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Demolidor

12/04/2015

DD

Demolidor – por Lucas Veloso canecacanecacanecacaneca

A primeira de supostamente várias colaborações vindouras entre Marvel e Netflix, “Demolidor” é empolgante para os fãs das HQs não apenas por adaptar o herói para a TV, mas por se situar no mesmo universo dos filmes dos Vingadores e cia. Mas não se engane: é uma criatura bem diferente dos blockbusters que temos visto com a logo vermelha da “Casa das Ideias”. Mais uma série policial e/ou drama com pitadas de super-herói do que o contrário, “Demolidor” nos apresenta ao advogado Matt Murdock, vítima de um acidente singular quando era criança, que lhe cegou, mas ampliou seus demais sentidos. Habilidades que ele usa no tribunal para condenar criminosos, e nas ruas como um vigilante, para pegar os que escaparam. A série dá amostras da origem do personagem, via flashbacks, mas não a conta da forma didática com que nos acostumamos nos filmes de super-herói (ainda bem, porque já deu, né). E o interessante é que ao mesmo tempo em que adapta a história com fidelidade assustadora às HQs (especialmente à fase de Frank Miller), ela também se sente à vontade para tentar coisas novas, seja em termos de história ou desenvolvimento de personagens. Os que mais me surpreenderam nesse aspecto foram Karen Page, que já começa como uma personagem multifacetada, algo que só aconteceria nas HQs muito depois, e Wilson Fisk, interpretado por Vincent D’Onofrio, que leva o vilão da série numa direção totalmente inusitada, mas bem-vinda, dentro dessa versão. Ele possui a imponência e a fúria que o Rei do Crime deve ter, mas sua vulnerabilidade desarma a todos nós, e quando percebemos, estamos acompanhando não apenas o surgimento do Demolidor, mas também de seu grande nêmesis. Nenhum dos dois está 100% formado até o fim da série. Não posso deixar de mencionar Vondie Curtis-Hall, um rosto familiar aos que viam filmes de ação e comédia dos anos 80, no papel do repórter Ben Urich. Quer falar de casting perfeito? É esse. Ainda tem Scott Glen no papel de Stick, o mestre durão (e também cego) de Matt, Rosario Dawson como uma enfermeira e possível interesse romântico, e por fim, Charlie Cox e Elden Henson, os próprios Murdock e Nelson, colegas advogados, que, junto com Karen, são o núcleo da série, o calor humano. As melhores cenas são dos três no escritório, conversando fiado e fazendo piadinhas. Química que não se pode comprar. Cox, como protagonista, faz um bom trabalho, honesto, mas não sinto que chega a brilhar. Não compromete também. Talvez seus melhores momentos estejam ainda por vir. E o Demolidor, o herói? Bom, o diabo de Hell’s Kitchen surge já no primeiro episódio absolutamente impiedoso com os criminosos, o que nos rendem cenas épicas de porrada. Cara, o que é aquilo. A tal cena no corredor, então! Já entra pra história junto com “Old Boy” e “O Protetor” como uma das melhores cenas de luta “sem cortes”. Com aspas porque há sim truques para esconder os cortes, mas tudo se desenvolve praticamente como se fosse um longo take. E vai te deixar de queixo no chão, que é o que importa. Aliás, há uma grande preocupação em tornar a série toda bem visceral, seja nas cenas de ação ou mesmo nas cenas dramáticas, é como se ela te pegasse pelo pescoço e não soltasse mais. Tudo isso com um verniz sujo porém belo, com meia-luz e cores saturadas como se dissesse que esse é um filme perdido da década de 70, com “Taxi Driver”, “Um Dia de Cão” e “Serpico” em seu DNA. Agora o que provavelmente todos os fãs querem saber: e o uniforme? Bom, ele veste por quase toda a série um collant estilo pijamão preto, que homenageia (de novo) a obra de Miller, mas infelizmente, também o deixa bem próximo da versão atroz daquele telefilme do Hulk, o que não é legal. E sinto dizer, também não morri de amores pelo uniforme final, o vermelhão. Com tantas coisas boas, deixo passar. Mas esperando que consertem essa roupa no futuro! Não sou um dos detratores do filme de Ben Affleck, mas com certeza essa série consegue uma aproximação maior com a fonte. Além de abrir diversas possibilidades para o futuro da Marvel na TV. Se o que vier for tão bom quanto esse, a editora do Homem-Aranha vai reinar na TV assim como já reina no cinema.

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