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ESPECIAL Tim Burton

24/09/2014

Hoje, entramos no mundo bizarro e fantástico de TIM BURTON! Por Lucas Veloso e Fernanda Matoso!

beetlejuice

Os Fantasmas se Divertem (ou “Beetlejuice”) canecacaneca

Esse não é o primeiro filme de Tim Burton, mas foi seu primeiro grande sucesso. E também seu primeiro grande trabalho autoral. O jovem casal Adam e Barbara Maitland morre num acidente, e vê sua casa ser dominada por uma família de yuppies. Sem experiência como fantasmas, eles são forçados a chamar um profissional para assustar os vivos: Beetlejuice (Michael Keaton). O problema é que chamar Beetlejuice não é difícil: se livrar dele depois é que é. Aqui já vemos muitos elementos que estariam presentes em diversos filmes futuros do cineasta: o clima meio gótico, dark, as criaturas bizarras, e um senso de humor pra lá de negro. Mas que de alguma forma ainda consegue ser leve. Ah, sim! E a música de Danny Elfman, que sempre parece mais insano e inspirado em sua parceria com o diretor. O elenco é bom: Alec Baldwin, Geena Davis, Winona Ryder (a primeira de várias musas do diretor), e é claro, Michael Keaton, roubando a cena no papel de Beetlejuice. Aliás, se você assistir a um filme de Keaton e ele não estiver roubando a cena (provavelmente numa interpretação maníaca), não é um bom filme. A questão é que, sim, tá tudo no lugar, tudo certinho, mas esse filme não funciona comigo. Não sei dizer bem o que é, pois tem tudo o que se espera num filme de Burton. Mas ele não me desce muito bem. Talvez a bizarrice tenha ido longe demais, não sei… tecnicamente, não tenho do que reclamar, e é uma grande mostra dos talentos do então jovem cineasta. Mas como entretenimento, não funciona muito, pra mim.

Batman canecacanecacanecacanecacaneca

O Batman de Tim Burton foi sem dúvida um dos maiores fenômenos do cinema e marketing do final da década de 80 e início da de 90. Altos valores estavam envolvidos, e a marca do filme estava por toda a parte, em diversos produtos. Afinal, era o primeiro filme do Homem-Morcego. Antes disso, ele só havia tido cinesséries e séries de TV. E quando o filme saiu, foi uma febre. Um verdadeiro blockbuster. Teve início a Bat-Mania, e a carreira do diretor deslanchou de vez. Mas e o filme, em si? Como se sai? A melhor definição que li sobre esse filme é que é um “conto de fadas sombrio”: Batman seria obviamente o Cavaleiro, que tem que resgatar Vicki Vale (a princesa), do Coringa (o vilão/dragão). Até torre no final para aprisionar a princesa tem. E é nesse clima que o filme se desenvolve: a Gotham City que nos é apresentada é um lindo pesadelo gótico, com seus ferros se retorcendo na forma de prédios estranhos com vários andares de altura. A violência é extrema, e só um vigilante mesmo para dar conta de tudo. Batman, escondido nas sombras, usando Bruce Wayne como um invólucro pra sair de dia, é praticamente um monstro de filmes P&B, bem ao gosto de Tim Burton, louco e torturado, mas ao menos, ainda focado em fazer o bem (ou uma versão distorcida dele), totalmente diferente do Coringa. Que aliás, interpretado por Jack Nicholson, é um deleite de se assistir: gângster que vira palhaço psicopata deformado. É feio rir das atrocidades do Coringa, mas Jack não nos deixa escolha: brilha no papel, ofuscando até mesmo Michael Keaton, o Batman que os fãs desprezaram quando souberam de sua contratação, mas que aprenderam a aceitar. Tudo no filme é impecável, e ajuda a criar a fantasia de um sombrio mundo das HQs, misturado a um possível mundo real. Uma espécie de retro-futuro, com sobretudos e chapéus, e carros antigos, mas com TV e aparelhos modernos. A ideia foi pensar como seria o 1989 imaginado pelas mentes de homens de 1940. A música de Danny Elfman, operática e heróica, é absurdamente empolgante, e virou referência para o gênero, além de catapultá-lo para a fama, como o compositor preferido de Hollywood por um bom tempo. Como nem tudo são flores (ácidas?), o filme visto hoje em dia, envelheceu em alguns aspectos: alguns efeitos especiais surgem datados, e algumas miniaturas são pouco convincentes. E os fãs sempre reclamam das modificações na origem de Batman, que a mim não incomodam, mas são realmente desnecessárias. Acho que no fim, sempre vou ver esse filme com os olhos de um menino de 7 anos de idade, então minha objetividade aqui está seriamente comprometida.

Batman – O Retorno canecacanecacanecacaneca

Com o sucesso avassalador do primeiro filme, Tim Burton tinha carta branca pra fazer o que quisesse. E como aprendemos ao longo dos anos, isso quer dizer que ele faria coisas bem estranhas. É muito interessante ver ele expandir sua visão de Gotham City com cenários como a praça natalina, o Zoológico abandonado e o lar do Pingüim. E não só isso, toma a decisão corajosa e bizarra de transformar o sem-graça vilão dos guarda-chuvas das HQs num homem bestial vivendo nos esgotos. Polêmica junto aos fãs, mas em BurtonLand, acho que funciona. Claro que com a ajuda de Danny deVito, que encarna o papel perfeitamente. Mesma coisa para a sinistra e desequilibrada Mulher-Gato, uma nemesis à altura de Batman, que Michelle Pfeifer interpreta com uma mistura de doçura e perigo. Batman é um vigilante eterno, esperando em seu estúdio escuro o bat-sinal para agir. É como se sua vida girasse em torno daquele momento. A história adquire aqui tons mais “adultos”, com um romance entre Batman e Mulher-Gato, e diversas piadas ou insinuações com conotação sexual que estão além da compreensão dos pequenos, mas que deixaram um gosto ruim na boca de muita gente, incluindo o McDonald´s, que cancelou de última hora seu McLanche Feliz baseado no filme. Danny Elfman também faz uma trilha mais sombria, partindo de temas conhecidos do primeiro filme, e expandindo-os. Outras sacadas interessantes do filme são o Max Schreck interpretado maliciosamente por Christopher Walken, a gangue do circo, o Patomóvel do Pingüim e a invasão dos pinguins no final, que muitos alegam ser desnecessária, mas qualquer cena que tenha pinguins com armas de destruição em massa presas nas costas tem minha atenção. Todas cenas de grande impacto visual, mesmo que a história nem sempre esteja no mesmo patamar. Tim Burton é culpado, sim, de pegar Batman e fazer um filme autoral. Mas é um dos melhores filmes autorais baseados num super-herói de todos os tempos.

Edward Mãos de Tesoura – por Lucas Veloso

Tim Burton já tinha feito algumas coisas até esse filme, mas Edward foi seu primeiro filme totalmente autoral. A premissa já desperta curiosidade: Edward é um rapaz criado por um velho inventor num castelo nas montanhas. Depois da morte do inventor, que o deixou incompleto, ele é descoberto pela vendedora de Avon Peggy, e é levado para a casa dela, nos subúrbios. E aí começa a saga de adaptação desse inusitado personagem no coração dos E.U.A., quando ele usará suas mãos de tesoura para jardinagem e salão de beleza, mas ao mesmo tempo, entrará em contato com o egoísmo e a ignorância das pessoas “normais”. Johnny Depp está magistral no papel, ouso dizer que é sua melhor atuação (e conhecendo a filmografia dele, não é fácil fazer essa afirmação!). Ele expressa perfeitamente a ingenuidade, a insegurança e a vulnerabilidade de Edward, mesmo debaixo de pesada maquiagem e um penteado à La Robert Smith, do The Cure. Winona Ryder, loiríssima, surpreendentemente segura a onda como Kim, filha da família que adota Edward. A química entre os dois é muito boa. O elenco coadjuvante também é excelente, com Alan Arkin, Diane Wiest, e até mesmo o ícone do terror Vincent Price, no papel do inventor. Como se tornou marca de Tim Burton, o desenho de produção, com o castelo, os subúrbios e as esculturas de Edward (tanto em grama quanto em gelo) são excepcionais. Danny Elfman também arrasa, com uma trilha sonora belíssima, com corais tétricos e/ou emotivos. São todos esses aspectos que convergem para tornar esse filme singular, com sua estória de inadequação, romance, drama e comédia. É fantástico que, querendo homenagear os contos-de-fadas, Burton acabou criando o seu próprio. Que, tomara, dure por várias gerações.

EDWARD MÃOS DE TESOURA LEVA A NOSSA “GOLDEN MUG” POR EXCELÊNCIA!

edwood

Ed Wood canecacanecacaneca

Como já citei, com diversos sucessos no currículo, os estúdios deram asas à imaginação do visionário diretor, e carta branca pra ele fazer o que quisesse mesmo. A prova maior seria esse Ed Wood. Uma cinebiografia sobre aquele que é considerado “o pior diretor de todos os tempos”. Certamente, não é um blockbuster. E sendo assim, foi praticamente ignorado. É um filme estranho, mesmo pros padrões de Burton: Ed Wood era um sujeito peculiar: gostava de se travestir, e se cercava de pessoas igualmente peculiares. Junte-se a isso o fato do filme ser em preto & branco e você entende porque o grande público se manteve afastado. Seja como for, a história de Wood, especialmente esse período de sua vida, é intrigante, e merece mesmo um filme. Desesperado tentando terminar sua obra-prima trash, “Plano 9 do Espaço Sideral”, ele se torna amigo de Bela Lugosi, outrora um grande ator, mas agora idoso e mau-humorado. Quando o ator morre de repente, ele se vê mais encrencado ainda. É divertido mas bizarro. Como os próprios Burton e Ed Wood. Esteja preparado.

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O Estranho Mundo de Jack canecacanecacaneca

Não quero dar a ideia errada: pretendemos nesse especial, falar apenas dos filmes que Burton dirigiu, e não os que produziu, escreveu, etc, do contrário, a lista seria muito extensa. Mas abriremos aqui uma exceção. E verdade seja dita… “O Estranho Mundo de Jack” É um filme de Tim Burton. Tenha ele apenas supervisionado ou sussurrado no ouvido do diretor Henry Sellick, a ideia original, na forma de um poema, foi de Burton. E seu inconfundível estilo visual está presente por todo o filme. Filmado em stop-motion, o filme é uma pequena obra-prima que mistura dois feriados, ao contar a saga de Jack Skellington, rei da cidade do Halloween, que, ao dar uma olhada na cidade do Natal, tenta convencer todas as criaturas assustadoras de seu domínio a ajudá-lo a bolar uma festa natalina, pra quebrar a rotina. Pra dizer a verdade, a história não me encanta muito, mas os personagens são carismáticos, e os efeitos são realmente de cair o queixo, animação de excelente qualidade. Destaque também para as canções que mostram Danny Elfman, habitual colaborador do diretor nas trilhas, soltando a voz como Jack. Impagável.

mars

Marte Ataca canecacaneca

Na época desse filme, 1996, Burton já tinha cacife pra dizer o que ele queria fazer em Hollywood. E o que ele queria fazer eram (claro) coisas bem estranhas. “Marte Ataca” é o nome de uma série de cards pintados dos anos 60 que mostravam uma invasão alienígena de forma bem exagerada, com bastante sangue e humor negro. Pois é exatamente isso que temos no filme: invasão de marcianos surtados e caricatos, descendo o laser em todo mundo. E por todo mundo, entenda-se “um elenco absurdamente estelar”. Não, é sério, veja só: Jack Nicholson, Danny DeVito, Glenn Close, Michael J. Fox, Pierce Brosnan, Rod Steiger, Sarah Jessica Parker, Natalie Portman… e por aí vai! Uau! Infelizmente, o filme é completamente anárquico, e não tem muita história. Bem, o que se esperar de algo baseado numa série de cards? Temos interessantes tiradas, mas fica nisso. Saiu no mesmo ano de Independence Day, e não teve um terço da atenção dispensada a seu primo mais rico. Acho que o pessoal estava mais no clima de uma invasão alienígena tradicional, mesmo. Com a fórmula repetida à exaustão nos anos seguintes, pode ser que se “Marte Ataca” saísse hoje, a história fosse diferente.

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A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça canecacanecacanecacaneca

O investigador Ichabod Crane vai até a pequena cidade de Sleepy Hollow para entender uma série de assassinatos onde as vítimas tiveram suas cabeças cortadas. O suspeito? Um cavaleiro… sem cabeça! Facilmente um dos melhores do diretor, esse filme exagera todas as características já marcantes de suas obras anteriores: desde a temática dark, gótica, passando pelo belíssimo design de produção, a fotografia, a música de Elfman, Johnny Depp… tudo é elevado à máxima potência para nos dar uma experiência eletrizante. Sério, esse é um filme de suspense/terror, mas a adrenalina é de filme de ação. Aliás, apesar de ter flertado com o gênero diversas vezes em outros trabalhos, pode-se dizer que esse é o primeiro filme de terror pra valer de Tim Burton. As cenas de decapitação e a violência em geral, são inclementes, aditivadas pela macabra e etérea trilha sonora, e o Cavaleiro sem Cabeça, interpretado (quando encefalizado) por Christopher Walken, é genial. Johnny Depp, podendo exagerar bastante numa época pré-Jack Sparrow, também se deleita no papel do peculiar Ichabod. Christina Ricci dá uma folga aos papéis esquisitos e fica com a certinha (mas não completamente) Katrina. O resto do elenco também é fantástico, na ala anciã, então, só fera: Michael Gambon, Martin Landau, Christopher Lee, Michael Gough, Ian McDiarmid, só pra citar alguns. Se os nomes não soam familiares, dê uma olhada no IMDB. Vai ser um “Uau!” atrás do outro. Sinceramente, não posso falar bem o bastante desse filme. É uma verdadeira pérola mesmo. Pena que não seja mais tão citado, em vista de outros filmes de mais sucesso na filmografia do camarada. Mas vale demais!

O Planeta dos Macacos

Em 2001, Tim Burton foi o escolhido para tentar dar um novo início à saga dos macacos cinematográficos. A história é basicamente a mesma da versão clássica: um astronauta cai num planeta dominado por macacos, e em que humanos são perseguidos e escravizados. O astronauta dessa vez é Mark Wahlberg. Algumas coisas nesse filme valem a pena: o design de produção é bonito e rebuscado, a maquiagem melhorou demais (depois de quase 40 anos, era o mínimo que se esperava, né?) e Tim Roth surpreende no papel de General Thade, o líder dos macacos. O restante do elenco alterna entre boas atuações debaixo da maquiagem (Michael Clarke Duncan, Paul Giamatti) e outras sofríveis (Helena Bonham Carter como a macaca mais irritante da história do cinema). A verdade é que, embora eficiente como filme de ação, o roteiro é banal, se limitando a repetir o original, mas sem a profundidade do mesmo. E pra piorar, o filme nem tem o estilo característico sombrio de Burton, parecendo-se muito mais com um produto genérico da máquina de blockbusters de Hollywood. Simplesmente não colou.

bigfish

Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas canecacanecacaneca

Um filme diferente de Tim Burton, menos cínico e mais fantasioso, mas ainda assim, com um núcleo extremamente emotivo. Um filho tenta aprender mais sobre seu pai, que está morrendo, através de histórias e mitos fantásticos da vida dele. E assim, percorremos essas histórias malucas ciceroneados pelo pai quando jovem, interpretado por Ewan McGregor. Estranhamente, o filme me lembrou mais um Forrest Gump mais colorido do que algo que surgiria normalmente da mente de Burton. Mas parece que a ideia era essa mesma, fazer algo distinto. Esse filme marca uma guinada na carreira do cineasta, que começa a fazer filmes mais claros, mais alegres, mais coloridos. Com certeza o humor ácido permanece, e Burton voltaria às trevas em breve, mas por enquanto, a mensagem que ele passa é que está de bem com o mundo, e isso é bom.

chocolate factory

A Fantástica Fábrica de Chocolate canecacanecacanecacaneca

Um filme que dividiu opiniões, devido ao culto à antiga versão da história de Roald Dahl com Gene Wilder. Burton coloca seu selo de qualidade e bizarrice na história do menino pobre que ganha um ticket premiado para visitar uma fábrica de chocolate junto com outras crianças. Recepcionados pelo dono, Willy Wonka, um excêntrico personagem, eles terão que passar por vários testes que visam, no fim, eleger o sucessor de Wonka no comércio chocolateiro. Nesse cenário, Burton está como seus próprios personagens: uma criança numa fábrica de doces, mesmo. Os cenários são hiper-coloridos, as músicas são legais, os Oompa-Loompas são geniais (todos vividos pelo ator Deep Roy), os atores-mirins são talentosos, e Johnny Depp rouba a cena como Wonka, numa composição estridente que segundo Depp, foi inspirada por apresentadores de programas infantis de antigamente. Segundo outros, foi inspirado em Michael Jackson, outro milionário que recebia crianças em sua casa. Como o filme original não fez parte da minha infância, não tive problema algum em aceitar essa versão, achei inspiradíssima, tranquilamente um dos melhores trabalhos de Burton. Vemos que desde Batman, ele ficou muito mais confortável em lidar com uma propriedade já estabelecida, sem deixar, claro, de inserir suas particularidades como diretor e visionário.

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A Noiva Cadáver canecacanecacaneca

Burton voltou às animações com o inusitado “A Noiva Cadáver”. Quando um tímido noivo pratica seus votos matrimoniais num cemitério, ele acaba casado com uma noiva morta, que o leva para o mundo dos mortos. Romântico e macabro, são as únicas palavras que vem à mente para descrever essa animação. Burton volta de vez à atmosfera gótica que o consagrou, e também revisita o mundo da animação. E do stop-motion, inclusive, uma técnica praticamente esquecida. Claro que ajudado um pouquinho por CGI. Mas não desmerece o árduo trabalho dos artistas. O elenco é formado pelos “sócios” Burtonianos Johnny Depp e Helena Bonham Carter. Uma boa animação, mais pela técnica do que pela história, mas vale ser conferida mesmo assim.

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Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet canecacanecacanecacaneca

Cara, que viagem de filme! Quando pensava que Burton estava começando a ficar previsível, ele volta ao seu estilo dark (OK, nada novo) e adapta um famoso musical sobre um serial killer (peraí, o quê?!). E no processo, faz um de seus filmes mais divertidos. Sim, divertidos! Johnny Depp retoma mais uma vez a parceria com o diretor para contar a história de Benjamin Barker, um barbeiro que tem sua vida destruída quando é falsamente acusado de um crime. Forçado ao exílio, ele retorna a Londres 15 anos depois para se vingar, sob a alcunha de Sweeney Todd. OK, vou explicar a vingança, pois é a melhor parte do filme: Todd atrai seus desafetos até sua barbearia. Depois de um barbear pra lá de rente que encerra suas vidas, ele despacha os corpos para sua comparsa Sra. Lovett (Bonham Carter, claro), que transforma os corpos em tortas de carne, que são então, servidas à high-society! Cruel, genial, perversamente hilário. E isso tudo é um musical, minha gente! Sim, daquele tipo em que as pessoas irrompem em canções a cada 5 minutos! O elenco é fantástico, além de Depp e Bonham Carter, temos Alan Rickman, Timothy Spall, e o Borat em pessoa Sacha Baron Cohen, que não rouba, mas sequestra a cena no papel de um barbeiro rival, o italiano Adolfo Pirelli, engraçadíssimo. Realmente não é um filme que eu indicaria a todos, mas se nem humor negro nem musicais te incomodam, vale arriscar.

Alice no País das Maravilhas – por Lucas Veloso

Tim Burton continua oferecendo sua versão de contos consagrados. Dessa vez, ele nos traz Alice, e soma suas próprias esquisitices com as já existentes na obra de Lewis Caroll. A primeira coisa a ser notada é que o filme é, de forma velada, um “remake” da estória original, já transformada em filmes e desenhos tantas vezes. A diferença aqui é que Alice está adulta, e portanto, o roteiro inventa um novo capítulo para o conto, culminando com a moça como salvadora do País das Maravilhas. Antes disso, vamos à parte mais técnica: visualmente, o filme é irrepreensível, todos os cenários são belíssimos e as criaturas, intrigantes. A junção de atores com computação ficou bem legal. O 3D, a principal atração, a exemplo de Avatar, continua normal pra mim. Estou começando a pensar se está valendo a pena gastar a grana extra só pra ver diferenças de profundidade no cenário. Um filme tão belo, com certeza se sustentaria em 2D. Danny Elfman faz uma trilha sonora bacana, mas tem tanta coisa acontecendo na tela, que fica ofuscada. Talvez mereça uma “escutada” depois, separadamente. Os atores estão bem, a novata Mia Wasikowska é bem simpática, caiu bem pro papel de Alice. Johnny Depp faz o Chapeleiro Louco com a habitual competência, mas a essa altura, mesmo para o prolífico ator, é difícil criar personagens extravagantes com originalidade, então, este surge como uma mistura de outros de seus personagens. Helena Bonham Carter, por sua vez, pega a irritante Rainha Vermelha (sério, alguém precisa ouvir “cortem-lhe a cabeça” mais uma vez nessa vida?) e a transforma numa personagem engraçadíssima. São dela os melhores diálogos do filme. Já a Rainha Branca de Anne Hathaway é afetação e nada mais. Crispin Glover, o eterno George McFly faz um estranho Valete, e não ajuda nem atrapalha. O elenco de vozes para os bichos também é acertado, cada um adequado a cada personalidade, e gostei que todos têm seu tempo de tela, nunca, porém, aparecendo mais do que o necessário para a sua contribuição ao filme. Bom, de volta ao roteiro: bem-sucedido ao manter os diálogos tão esquisitos quanto na obra original, e fazer pequenas alusões ao livro a todo momento, incluindo a persistente charada do corvo e a escrivaninha, seu maior defeito é tentar mascarar o fato de que é um “remake” sempre mostrando que Alice cresceu e mudou, embora passe pelas mesmas situações que passou pela primeira vez. Os personagens chegam a brincar com isso: “É de se esperar que ela se lembrasse disso, da outra vez”. Também desnecessárias mudanças como chamar “Wonderland” de “Underland (mundo subterrâneo)” só pra deixar a coisa mais “dark”. E o que dizer da batalha campal no fim, estilo Narnia? Sei que faz sentido de acordo com o que o roteiro está propondo, mas Alice numa armadura, brandindo uma espada?! Uau.. eu sabia que rolavam umas coisas muito doidas em Wonderland, mas essa ganha o troféu. Um showcase digital muito bonito da obra de Lewis Carroll. Agora, tome vergonha e vá ler os livros!

Sombras da Noite – por Lucas Veloso

Barnabas Collins é um vampiro amaldiçoado e aprisionado pela bruxa Angelique, e depois de 200 anos de exílio, levanta-se para caminhar sobre a Terra novamente. O problema é que ele acordou nos anos 70, e hippies, guerra do Vietnã, nada faz sentido para o pobre vampiro, que só quer morder uns pescoços e cuidar da sua família, os descendentes da nobre família Collins, que no momento encontram-se falidos. Claro que Angelique também continua viva e (muito) bem, e continuará a fazer da vida deles um inferno. Esse é o novo filme de Tim Burton, baseado numa antiga novela de terror (!). Como um legítimo produto Tim Burton, vamos à checagem: Johnny Depp? Confere. Grande elenco? Confere. Temas góticos? Confere. Danny Elfman na trilha sonora? Sim. Humor bizarro? Pode apostar. Na verdade, “Sombras da Noite” pode enganar o público, com seu poster dark-colorido (reproduzido na imagem acima). Pois ao invés de uma comédia de terror, está mais para um terror com algumas partes bem engraçadas. É um filme estranho (que surpresa!), tem horas que o clima fica até bem pesado mesmo. Como fã do diretor, fico feliz que atualmente ele tenha autonomia para tocar um projeto como esse, baseado numa obra tão obscura, mas que claramente é importante para ele e Depp. E seria hipócrita se dissesse que não me diverti pra caramba, é um filme bom. Mas na verdade, o que eu gostaria de ver a seguir é Tim Burton fora de sua zona de conforto, se desafiando, colocando seu toque característico em algum novo gênero. Sei lá… talvez algo sem Johhny Depp. Não me entenda mal, suas contribuições rendem bem, mas o ator está presente pelo menos nos últimos 6 filmes do cineasta. Talvez seja hora de algo novo? Até para o bem de todos os envolvidos?

burton

O Mundo Fantástico (e Bizarro) de Tim Burton – por Fernanda Matoso

Sombrio, colorido, esquizofrênico e loucamente encantador para seus fãs!! Esse é Tim Burton. Conseguimos enxergar ternura nos seus desenhos e personagens dilacerados, remendados e sombrios. Talvez porque sejamos assim de verdade, sempre nos falta algo ou perdemos “pedaços” pela vida. Mas eles não ficam expostos fisicamente e sim marcados na alma. Tim te mostra a “realidade”, abordando as estruturas que todos queremos esconder ou evitar. Seus filmes enaltecem as minorias e nos apaixonamos por elas. Como não amar Edward? A menina dos olhos esbugalhados, Frankenweenie, entre outros?! No final todos querem ser amados, só não deu tempo para o pequeno menino Ostra, de sua obra ” O pequeno menino Ostra e outras estórias”, onde vários personagens bizarrinhos são apresentados. Leitura que vale a pena para rir muito! Conseguimos nos ver, de alguma forma, em muitos de seus personagens, que nos dão força para superar muitos problemas e aprender que podemos seguir em frente para alcançar nossos objetivos…. bom, para alguns o final é trágico mesmo, mas faz parte também, afinal nem tudo são belladonnas! Para quem conhece é sempre uma excelente pedida assistir a seus filmes e tem para todos os gostos: Peixe Grande, Batman, Alice no País das Maravilhas e animações fantásticas!! Tudo lindamente maluco e fascinante! Divirtam-se!!

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