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ESPECIAL Spawn

30/09/2015

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Na década de 90, o escritor/desenhista Todd McFarlane, junto com outros artistas cansados do sistema Marvel/DC de fazer quadrinhos, se juntaram e criaram a Image Comics, cuja proposta era dar liberdade criativa (e autoria) aos artistas, além de elevar a fórmula super-herói a um outro nível. Do ponto de vista comercial, com certeza conseguiram, e a Image por um tempo concorreu diretamente com as duas gigantes. Do ponto de vista criativo, nem tanto. Olhando hoje, a maioria das histórias eram variações de super-grupos como X-Men, ou versões mais darks de outros heróis das concorrentes. Peguem a criação-mor de McFarlane, Spawn, como exemplo: seu uniforme é um mix de Batman, Homem-Aranha (talvez mais Venom do que Aranha), e Motoqueiro Fantasma. Sua história coloca o capeta no meio para maior efeito dramático. É como se Todd estivesse escrevendo todas as histórias do Batman e/ou Homem-Aranha que não podia ter escrito na DC ou Marvel na época em que trabalhou lá. Seja como for, Spawn se tornou um grande sucesso durante muitos anos, vendendo pacas, e fazendo a esperada transição para outras mídias, as mais notáveis sendo o cinema e a animação. E é dessas encarnações do personagem que vamos falar hoje: O primeiro e mais conhecido é o filme. Infelizmente, entrou para a história como um dos piores filmes de super-heróis de todos os tempos. Porém, como adaptação, é decente. Vamos lá: como nas HQs, Al Simmons (Michael Jai White) é um soldado durão, que acaba traído por seu superior Jason Wynn (Martin Sheen, em um de seus raros vilões). Ele é assassinado e mandado pro inferno, onde, por amor à esposa Wanda (Theresa Randle) faz um acordo com o cramunhão e volta como Spawn, um soldado do inferno. O que o diabo não lhe contou é que ele voltaria como um ser queimado e deformado, e que teria que serví-lo para sempre, vigiado pelo macabro Clown/Violador (John Leguizamo, numa performance irritante, mas fantástica do ponto de vista da maquiagem). Spawn vai precisar da ajuda de um estranho, Cogliostro (Nicol Williamson) para aprender a usar seu arsenal e superar seus desafios, mas ainda tem uma pegadinha final do coisa-ruim: ao matar Wynn, ele ativará uma bomba ligada a seus batimentos cardíacos, que pode causar diversas outras mortes. Uma trama superficial, sem dúvida, mas podia ter funcionado. O problema foi que, para criar as batalhas e personagens, a galera se perdeu nos efeitos em CGI numa época em que eles não estavam, nem de longe, tão sofisticados quanto hoje. Então, é comum ver cenas em que a majestosa capa vermelha de Spawn pareça uma gelatina voadora, ou cenas de luta entre Spawn e Violador que você jura que está vendo uma criança batendo dois bonecos um contra o outro. Adicione a isso o fato do estúdio querer atingir um público maior baixando a censura de uma propriedade obviamente voltada para maiores (problema que permanece até hoje) e no fim, você tem um roteiro mediano e sem a técnica para ampará-lo acaba gerando um filme meio “meh”. Ainda divertido para uma sessão da tarde, mas nunca um grande clássico das HQs.

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No desenho da HBO, a coisa foi diferente: já naquela época investindo em programação para adultos, sem restrições a temas duros, drogas, violência e nudez, a série foi capaz de se aproximar mais das HQs, e em alguns pontos, até superá-la. O Spawn aqui era realmente torturado, numa interpretação vocal suprema de Keith David. Você sentia o terror que era se transformar em tal criatura. Aliás, terror é a palavra-chave para essa série: gastando o nanquim preto, a equipe liderada por Eric Radomski, de Batman: Animated Series, manteve seu Spawn mais nas sombras, em silhuetas, sempre misterioso e ameaçador. Quando menos se esperava, ele atirava suas correntes malditas para envolver o pescoço de alguém. Esse desenho pegava pesado, cara. Em todo episódio havia pelo menos um momento em que você dizia pra si mesmo: “não acredito que colocaram isso num desenho animado!” Hoje em dia, com a variedade de animações existente, e para diferentes faixas etárias, deve ser lugar-comum, mas na época, foi revolucionário. O desenho foi conceituadíssimo, e considerado por muitos como a verdadeira e definitiva encarnação do personagem. Devo admitir que depois do primeiro arco de seis episódios, perdi um pouco o interesse, acho que um pouco pelo elemento surpresa ter passado, e também porque a história foi ficando menos intrigante para mim. Mas aqueles primeiros seis são puro ouro. Bom, infelizmente, ambas essas obras também marcaram o início do declínio de Spawn como franquia. Tem se falado de um novo filme desde 2002, e as revistas hoje não vendem nem um oitavo do que vendiam na época. Todd McFarlane tratou de se ocupar com sua empresa de bonecos (ou figuras de ação pra quem faz questão) durante toda a primeira década do séc. XXI, e hoje em dia anda meio sumido. Os fãs, contudo, não esqueceram do soldado do inferno. Recentemente, saiu um fan-film bacana, The Recall, que reacendeu toda a discussão sobre um novo filme. Se vai acontecer ou não, e se será bom dessa vez ou não, ninguém sabe. Mas vamos aguardar.

Spawn – O Soldado do Inferno canecacaneca

Spawn – The Animated Series canecacanecacanecacaneca

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