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Tropas Estelares

17/06/2016

starship troopers

Tropas Estelares – por Lucas Veloso canecacanecacanecacaneca

Paul Verhoeven é um homem com uma missão: fazer filmes-sátira com um alto teor cáustico em suas críticas, mas disfarçados de entretenimento barato para quem vai ver filmes só pelo espetáculo. E o melhor é que geralmente, ambas as partes funcionam muito bem. Seu “Robocop” é uma crítica perfeita da América corporativista dos anos 80 e da cultura yuppie. “O Vingador do Futuro” nos alerta para os perigos da realidade virtual, e olha que só agora que isso está se tornando uma realidade. Um visionário à frente de seu tempo. E “Tropas Estelares” é uma crítica às forças armadas e propaganda em geral. Este último, em particular, foi especialmente incompreendido. O filme é visto pelos olhos da dupla Johnny Rico e Carmen Ibanez, interpretados por Casper Van Dien e Denise Richards, dois jovens que se alistam a fim de combaterem um exército de insetos alienígenas que ameaçam a Terra mesmo de longe, enviando meteoros cheios de bichos pro nosso planeta. Muitos reclamaram da artificialidade do filme: Carmen e Johnny são da Argentina. Richards e Van Dien, além de serem tão latinos quanto um urso panda, são protótipos dos bonecos Barbie e Ken, e convenhamos, não atuam tão bem. Isso, mais a sinopse de filme B afastou muita gente. Mas a questão é: tudo foi intencional. Verhoeven, no seu prazer sádico, quis pegar duas carinhas bonitas tão típicas dos filmes de adolescentes da época, e colocá-los no inferno da guerra. E sim, a carnificina alienígena pertence mesmo a um sci-fi bem lado B, ainda mais numa época em que os efeitos digitais ainda não estavam tão refinados. Mas por baixo desse verniz pop-trash, existem diversos temas mais suculentos a serem discutidos, a maioria por meio das geniais propagandas que pontuam o filme (“Gostaria de Saber Mais?”): Doutrinação política presente já na escola, prometendo cidadania apenas aos que atenderem o chamado da nação. Informativos de alistamento que pintam o exército como um grande parque de diversões, onde você será “o cara”, dando tiros e curtindo a vida, apenas para chegar num planeta hostil, e sem experiência de guerra, ser devorado como um bom bucha-de-canhão. A cultura de coliseu, tornando o sofrimento do inimigo um espetáculo, sobrevivente até hoje por meio de MMAs, UFCs e afins. Claro, como eu disse, funciona se você quiser apenas entretenimento sci-fi, e isso o filme entrega aos montes, com a truculência esperada de Verhoeven, com um eclético elenco coadjuvante: Michael Ironside, Clancy Brown, Neil Patrick Harris, Dina Meyer… e tudo isso com o retorno de Ed Neumeier, roteirista de “Robocop”, o parceiro subversivo ideal para Verhoeven. Olha só: é sutil como uma marretada na cara, os efeitos envelheceram mal, o subtexto pode não ficar claro, ou ficar claro e não pegar bem, então vou recomendar, cautelosamente, apenas aos fãs de ficção científica. Mas mesmo que não o seja, pode ser que se surpreenda, se der uma chance.

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