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Tubarão

01/03/2010

Tubarão – por Lucas Veloso

A obra-prima de Steven Spielberg (ou uma das?), Tubarão chocou o mundo na década de 70, fez toda uma geração pensar duas vezes antes de entrar no mar e ainda inaugurou a fórmula do blockbuster, ou filme-evento que é seguida até hoje. Nada mal para um peixe.

Acho que a maior qualidade desse filme ao assistí-lo é como ele é eficiente, mesmo com todos os problemas técnicos nos bastidores, que já se tornaram notórios (o tubarão mecânico deu “tilt” ao entrar em contato com a água e não funcionou direito até o fim das filmagens). O resultado disso é que, o “filme-de-monstro” teve que mudar a abordagem, adotar o minimalismo, onde você quase não vê o tubarão, e sua mente preenche as lacunas. Abordagem essa utilizada até hoje, mesmo que hoje em dia, os efeitos especiais estejam muito mais avançados.

O roteiro é interessante, e traz personagens carismáticos e inusitados, como o xerife Brady, com medo de água e morando numa ilha (“Só é uma ilha se você a vê do mar”), o biólogo falastrão Hooper e Quint, o arquétipo do “lobo-dos-mares”. A improvável parceria entre esses homens rende cenas interessantes quando eles finalmente saem à caça do bicho, embora pudessem ter sido menos arrastadas. Não pude deixar de imaginar também, como seria o casting desse filme nos dias de hoje: três protagonistas masculinos, dois deles de meia-idade… num filme de verão? Acho que seria pouquíssimo provável… teríamos que ter rapazes com abdomen tanquinho e alguma moçoila de bikini.

Mesmo com as dificuldades técnicas, o tubarão surge como um vilão eficiente e aterrorizante, e 50% do crédito vai para John Williams e sua trilha assombrada, o cartão de visitas do monstro.

Spielberg merece uma menção honrosa aqui, não só por tolerar os diversos problemas na produção e ainda querer fazer filmes depois disso, mas por ousar também. Quando você vê um inocente garotinho sendo engolido brutalmente pelo tubarão, não consegue acreditar que está vendo um filme do Spielberg careta pós-E.T. Tudo bem que ele recuperaria o prestígio com Jurassic Park, O Resgate do Soldado Ryan e outros filmes, mas sua honestidade aqui ainda é algo a ser visto e admirado.

Para encerrar, vejam o documentário que se encontra no DVD à venda atualmente. Vale não só para os fãs, mas para apreciadores do bom cinema em geral.

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