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Guerra ao Terror

09/02/2010

Guerra ao Terror – por Pedro Sampaio

O filme conta a história de uma equipe de soldados americanos na Guerra do Iraque, cuja especialidade é rastrear e desarmar bombas. Como a Guerra do Iraque é composta de conflitos urbanos, a maior parte da tensão do filme é relacionada com a expectativa do protagonista (William James, um especialista em bombas interpretado por Jeremy Renner) ser bem-sucedido ou não em desarmar as bombas e na possibilidade de um dos muitos civis de que cercam os locais poderem ativar a bomba ou atirarem na equipe.

Tá, dado isso vou ser direto: o filme foi superestimado. Não que seja um filme ruim – é até acima da média – mas o hype que o cerca só pode ser explicado pela relevância para os americanos do retrato que o filme faz da vida, da tensão e efeitos da Guerra nos seus soldados. E o filme faz isso de maneira competente, mas não chega a ser extraordinário ou muito acima de outros filmes que já buscaram fazer o mesmo.

Uma coisa que achei interessante foi utilizarem atores mais famosos como coadjuvantes, o que é sempre legal já que estamos acostumados a ver o ator famoso aparecer e pensar: “Pronto, já sei que esse aí vai ser fundamental daqui pra frente”. Ao não hierarquizar seus atores pela fama ou cachê o filme acaba sendo mais imprevisível e interessante. Aliás, as atuações são todas bem eficientes, sem um elo fraco sequer (mas também sem nada magnífico ao contrário do que insinuam alguns).

A direção é competente, segura e madura. Retrata um Iraque problemático que tenta se reerguer e soldados divididos entre o ideal de ajudar aquela nação e seus próprios colegas soldados e entre a estranheza de sentirem que não têm nada a ver com aquilo. Há um bom uso de câmeras, colocando as câmeras em posições que nos dão a expectativa de que a bomba vai explodir, assim como planos aéreos eficientes para mostrar os locais. Uma cena em particular me chamou atenção, aonde perto do final vemos um dos personagens de volta aos EUA, em um supermercado, com uma abundância de opções e cores e ele apenas pára e olha praquele enorme corredor com dezenas de opções de cereais matinais. A direção é madura justamente porque não recorre a ficar escancarando o pensamento do personagem, através de falas desnecessárias ou flashbacks: sabemos que ali ele viu e sentiu o contraste do ambiente pobre e devastado que estava para o excesso que se encontra.

Por essas e outras pensei muito em dar 4 canecas ao filme. Poxa, é um filme com muitas qualidades e nenhum problema realmente notável. A fotografia também é bem adequada, a edição, etc. Mas vejam, posso soar muito chato com isso mas minha impressão é que é um filme tão correto, tão certinho, que é um filme…CDF. Isso, um filme que não se arrisca, não traz nenhuma grande emoção. Não ficamos perturbados, gelidamente tensos, com adrenalina, medo, emocionados ou qualquer outra coisa. Só assistimos e vemos tudo no lugar, mas é um filme sem muito gozo.

É irônico que ele seja o principalmente concorrente de Avatar ao Oscar, porque ele é seu exato oposto: Avatar é clichê, previsível, por vezes forçado, mas com boa dose de adrenalina e hipérboles; já o Guerra ao Terror foge ao clichê, é imprevisível e sem apelo a recursos óbvios de narrativa, mas também não nos dá nenhuma grande emoção. Onde o Guerra ao Terror é bom, Avatar é ruim; onde o Avatar é bom, Guerra ao Terror é ruim. No final das contas, dois filmes 3 canecas superestimados à sua própria maneira.

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