Skip to content

O Espetacular Homem-Aranha

04/07/2012

O Espetacular Homem-Aranha – por Lucas Veloso

Homem-Aranha: picado por uma aranha radioativa, agora se balança por aí em teias que ele mesmo fabrica. Sempre às voltas com vilões bizarros e belas garotas, ao mesmo tempo cuida da tia idosa e tenta pagar as contas. Não há nada de novo nessa história, que é contada há 50 anos nos quadrinhos, desenhos animados, videogames e cinema. E o novo diretor Marc Webb não veio pra mudar nada: simplesmente se limita a apresentar a história a uma nova geração. Podemos ficar argumentando aqui por horas que não é necessário um reboot, que os filmes antigos ainda estão na memória, que isso tudo é uma decisão comercial desalmada… mas o fato é que aconteceu, então vamos que vamos. Como não sou fã da trilogia original, sou suspeito para falar, mas acredito que, mesmo recontando fatos (e às vezes de forma bem semelhante à que já foram contados), o filme consegue se libertar e se torna uma coisa nova: pra começar, existe um senso tangível de realidade, de perigo, que não estava presente antes. Os relacionamentos entre os personagens parecem mais orgânicos, com destaque para Andrew Garfield e Emma Stone, excelentes como Peter e Gwen. Todo o restante do elenco rende bem: que honra ter Martin Sheen como Tio Ben e Sally Field de Tia May. Escolhas pra lá de inspiradas. Rhys Ifans também tem a mistura certa de ameaça e vulnerabilidade para o Dr. Connors. Como um bom fã de ação “prática”, fiquei bem emocionado por FINALMENTE ver o Homem-Aranha de verdade se balançando por Nova York por meio de cabos e dublês. Mas ao mesmo tempo, tenho que admitir que o CGI usado nas cenas de efeitos é de qualidade, e não me incomodou tanto quanto antes. Até o Lagarto, todo digital, uma aposta arriscada, no final ficou bem-feito. Nota 10 também para a caracterização do Aranha, dessa vez, direto das HQs. Nada de herói bobão aqui: faz poses aracnídeas e piadinhas infames, como deve ser. Claro, problemas existem: o Homem-Aranha continua sendo o super-herói mascarado mais desmascarado do cinema. Sério, o cara precisa dar um jeito de colar a máscara na cara, porque tá difícil. Mas infelizmente, essa é uma tendência que vem desde o primeiro filme, e a essa altura, não tenho esperança de que mudem. Outra coisa é que, apesar de momentos mais densos e dark, o filme parece ter herdado um pouco da pieguice dos filmes de Sam Raimi. Vocês vão identificar essas cenas no ato. Não atrapalha o filme, mas é desnecessário. O roteiro tem uma estrutura um pouco desordenada, como se tivesse sido re-escrito às pressas (e de fato foi). Isso torna algumas partes arrastadas, e embola a história, em outros momentos. Diria que é um filme que funciona “apesar de”, e não “por causa do” roteiro. O 3D, principal chamariz para o filme, também é um pouco decepcionante. Se tinha um filme e um herói que pediam por um efeito tridimensional arrebatador, é esse. Mas é correto e nada mais. Enfim, não é um filme “espetacular”, como o título sugere, mas é uma empolgante e bem-vinda reimaginação do escalador de teias, e importante: mais fiel aos quadrinhos.

Anúncios
No comments yet

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: