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Guardians

19/04/2017

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Guardians – por Lucas Veloso canecacaneca

Não, calma, galera… ainda não são os “da galáxia”. Esse “Guardians” é um filme russo que gerou frisson com seu trailer na comunidade nerd ano passado, e agora tive acesso ao filme completo. Bom, como se sai o primeiro filme de super-heróis russo? Em resumo? Mal. Mas vamos lá… o filme não tenta esconder a vontade de ser “Os Vingadores” versão Rússia, e não apenas a história de montagem de um grupo, mas também cenas específicas fazem referência ao filme americano. Aliás, o filme todo é uma colcha de retalhos de filmes anteriores, desde a fotografia, passando pelo design e até mesmo a trilha sonora tenta emular os “best hits” dos filmes de ação e super-heróis. E não teria nada de errado nisso, vimos colchas de retalhos darem certo no passado com muita habilidade. O problema aqui é que o roteiro é MUITO ruim. Ininteligível, na verdade… e antes que você pergunte, sim, a versão que eu assisti TINHA legendas. Ainda não sei direito quem eram os personagens, o que queriam, por que lutavam… então me concentrei nas cenas de ação. E é aí que o filme deslancha: excelentes cenas de ação! E com efeitos especiais de primeira (na maior parte do tempo), que não fariam feio numa produção hollywoodiana. É de dar orgulho mesmo, são super bem-cuidados, e de encher os olhos. Destaque para Arsus, o cara que vira Urso, melhor parte do filme fácil. Ainda não tinha acabado o filme e fiquei imaginando que barato seria uma action figure dele com a metralhadora em cima da minha mesa. Animal, com o perdão do trocadilho. Também curti a loirinha que fica invisível e é boa nas lutas. Bonita e faz suas próprias cenas de ação, não tá fácil assim de achar no mercado, não! Os outros personagens, sinto dizer, não são memoráveis, e apesar de ter amado os efeitos especiais, me sinto obrigado a dar essa nota baixa. Um bom esforço, com boa qualidade e fora do eixo Hollywood, mas a galera tem que entender que os filmes de super-heróis nos quais se inspiraram fizeram sucesso não apenas com visuais, mas com uma história envolvente e bons personagens. É o pacote todo. Quem sabe na próxima? Até lá, vamos curtindo o ursão da metranca!

 

Godzilla Resurgence

12/04/2017

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Godzilla Resurgence (ou “Shin Godzilla”) – por Lucas Veloso

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Quem acompanha o blog sabe da minha paixão pelo monstrão mais famoso do japão, mesmo se às vezes acabo não curtindo muito os filmes em que ele aparece. Depois do execrável remake americano de 2014, que fez o remake americano de 98 parecer uma obra-prima, agora temos o remake japonês de 2016. Confuso? Tudo bem, eles sabem… e por isso, fazem o filme em si parecer bem simples pra nós. Esse “Shin” Godzilla reconta a história como se nunca tivesse havido uma invasão do monstrão no Japão (o que a essa altura, é um cenário impossível de se conceber, mas…) e mostra a mobilização do governo japonês frente à ameaça gigante… e põe gigante nisso! O monstro dessa versão chega a mais de 100 metros de altura(!), a maior altura que Godzilla já teve. A história é exatamente a mesma de TODOS os filmes solo do Gojirão, então nem tem o que comentar nesse aspecto. Claro, eles o adaptam aos tempos atuais, com filmagens amadoras caindo na net, drones e intriga política internacional, mas é a exata mesma coisa: quando não estamos vendo o monstrão, estamos em salas com diversos japoneses engravatados. Devo admitir que em todos os filmes, essa é a parte mais chata pra mim, e fico ansioso pra voltarmos logo pro campo de batalha e ver a destruição. Mas sinceramente, simpatizei mais com os engravatados dessa vez. No final, já tava quase votando no primeiro ministro substituto pra presidente do Brasil, o cara é fera! Sobre o design, eles acertam em algumas coisas: o Godzilla mais ameaçador já feito. Ele é imponente, ele é assustador, ele é feio pra cacete, ele é nojento, ele é majestoso em sua destruição (fãs do bafo atômico não terão do que reclamar). E erraram também: tem horas que mesmo com o bom design, o monstro parece um joão-bobo de borracha, andando duramente como se estivesse paralisado… e aqueles bracinhos de T-Rex pra um bicho com mais de 100 metros não deram certo, foi mal, galera. Os efeitos são bons, mas não sei… não parecem adequados a uma grande produção, sinto que faltou uma finesse ali, não sei explicar. No fim, é mais divertido que as bobagens em que andam colocando o “Grande G” atualmente, é mais empolgante que a maioria dos outros filmes, mas ainda tem um didatismo, uma burocracia e uma seriedade que acabam dando um tom cômico não-intencional ao filme. Ou talvez seja intencional? Não sei… mas diverte, sim. Recomendo.

