seus momentos cômicos), o filme não lembra muito as aventuras de Brendan Fraser e Rachel Weisz, mas fazem jus às mesmas, com o mesmo nível de ação. A Múmia de Sofia Boutella é interessante, ela consegue trazer um certo sex-appeal para uma personagem que essencialmente é um zumbi enfaixado, isso deve contar pra alguma coisa! Quanto às sementes para o dito “Dark Universe” que a Universal quer formar (e que agora ninguém sabe se vai rolar, porque esse filme não fez grana!), curti demais, e topo, se ainda for rolar. O Dr. Jekyll de Russell Crowe ficou excelente, e trouxe um nível a mais para o filme. A única coisa que não curti foram as visões cômicas do amigo morto, à la “Um Lobisomem Americano em Londres”. Não funcionou para mim. O relacionamento de Tom com a mocinha também foi meio sem-sal, o que é uma falha, considerando que o 3o ato depende totalmente dele.  Mas seja como for, me diverti demais, gostaria de ver mais dessa franquia, sinceramente espero que façam mais, se for nessa vibe. É uma franquia que eu apoiaria sem problemas.