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O Mordomo da Casa Branca

02/02/2014

butler

O Mordomo da Casa Branca – por Lucas Veloso canecacanecacaneca

Cecil Gaines teve uma infância traumática, crescendo como um menino negro numa plantação de algodão nos anos 20, num país ainda assombrado pela segregação racial. Para sobreviver, ele aprende a não questionar os brancos, não retrucar, a saber o seu lugar. Isso vem a calhar quando consegue um emprego de copeiro num hotel. E depois, quando é indicado para trabalhar na Casa Branca, onde permanece por mais de 30 anos, conhecendo vários presidentes. Ao seu redor, revoluções e guerras acontecem. Cecil se mantém firme. Luta a luta de forma diferente do seu filho mais velho ativista, ou do mais novo, soldado. Aos poucos, ganha prestígio na residência do homem mais poderoso do mundo, e tenta melhorar a condição dos negros trabalhando lá. Enfrenta o racismo, sim… mesmo na Casa Branca. “O Mordomo…” é baseado na história de vida de Eugene Allen, e torna-se um poderoso filme, mostrando mais uma vez a difícil luta contra o preconceito que assolou (assola?) os E.U.A. Forest Whitaker mais uma vez mostra a que veio, um ator completo, interpretando o mordomo em toda a sua fase adulta, e dominando o filme. Como Martin Luther King diz no filme, o papel do mordomo é de um subversivo diferente. Ele enfrenta os brancos servindo-os, mostrando o melhor que tem a oferecer, cortesia ao invés de ódio. Mas ao mesmo tempo, isso pode se tornar uma máscara, você esconde seu ódio para sobreviver, como o jovem Cecil fez desde criança. O elenco é fenomenal: Oprah põe ordem na casa, como a difícil matriarca da família Gaines, Terrence Howard, Cuba Gooding Jr, Lenny Kravitz, além do divertido passatempo de identificar quem são os atores por baixo das maquiagens e sotaques dos presidentes americanos. Uns se saem bem, outros nem tanto, mas é uma curiosa composição. O filme não traz nada novo, é mais um conto sobre a segregação racial nos E.U.A, mas é bem-feito, e talvez a razão para que existam fábulas morais é justamente para que nos lembremos, ainda que já saibamos, o que elas querem ensinar.

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