A Vigilante do Amanhã

31/03/2017

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A Vigilante do Amanhã (ou “Ghost in The Shell”) – por Lucas Veloso canecacanecacaneca

Baseado nos mangás e animes homônimos, “Ghost in The Shell” finalmente chega aos cinemas estrelado por Scarlett Johansson. Já tendo sido adaptado tantas vezes, como é que se sai a Major dessa vez? Vamos lá: em termos de adaptação temática, o filme é muito bom, os temas principais (alienação, melhorias robóticas, perda de humanidade, hackers) estão todos lá. A personagem da Major, por sua vez, passa por uma gigantesca mudança de comportamento (discutida mais a seguir), mas considerando que a versão do mangá já era bem distinta da do anime, não chega a ser um grande pecado. É como se a Major se adaptasse de acordo com a mídia na qual está, e no que a história precise dela ser naquele momento. Acho isso interessante. Os visuais estão simplesmente deslumbrantes, com efeitos de primeira, e creio que é o principal trunfo do filme. Mesmo quem já viu Blade Runner e seus clones menos famosos diversas vezes ainda fica com o queixo no chão com a cidade de neon desse filme, com os efeitos dos robôs e a “roupa” que distorce a luz e torna a Major invisível. Existem, claro, diversas referências para os fãs do anime e DE anime em geral. Scarlett se sai bem, numa interpretação contida e um pouco esquisita, que pode ser erroneamente confundida com canastrice, mas ela apenas tenta retratar a bizarrice e alienação de uma personagem que parece não experimentar emoções. Quanto à polêmica sobre “whitewashing”, ou seja, escalar uma ocidental para um papel oriental, o filme oferece sua explicação, de forma conveniente, sim, mas de jeito que faça sentido para a trama. Não me incomodou muito, ainda mais que o elenco ficou bem diverso etnicamente, como se quisessem compensar qualquer incômodo. Mas a mudança traz efeitos colaterais estranhos, como por exemplo, o personagem de Takeshi Kitano sendo o único falando japonês porém interagindo livremente e respondendo outros que falam inglês. Coisa pequena, mas fica esquisito. A trilha de Clint Mansell (Réquiem para um Sonho) e Lorne Balfe (Exterminador Gênesis) é boazinha,  mas nunca se destaca muito (o coral de vozinhas japonesas só rola nos créditos finais). Olha só, o filme é correto e nada mais. Mas o visual… digamos que será um bom filme para mostrar aos amigos o poder do seu home cinema, caso surja a oportunidade. Não acho vergonha pro filme dizer que ele é mais bem-sucedido como uma experiência sensorial do que como narrativa. Nem todo filme precisa ser “Cidadão Kane”.

Power Rangers

26/03/2017

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Fiéis leitores, peço licença, por favor, para fazer essa crítica de uma forma diferente do comum. Afinal, o que tive no cinema foi uma experiência esquizofrênica como há muito não tinha num filme! A Lionsgate anunciou uns 2 anos atrás que produziria um novo filme dos Power Rangers. Quando avisaram que seria algo mais “pé-no-chão”, que desenvolveria melhor os personagens, fiquei empolgado, pois sempre vi possibilidades na história de cinco jovens de personalidades tão diferentes que precisam trabalhar juntos, algo sempre ignorado pela série de TV, que só estava interessada em vender brinquedos (não os julgo, mas sempre vi como potencial desperdiçado). Pois então: nesse filme, eles nos dão esses jovens, cada um excluído de seu próprio círculo social, e forçados/atraídos a se unir, no início apenas para pertencer a um grupo, e depois, quando descobrem as moedas do poder, a fim de se tornarem protetores da Terra. Eu simplesmente ADOREI a parte com os cinco jovens, a forma com que interagem uns com os outros, gostei demais dos atores, jovens realmente muito talentosos, o que nem sempre foi o caso nessa franquia. Pensa num remake bem-feito de “O Clube dos Cinco”. É o que temos aqui. Mas aí vem o grande problema do filme: ele NÃO é um remake de “O Clube dos Cinco”, e sim um remake de Power Rangers, então em algum momento eles vão precisar se transformar em heróis coloridos e lutar com coreografia de seriado japonês com monstros. Só que quando isso acontece, não apenas parece desconectado com a seriedade de filme indie que veio antes, mas também oferece uma cena de luta ruim e desleixada. Não, você leu direito: o filme tem UMA cena de luta, a que você viu no trailer. Acho que eles não ficam mais do que 5 minutos durante o filme vestidos de Power Rangers. Não sei vocês, mas isso pra mim é um problema bem grave num filme dos POWER RANGERS. Com esse problema tão sério, nem devia comentar outros menores (mas vou), como a necessidade de mostrar os rostos dos atores quando estão no comando dos zords, aquele velho clichê de filme de super-herói de que, se não mostrar o rosto, você não vai comprar a ideia da ação. E o que dizer do uso RIDÍCULO do tema da série? Olha, não sei o que você que está lendo pensa dos Power Rangers, mas uma coisa mais ou menos unânime é que a música-tema é contagiante! Empolgante! Desde o riff nervoso da introdução até os floreios lá no meio, passando pelo refrão “Go, Go, Power Rangers!” É uma das músicas-tema mais marcantes da cultura Pop. E ela toca por uns 30 segundos ali na cena dos zords, sem “build-up”, apenas jogada lá, meio que só pra constar. Criminoso! Por fim, o design dos robôs e monstros… cara, deixa isso pros japoneses. Realmente, os americanos não são bons nisso. Em resumo, um filme bipolar em sua radical mudança de estilo tão tarde na história. Não estou dizendo que você não vá se divertir, mesmo com as cenas de ação sendo como são, mas definitivamente deixa você coçando a cabeça… pelos motivos errados. Por fim, segue minha crítica… para um filme tão divisivo, uma crítica dividida:

Power Rangers – Como Filme Indie Sobre Jovens Esquisitos canecacanecacaneca

Power Rangers – Como Remake da Série dos Anos 90caneca

Os Suspeitos

24/03/2017

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Os Suspeitos – por Lucas Veloso canecacanecacanecacaneca

Hoje em dia, Bryan Singer é o “cara dos X-Men”, mas houve uma época, no meio da década de 90, em que ele se lançou com esse suspense de módica apresentação e imensas ambições, com um elenco variado e um roteiro muito bem escrito. “Os Suspeitos” deu a Kevin Spacey seu primeiro Oscar (não seria o último), e alavancou sua carreira, assim como a do roteirista Christopher McQuarrie, que até hoje é tido como um bom escritor. E Singer? Bom, não precisa nem falar, né… mas qual a história? O relato de um sangrento tiroteio envolvendo dinheiro de drogas dá início a um conto de vingança e mistério, enquanto um detetive tenta desvendar a identidade do chefão Kaiser Soze. Dizer mais seria fazer um desserviço ao filme, uma das tramas policiais mais bem-amarradas que já tive o prazer de ver. Claro que ajuda o fato de Spacey estar acompanhado por grandes nomes, como Benicio Del Toro, Chazz Palminteri, Kevin Pollak, Gabriel Byrne, meu ator-de-nome-complicado-favorito Pete Postlethwaite (e OK, até Stephen Baldwin está bem no filme). A conclusão do filme, junto a Seven (também com Spacey), é um dos melhores finais do cinema, de deixar o queixo no chão e de dar vontade de aplaudir. Se não viu, precisa conferir urgentemente. Aula de cinema praticamente “de graça”.

