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O Círculo

30/06/2017

circle

O Círculo – por Daniel Mazzochi caneca

Qualquer um que esteve em uma sala de cinema, recentemente, se deparou com o chamativo trailer de “O Círculo”. É uma receita fadada ao sucesso. Afinal, temos o eterno queridinho das telonas, Tom Hanks. Ao seu lado, a nova galinha dos ovos de ouro, Emma Watson, que passou 20 anos à sombra da bruxinha e agora dispara para conquistar o mundo como uma atriz madura, como mulher. A propósito, os mesmos 20 anos que Ellar Coltrane, que aqui interpreta Mercer, levou para “crescer” em Boyhood e alcançar as 12 falas que teve neste filme. Ainda bem. Sua atuação apesar de pequena, lhe renderia o próximo protagonista de Malhação. E sim, Emma seria seu par romântico. Afinal, a entrega é tão ruim quanto. O tema… bem… uma rede social/empresa capaz de conectar o mundo, achar desaparecidos, resolver problemas do dia-a-dia, criar intrigas, exibir privacidade, revelar intimidades. Não. Não estou falando desta ferramenta a qual você me lê, neste momento. Estou falando do Círculo. Uma caricatura da Apple, mesclada ao estereótipo Facebookiano. Tom Hanks aqui é o “Jobs”. Um antagonista que se camufla em simpatia e hora nenhuma esboça trejeitos de vilão. Confuso, né? Nem tanto quanto a cabeça da Mae (Emma), a protagonista. Uma figura apática, perdida no que é realmente relevante para ela, mas… mesmo assim… possui o poder sobrenatural de ganhar a confiança das pessoas de forma meteórica. Aliás… como tudo no filme. O tempo passa na velocidade da luz. Dias, semanas, meses saltam de forma frenética, tentando apresentar elementos para explicar o péssimo roteiro. Por exemplo, assim, do nada, decidem que a experiente canoísta Mae, se tornou uma aventureira inconsequente que rouba um caiaque e se joga em alto-mar, à noite, em uma absurda neblina. Uma cena jogada ao vento, apenas para dar sequência à trama que viria a seguir. E o filme segue assim, saltando capítulos, enaltecendo figuras apagadas, aplicando bordões e criando uma tremenda lambança que não leva a nenhuma resolução. Com destaque para pior cena de perseguição seguida de tragédia da história do cinema. Quase tão “brilhante” quanto a queda do helicóptero de Mr. Grey naqueles 50 tons de desperdício de tempo. O filme trabalha a futilidade do mundo virtual que vivemos de forma ainda mais fútil. Subestima a inteligência do espectador e assume que estamos criando uma geração de idiotas manipuláveis. Honestamente, não me lembro de ter tido uma decepção tão grande no cinema nos últimos anos. Nem o Oscar da Gwyneth foi tão broxante. Penso que Tom Hanks devia algum favor ao diretor para ter aceitado esse papel. Bill Paxton é uma das únicas figuras humanas nesse filme e entregou o papel com precisão. Uma pena ele ter falecido antes de saber que somente ele salvaria neste filme. Mentira, o Hanks tá bem também…mas ele apareceu “tantas vezes”, que quase me esqueço de dizer que ele atuou legalzinho. O Círculo deveria ter 40 minutos e estar entre os novos episódios de Black Mirror, afinal, é isso que tentam ser. Porém, se fosse esse o primeiro episódio da quarta temporada…eu temeria pelo pior. Digno de 1 estrela/caneca. Uma péssima execução, para uma ideia potencialmente boa. “Sad but true”.

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