Skip to content

O Mensageiro

04/03/2014

postman

O Mensageiro – por Lucas Veloso canecacanecacaneca

Kevin Costner deve gostar mesmo da premissa de um futuro pós-apocalíptico, pois a utilizou em dois de seus filmes: primeiro Waterworld, e então “O Mensageiro”, que também dirigiu. E ironicamente, os dois filmes sofreram com críticas, sendo que o fracasso desse aqui quase encerrou a carreira do astro em Hollywood, devido à baixa bilheteria (Waterworld ao menos faturou). De fato, o filme exala imponência: seja nos majestosos cenários naturais, ou nos grandes sets construídos ao ar livre, ou ainda no número de figurantes, parece haver uma vontade de canalizar os épicos do passado e criar um novo e empolgante exemplar. Tudo muito bom, mas não é só isso que faz um épico de verdade. O povo precisa se pronunciar, e não foi o caso aqui. É uma pena, pois o filme é bom, sim. Só talvez não tanto quanto Costner gostaria. Uma sinopse: no futuro, uma guerra dizimou grande parte da população, os E.U.A foram dissolvidos, e os sobreviventes moram numa grande terra de ninguém, aterrorizados por tiranos armados (viu como que lembra Waterworld, só que sem água? Earthworld? OK, parei). O líder desses tiranos é Will Patton, companheiro de Costner dos tempos de “Sem Saída”, e o primeiro ponto fraco do filme. Patton é um grande ator, mas com sua cara de cachorrinho que caiu do caminhão de mudança, não convence como um sádico vilão. Talvez tenha sido de propósito, pois o personagem é um homem comum que, frente à oportunidade de subir ao poder, aproveita. Mas não põe respeito. Costner é um andarilho que encontra o esqueleto de um carteiro, completo com sua bolsa cheia de cartas para entregar. E daí, sai vagando com as tais cartas, primeiro usando-as para obter acesso às cidadelas, mas depois vê sua ideia dar esperança às pessoas, que começam a se rebelar contra os tiranos. Temos momentos dinâmicos com boas cenas de ação, empolgantes com a ideia de um exército de carteiros combatendo os poderosos, emocionantes com a interação do Mensageiro com os aldeões… mas são todos entrecortados com momentos de melodrama e/ou ufanismo que beiram o pastelão e deixam o ritmo meio inconstante. Algo fatal numa obra de quase 3 horas. Depois do ambíguo personagem de Waterworld, Kevin volta ao seu modo “bom moço” e assim fica por todo o filme. Claro, ele mente pras pessoas, dizendo que os E.U.A estão se reerguendo, mas é tudo pra instigar a esperança (e conseguir um prato de comida, que ninguém é de ferro). No geral, é uma boa e eficiente ficção científica, tecnicamente impecável em fotografia e efeitos especiais, com bons atores, embora pudesse ser um pouco mais ágil e bem-resolvido. Nota 1.000 pelo esforço, mas essa foi por pouco, Kevin.

Anúncios
No comments yet

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: