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ESPECIAL Robocop

07/05/2010

Robocop – O Policial do Futuro – por Lucas Veloso

Alex Murphy é um policial honesto. Um dia, é emboscado por uma gangue cruel e morto a sangue frio. Seus restos mortais, reclamados por uma inescrupulosa corporação, são transformados em Robocop, um tira cyborg, meio homem meio máquina, para combater o crime. E assim começava a saga de Robocop, há mais de 20 anos, sob a tutela do insano diretor Paul Verhoeven. Robocop, antes de ser sci-fi é uma sátira. Tudo é intencionalmente exagerado: a violência, o humor, a tecnologia. Quase uma mistura das HQs “Heavy Metal” e “Mad”. Por baixo de todo o drama do policial Murphy, tem uma crítica social direcionada aos yuppies e o consumismo dos anos 80, mas assustadoramente, o filme já alertava para medos muito reais hoje em dia: a agressão ao meio-ambiente, as armas nucleares… tudo é claro, em ritmo de história em quadrinhos. Peter Weller é perfeito como o simpático Murphy, e depois como robô, nos angustia ainda mais com seus olhos tristes. Sob a armadura metálica, seus movimentos são roboticamente realistas. Nancy Allen corta o cabelo e se despe de qualquer vaidade para fazer a policial Lewis, fiel parceira em todos os filmes. O elenco coadjuvante é eficiente, o maior destaque sendo Kurtwood Smith, o assassino de Murphy, e que depois viveria o pai em “That 70s Show”! A marcha militar de Basil Poledouris contagia assim que começa a tocar. A trilha toda é muito vibrante, apesar de consistir praticamente de variações desse mesmo tema. A edição é criativa, entrecortando a trama do filme com propagandas e flashes de notícias, todos com alta carga satírica, e nos ajuda a mergulhar naquele mundo maluco, saído da mente de um diretor holandês psicótico.

Robocop 2 – por Lucas Veloso

Com o sucesso do primeiro, Robocop 2 era uma certeza. Mas não para Verhoeven, que não quis voltar. Assumiu, então, Irvin Kershner, diretor de nada menos que O Império Contra-Ataca. Mas mesmo assim, entre mudanças de roteiro, cenas cortadas e um tom mais cômico, os fãs não curtiram muito. Robocop é desmantelado por uma gangue de traficantes de Nuke (a mais nova droga nas ruas de Detroit), cujo líder Cain tem delírios messiânicos. A OCP, companhia que o construiu, alega que não compensa reconstruí-lo, preferindo levar adiante o projeto “Robocop II”. Mas quando o principal candidato a virar robô é o próprio Cain, é hora de Murphy sair da aposentadoria forçada e dar mais uns tiros. Robocop 2 não traz a novidade do original, então, prefere apostar no que já se sabe que funciona: isto é, a crítica mordaz, via notícias e propagandas, e ação. Mas que ação! Desde os tiroteios entre a polícia e as gangues chegando até o confronto final de Murphy e Robocain, uma hábil mistura de efeitos práticos e stop motion, o filme traz cenas espetaculares. Ainda há uma sub-trama com Robocop sendo reprogramado por uma associação de pais e mestres, o que gera momentos hilários… provavelmente, é o que levou alguns fãs a chiarem, mas são cenas impagáveis. O compositor da trilha muda, então, perde-se um pouco aquele “feeling” militar (ou qualquer feeling, pois a trilha é sonolenta). Não é uma das continuações que superam o original, mas na minha opinião, é um filme muito bom.

Robocop 3 – por Lucas Veloso

Putz… OK, sei que já virei o defensor dos filmes ruins aqui no blog, mas eu realmente gosto desse aqui. Sim, mesmo sem Peter Weller. Sim, mesmo que a censura tenha abaixado para, descaradamente, ser visto por criancinhas. Sim, mesmo com jetpack… eu ainda gosto desse filme. Droga, o que posso dizer? Eu gosto de Murphy, Lewis, Sargento Reed… eu gosto de ver o que a OCP está aprontando de novo. Então, processem-me. A estória é uma colcha de retalhos saída dos restos do roteiro original de Frank Miller: uma nova tropa de choque, os “ReHabs” estão tirando as pessoas de suas casas, para abrir espaço para construção da utópica Delta City. Paralelamente, a OCP está sendo comprada pela multinacional Kanemitsu. E Murphy… bem, Murphy como sempre está no centro dos eventos. Embora esse filme desenvolva mais o personagem de Robocop, e traga uma boa dose de ação (sem carnificina dessa vez, devido à já citada censura baixa), todos aqueles problemas que citei acima contribuíram para 110% da população odiar esse filme. Acho que eu e o diretor somos os únicos que gostamos. Ou talvez só eu… mas a verdade é que esse foi o último lampejo do Robocop “old school”. Depois desse filme (e muito provavelmente por causa dele), as ideias foram só se diluindo, numa série de TV, desenhos, HQs, nenhum com a mesma inspiração dos dois primeiros filmes.

Os Robôs

Claro que, sátiras socio-políticas à parte, uma das grandes atrações da série foram os robôs. Aqui, vamos dar uma geral nos principais de cada filme:

ED 209 – Classificação:

O primeiro nêmesis de Robocop, fiel aos seus donos e burro como uma porta. Se isso era a grande ideia de Dick Jones para a pacificação urbana de Detroit, ou ele é mais burro do que ED, ou um sádico incorrigível, pois ED 209 só sabia fuzilar o que vinha pela frente. E não sabia descer escadas. Mas acabou meio que virando o mascote bastardo da franquia Robocop.

Robocop II vulgo “Robocain” – Classificação:

Maior, mais rápido, mais ágil, com mais armas e ainda o cérebro de um assassino. Fala sério! Quando eu era criança, que bicho-papão que nada. Quem me metia medo era o Cain! A cena em que ele invade o armazém com seus holofotes e sai matando todo mundo, então… nota 10 em brutalidade e design.

Otomo – Classificação:

Imagino a reunião do estúdio quando resolveram inventar esse personagem: “OK, sabe o que mais? Robôs já eram… muito anos 80! Estamos nos anos 90, e ninjas são o novo barato… então… saca só… por que não colocar.. um robô-ninja!? Não é demais? OK, decidido, todo mundo pro boteco.”

Mais Robocop:

Frank Miller faz sua versão de Robocop! Depois de brigar com Hollywood e o mundo, o aclamado autor de 300 e Sin City recebe a chance de fazer sua própria versão (em quadrinhos) de seu roteiro para Robocop 2 e 3!

Bonecos! Existem vários bonecos de Robocop, de diferentes fábricas.. confira a review desse aqui!

Robocop Archive – O último dos fansites ainda funcional e dedicado a tudo relacionado ao policial do futuro. Os caras fazem um trabalho apaixonado, coisa de fã mesmo. Merecem respeito. Confira!

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7 Comentários leave one →
  1. 14/08/2012 6:28 PM

    Bacana, mas… mesma nota pros dois primeiros filmes…?
    Enfim, nada é unânime.

    Eu fiz um especial para os 25 anos do filme em meu blog.
    Os convido a dar uma conferida.

    http://gamobranco.wordpress.com/2012/08/14/robocop-especial-25-anos/

    • 18/08/2012 11:02 PM

      Pois é, cara… gosto muito do Robocop 2… embora o 1o seja um clássico, acho o segundo mais divertido, pois não precisa se ocupar com a origem do personagem, consequentemente tem mais ação. Mas claro, o primeiro é um marco da ficção, sem ele não existiria o 2 nem nada do que veio depois…

      • 18/08/2012 11:13 PM

        A propósito, parabéns pela matéria do seu blog… bem completa, com bastante detalhes!

  2. 23/05/2014 12:04 AM

    Meus parabens pelas resenhas ! Eu também gosto muito da trilogia, acho que cada um dos três teve alguns trunfos muito fortes, o primeiro justamente pela estória bem elaborada e dramática, isso sem mencionar o grau de violência elevado, acho ele irretocável, eu amo a Lewis, o visual dela nesse filme foi o melhor ,isso sem mencionar no ED 209 que sempre foi muito legal. O segundo por trazer o vilão mais “caralhudo” da franquia, puta merda Robocain é foda demais, arrepio na cena em que Robocop chama ele pra porrada fora do anfiteatro , o roteiro também é extremamente inteligente , os efeitos especiais são ótimos, só gostaria que a Lewis aparecesse mais nesse filme, a trilha sonora pecou por não trazer os temas clássicos, mas ao menos colocaram a banda de Hard Rock /Heavy Metal “Babylon A.D.” no filme, pra quem não conhece confiram pq é maravilhosa e tem até mesmo um clipe do filme com a faixa “The Kid Goes Wild”. O terceiro tem ótimos elementos como a trilha sonora clássica “elevada á enésima potência” , os personagens extremamente carismáticos e toda aquela roupagem muito evidente de universo cyberpunk, o que faz muita falta nos dias de hoje, outro ponto positivo foi a inclusão do Robocop adaptado com o equipamento voador, só fiquei chateado pela morte da Lewis e pelo tom menos violento do filme, além de ter uns vilões muito sem graça, mas no fim acho que o filme não chega a manchar a franquia, além do mais Robocop é sempre foda !

    • 25/05/2014 12:33 AM

      Obrigado pelo comentário, Túlio. É sempre bom encontrar fãs de Robocop, ainda mais hoje em dia, em que os filmes desse gênero, salvo exceções, estão cada vez menos ambiciosos e divertidos.

  3. antonino permalink
    24/07/2016 1:28 PM

    Depois do que veio a seguir fiquei ainda mas fã dessa trilogia…que saudade do velho Robocop.

Trackbacks

  1. Caçados « Críticos de Botequim

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