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Cine Papos: A Queda do “Universo Cinemático”?

17/08/2017

cinematico

A expressão surgiu nos últimos anos: “Universo Cinemático”. Trata-se de uma série de filmes, na superfície independentes uns dos outros, mas que ao final, formam um grande quebra-cabeça e/ou franquia onde tudo está conectado. A moda começou com a Marvel, que, começando em 2008 com “Homem-de-Ferro”, foi lançando seus filmes com pontas soltas aqui e ali, interconectados por cenas misteriosas, a fim de gerar expectativa, e em 2012, lançou um “Os Vingadores” que amarrou tudo num mega-filmaço. Era como se tudo tivesse levado a isso! Que catarse! Que maravilha! E com essa fórmula, a Marvel tem ido bem até hoje. Virou muleta, e agora tudo tem que servir de trampolim pra um próximo filme. Mas aí, é outra discussão. O fato é que tem a ver a Marvel querer fazer seus filmes assim, pois afinal, essa interconectividade é o que tem funcionado em seus quadrinhos há mais de 70 anos! A DC, sua rival, que começou tardiamente seu próprio universo cinemático, tem corrido atrás e tentado se inspirar na Marvel, pois afinal, todo mundo quer uma fatia do bolo. E aí é que começa o problema.

Como disse, editoras de HQs que fazem a transição para o cinema se adaptam muito bem a essa fórmula, pois possuem vários personagens e histórias, que já são conectados naturalmente. A questão é que, sempre que alguma coisa dá certo (leia-se: faz dinheiro), todo mundo quer copiar. Natural. Mas aí começamos a ter coisas tipo “Universo cinemático Transformers”, “Universo cinemático Lego”, “Universo Cinemático Caça-Fantasmas”, “Universo Cinemático Star Wars”, e por aí vai. Uau! Todos esses filmes exigem diversos filmes diferentes que se conectam por um tema em comum? Eles não podem ser só… filmes? Não! E assim segue a febre. Mas nos últimos tempos, os estúdios estão tomando umas lambadas pra ficarem espertos.

O problema é: ao planejar um universo cinemático, os estúdios vão lá longe. Nada mais óbvio, afinal, algo tão intrincado e conectado tem que ser planejado com antecedência. E daí fecham contratos, pagam atores, diretores, roteiristas para desenvolver a parada, colocam a coisa em movimento, bolam uns 9 filmes, e aí… o primeiro da série vai mal nas bilheterias. Mas mal mesmo. Nível “Vou Ter que Pegar meu Universo Cinemático e enfiar… num baú”. E aí? Tentamos continuar? E todo o trabalho que foi feito?Recentemente, vimos isso com o remake de “A Múmia”, estrelado por Tom Cruise. A ideia era dar o pontapé inicial num novo universo, o chamado “Dark Universe”, que juntaria todos os monstros que a Universal tem sob contrato, com toda aquela gente bacana da foto acima. Em teoria, parece formidável, mesmo que forçado! Mas… o povo não curtiu o filme. E agora? O que vai acontecer com esse universo permanece no ar até o momento em que esse artigo é escrito, mas é de deixar o cabelo em pé. Outro caso foi a franquia “Espetacular Homem-Aranha”: licenciado pela Marvel para a Sony, o aracnídeo ganhou um reboot, e depois esse reboot ganhou uma continuação. E daí surgiram vários planos não apenas para uma terceira parte, mas filmes derivados, usando inclusive personagens menores da “família” Homem-Aranha. Mas aí, bum! Amazing 2 não fez o tanto que o estúdio esperava e… cancela tudo! Agora, o Aranha está de volta à Marvel e a Sony está matutando pra ver como continua seu universo aracnídeo.

O que houve de errado? Bom, ao meu ver, parece ser apenas um caso do público não estar tão interessado nos filmes que os estúdios acham que ele está interessado. O que torna um filme um sucesso, e o transforma em franquia permanece um mistério! Quem imaginaria que Star Wars, aquele filme meio low-budget de ficção de 1977, cujo trailer foi ridicularizado no cinema viraria a maior franquia de todos os tempos? Quem imaginaria que Velozes e Furiosos, franquia de filme de ação legalzinho, se tornaria uma potência que gera um bilhão a cada filme que solta? Quem imaginaria que Transformers, que a cada filme fica mais longo e com menos qualidade, faria tanta grana? E Avatar? Mesmo nas melhores estimativas da Fox, NUNCA eles poderiam prever que o filme faria 2 bilhões de dólares na bilheteria mundial! De novo, não se prevê essas coisas… Puxa! Como os estúdios gostariam de prever essas coisas… e talvez a questão seja essa: não se cria franquia. Não se força empatia. Não se fabricam clássicos. Simplesmente acontece. Pode-se chamar de magia do cinema se quiser, mas o fato é que é assim. Claro que isso não impedirá os estúdios de continuar tentando, afinal, existe dinheiro demais em jogo para parar agora. Mas com essa “forçação de barra”, a tendência é termos um ciclo infinito de reboots, remakes e continuações de coisas que não deram certo. Tal qual uma carne moída que é reaproveitada e passada no moedor de novo, e de novo, e de novo, sem fim… Não me parece um futuro muito empolgante.

Texto por Lucas Veloso.

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