Skip to content

Looper

30/09/2012

Looper – por Lucas Veloso

Looper é o melhor filme de ficção científica do ano até agora, e ele consegue isso por lidar com vários temas batidos desse gênero, de forma nada batida. Temos: viagem no tempo, veículos voadores, mutações, armas tecnológicas, tudo comandado pelo diretor novato Rian Johnson a serviço da história e dos personagens. Há muito não se via um filme desse tipo que parasse a ação para explorar seus próprios personagens. A trama se inicia em torno dos Loopers, assassinos de aluguel que se encarregam de despachar vítimas enviadas do futuro por sindicatos criminosos, a fim de não deixar rastros. Em um determinado momento, para fechar o “loop” e não deixar rastros quanto a seus empregadores, eles terão que eliminar a si próprios, ou suas versões mais velhas mandadas do futuro, ganhando uma bolada a mais por isso. A coisa aperta para o jovem Joe (Joseph Gordon-Levitt), quando deixa sua versão mais velha (Bruce Willis) escapar. Não vou estragar as reviravoltas do filme, mas já aviso que isso é só o começo, e o filme fala sobre mais temas. Novamente, cabem elogios ao diretor pela forma como arquitetou tudo: com orçamento limitado (US$ 30 milhões), entrega um filme com bons efeitos especiais e ação de primeira, mas tudo graças a inteligentes movimentos de câmera, que mesmo de forma minimalista e intimista, aumentam o escopo do filme: focalizam a ação mais imediata e próxima, ao invés de grandes tomadas ambiciosas. O elenco também rende bem: Gordon-Levitt, com uma boa maquiagem que nos faz acreditar que poderia ser a versão mais jovem de Willis, desponta como um dos mais talentosos atores de sua época. Nos momentos em que ele estava gritando, juro que ouvi a voz do Bruce Willis dos filmes dos anos 80. Uma atuação metódica. O próprio Bruce tem momentos bem distintos pra brilhar aqui, fazendo coisas que não são comuns em sua carreira, mas também aproveitando os momentos “herói de ação”. Emily Blunt me surpreendeu, suprimindo o sotaque britânico e mandando bem como a mamãe fazendeira durona do futuro, à la Sarah Connor. Ao final, tem uma porrada de coisas para se discutir, teorias malucas de fritar o cérebro, privilégio apenas dos bons filmes de sci-fi. Espero que Looper seja um marco não só pro bom cinema em geral, mas que também traga mais exemplares da ficção científica cerebral. Nada de errado com uns lasers e robôs explodindo tudo, mas tem horas que é recompensador para o fã ver um filme mais contemplativo.

Anúncios
No comments yet

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: