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Cine Papos: Às Vezes, a Primeira Impressão NÃO é a que Fica… Ainda Bem!

22/10/2016

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Assistir filmes é uma experiência fantástica, com muitos momentos singulares. Por exemplo, como pode, depois de adulto, você ver um filme da sua infância e descobrir diversas novas nuances, que nunca tinha percebido antes, enquanto pegava apenas as piadas desenvolvidas para as crianças? Como pode agora perceber que tinham piadas embutidas ali apenas para os adultos? Que noção sensacional! Ao mesmo tempo, que decepção ao revisitar aquele filme que você gostava tanto quando mais novo apenas para perceber que na verdade, era meio tosco… mas faz parte! Mas e quando é o contrário: você, já adulto, resolve revisitar um filme que você até assistiu quando era mais novo, mas não tinha curtido muito… e O FILME SIMPLESMENTE ENTRA PRA SUA LISTA DE PREFERIDOS DE TODOS OS TEMPOS?!! Aconteceu comigo, meus amigos.

Já falei um pouco sobre isso na crítica que fiz aqui pro blog de “Blade Runner“: o lance é que eu tinha visto o filme ainda moleque, esperando Han Solo soltar laser naqueles andróides todos. E o filme não é isso. Mas só pude apreciá-lo pelo que era depois, ao assistir não pela segunda, nem pela terceira, mas provavelmente na quarta (!) vez. Alguma coisa me intrigava o suficiente no filme para voltar a ele várias vezes. Acho que era a ambientação. Também pudera! O filme de Ridley Scott foi tão influente em seu visual e ideias, que praticamente deu início ao movimento cyberpunk. Mas eu voltava pela ambientação, e acabava descobrindo as diversas camadas que compõem o filme, e que o tornam um clássico. Com certeza, sou grato por não ter desistido do filme depois daquela desastrosa primeira assistida. Outro caso parecido foi com “Pulp Fiction”: também nessa mesma época (que época negra, meu Deus), peguei o filme na locadora (o Netflix da minha época, galerinha) e fui ver… que porcaria de filme! Não estava entendendo nada, tudo fora de ordem, os caras só ficam conversando no corredor, falando sobre massagens no pé, e sei lá mais o que… que tédio. Quando Bruce Willis bate em Marsellus Wallace no meio da rua, lembro que desisti. Ejetei a fita (sem rebobinar mesmo), e azar… que se dane esse filme idiota. Hmm… alguns anos depois, lá estou eu comprando no Wal-Mart gringo uma edição especial desse filme que ao longo dos anos se tornou especial para mim. Ironicamente, as coisas que eu não entendia ou desgostava hoje em dia são os meus detalhes preferidos sobre o filme. Mas fazer o quê? Dizer o quê? Amadurecemos, ainda bem! Podemos rever os filmes que não tínhamos maturidade o suficiente para entender e/ou apreciar e os vemos por outra ótica. Bom demais.

Ainda nessa linha, um outro fenômeno que tenho observado, esse mais recente: a ressignificação a filmes ruins. O quê? Ora, um filme ruim é ruim e pronto, não? Não é como no outro exemplo em que você não tinha maturidade, esses filmes são ruins! Sim, talvez… mas recentemente, seja por curiosidade, seja por ter lido novas informações, ou simplesmente por ócio mesmo, re-assisti filmes que desde criança julgava ruins, ao tentar rever quando adulto continuei com a mesma opinião, mas aí vi chegar remakes e reboots que foram ainda piores do que esses filmes, e resolvi dar uma chance. E não é que me pego me divertindo com esses lixos? Esse caso é mais drástico, inclusive, por vergonha, prefiro não citar os filmes que redescobri (embora aqui na minha intimidade os tenha aceitado como um pai que faz as pazes com o filho abandonado), mas acho que serve pelo menos como um comentário sobre a atual casta de filmes lançados, onde um sujeito recorre a filmes antigos inferiores sobre o mesmo tema porque o filme novo é ainda pior do que aqueles.  Olha, acho que tudo é permitido, não existem “guilty pleasures”, eu pretendo me libertar desse rótulo e quem sabe um dia possa vir aqui e anunciar bravamente quais foram esses velhos filmes ruins que vi por uma nova ótica. E a ideia toda para esse artigo veio de “Drive”, um filme que tinha tentado assistir anteriormente, vi os primeiros 15 minutos, detestei e abandonei. Mas resolvi ver de novo e dessa vez vi até o fim e gostei. Crítica vem em breve. E o irônico de tudo é que vi por sugestão de um amigo que também adora Blade Runner e vi para ver se me acostumo com Ryan Gosling como protagonista, justamente para me preparar para… o novo Blade Runner. Então, anos depois aquele caçador de replicantes continua influenciando meu gosto cinéfilo… positivamente, fico feliz em dizer.

Texto de Lucas Veloso. Agradecimentos a Marcelo César.

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