Kong: A Ilha da Caveira

22/03/2017

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Kong: A Ilha da Caveira – por Lucas Veloso canecacaneca

Antes de começar essa crítica, preciso confessar que posso não estar sendo totalmente justo com esse filme, já que fui vê-lo com muito, mas muito sono. Pra se ter uma ideia, cochilei até durante cenas de ação, algo que é muito inusitado para mim, principalmente se estiver no cinema, com aquele mega-sonzão absurdo. Dito isso, acho que o filme tem sua parcela de culpa também, afinal, se ele fosse bom, acredito que teria conseguido me manter acordado. Mas enfim… tem seus méritos: o design de Kong, fantástico! Ele é colocado como a criatura mítica do filme original, com postura mais humanóide, e não “apenas” um gorila gigante, como no filme de Peter Jackson. E aqui ele é um monstro, não é uma criatura benigna, digna de simpatia. O diretor até teve boas ideias, seja na trilha sonora cheia de clássicos do rock, ou com os bons personagens coadjuvantes (especialmente John C. Reilly, hilário), ou ainda na bela fotografia, que homenageia diversos filmes, nenhum mais do que Apocalypse Now, de Coppola. Claro que querer ser Apocalypse Now não é a mesma coisa que ser, então, fica pelo meio do caminho. O filme é meio desconjuntado, e senti que teve uma hora que Kong sumiu por pelo menos meia-hora, mas de novo, isso pode se dever aos meus cochilos durante o filme, então não posso bater o martelo aqui. Há ainda a pérfida necessidade de se estabelecer um “universo compartilhado” à la Marvel, a fim de criar uma nova mega-franquia, com direito até a cena pós-créditos. Preguiça… Seja como for, o diretor tem seu maior mérito no fato de ter tentado algo inovador… essa não é a história clássica já contada mil vezes, onde o gorila é confrontado em seu habitat, capturado e levado a NY, onde escapa e vai atrás da loira. Nada disso por aqui, e isso é ÓTIMO, uma variação do tema… o problema é que mesmo assim, acabou saindo um filme chato de Kong, o que por si só é uma proeza, mas não muito lisonjeira.

A Bela e a Fera

22/03/2017

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A Bela e a Fera – por Lucas Veloso canecacanecacaneca

Cara! Achei genial essa “nova” tendência da Disney de fazer filmes live-actions baseados nos seus desenhos clássicos! Pode parecer bobagem, mas acho que dá muito mais espaço para a história se desenrolar, e a fidelidade ao original agrada aos fãs de longa data. Nesse “A Bela e a Fera”, a fidelidade é impressionante! Tinha assistido ao original no dia anterior antes de ir conferir o novo no cinema, então as cenas e diálogos ainda estavam frescos na minha mente. Não é dizer que é exatamente a mesma coisa, afinal, qual seria o propósito, certo? Mas é bem fiel. O que o filme acrescenta? Bom, estamos em 2017, e se em 1991 o fato de uma mulher saber ler era feminista o suficiente (!), agora não cola mais. Essa Bela de Emma Watson pode ainda viver na provinciana vila, mas já viajou para outros países, sabe mais das invenções do pai do que o próprio, e não quer dar ao valentão Gaston nem um minuto de seu tempo (no desenho, ela ainda conseguia tratá-lo bem). Além disso, há um possível romance gay (velado) ausente do original e novas canções. Dan Stevens, de Downton Abbey é a Fera, e se sai bem debaixo da “maquiagem” digital. Outra coisa que curti demais foi a mobília mágica. Embora eles já fossem legais no desenho, eu não era muito fã do design. Aqui, curti tudo: não apenas os geniais atores convidados a dar vida a eles (Ewan McGregor, Ian McKellen, Emma Thompson etc), mas o design de produção, mais realista. Pra mim, foi um dos momentos fortes do filme. Na verdade, achei uma adaptação bem correta, e se não ganha mais pontos é porque a história em si é apenas OK, na minha opinião. Mas como eu disse, compro essa ideia, e já aguardo, desde já, as versões live-action de A Pequena Sereia e Aladdin!