Skip to content

A Vigilante do Amanhã

31/03/2017

GITS2017

A Vigilante do Amanhã (ou “Ghost in The Shell”) – por Lucas Veloso canecacanecacaneca

Baseado nos mangás e animes homônimos, “Ghost in The Shell” finalmente chega aos cinemas estrelado por Scarlett Johansson. Já tendo sido adaptado tantas vezes, como é que se sai a Major dessa vez? Vamos lá: em termos de adaptação temática, o filme é muito bom, os temas principais (alienação, melhorias robóticas, perda de humanidade, hackers) estão todos lá. A personagem da Major, por sua vez, passa por uma gigantesca mudança de comportamento (discutida mais a seguir), mas considerando que a versão do mangá já era bem distinta da do anime, não chega a ser um grande pecado. É como se a Major se adaptasse de acordo com a mídia na qual está, e no que a história precise dela ser naquele momento. Acho isso interessante. Os visuais estão simplesmente deslumbrantes, com efeitos de primeira, e creio que é o principal trunfo do filme. Mesmo quem já viu Blade Runner e seus clones menos famosos diversas vezes ainda fica com o queixo no chão com a cidade de neon desse filme, com os efeitos dos robôs e a “roupa” que distorce a luz e torna a Major invisível. Existem, claro, diversas referências para os fãs do anime e DE anime em geral. Scarlett se sai bem, numa interpretação contida e um pouco esquisita, que pode ser erroneamente confundida com canastrice, mas ela apenas tenta retratar a bizarrice e alienação de uma personagem que parece não experimentar emoções. Quanto à polêmica sobre “whitewashing”, ou seja, escalar uma ocidental para um papel oriental, o filme oferece sua explicação, de forma conveniente, sim, mas de jeito que faça sentido para a trama. Não me incomodou muito, ainda mais que o elenco ficou bem diverso etnicamente, como se quisessem compensar qualquer incômodo. Mas a mudança traz efeitos colaterais estranhos, como por exemplo, o personagem de Takeshi Kitano sendo o único falando japonês porém interagindo livremente e respondendo outros que falam inglês. Coisa pequena, mas fica esquisito. A trilha de Clint Mansell (Réquiem para um Sonho) e Lorne Balfe (Exterminador Gênesis) é boazinha,  mas nunca se destaca muito (o coral de vozinhas japonesas só rola nos créditos finais). Olha só, o filme é correto e nada mais. Mas o visual… digamos que será um bom filme para mostrar aos amigos o poder do seu home cinema, caso surja a oportunidade. Não acho vergonha pro filme dizer que ele é mais bem-sucedido como uma experiência sensorial do que como narrativa. Nem todo filme precisa ser “Cidadão Kane”.

Anúncios
No comments yet

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: