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Power Rangers

26/03/2017

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Fiéis leitores, peço licença, por favor, para fazer essa crítica de uma forma diferente do comum. Afinal, o que tive no cinema foi uma experiência esquizofrênica como há muito não tinha num filme! A Lionsgate anunciou uns 2 anos atrás que produziria um novo filme dos Power Rangers. Quando avisaram que seria algo mais “pé-no-chão”, que desenvolveria melhor os personagens, fiquei empolgado, pois sempre vi possibilidades na história de cinco jovens de personalidades tão diferentes que precisam trabalhar juntos, algo sempre ignorado pela série de TV, que só estava interessada em vender brinquedos (não os julgo, mas sempre vi como potencial desperdiçado). Pois então: nesse filme, eles nos dão esses jovens, cada um excluído de seu próprio círculo social, e forçados/atraídos a se unir, no início apenas para pertencer a um grupo, e depois, quando descobrem as moedas do poder, a fim de se tornarem protetores da Terra. Eu simplesmente ADOREI a parte com os cinco jovens, a forma com que interagem uns com os outros, gostei demais dos atores, jovens realmente muito talentosos, o que nem sempre foi o caso nessa franquia. Pensa num remake bem-feito de “O Clube dos Cinco”. É o que temos aqui. Mas aí vem o grande problema do filme: ele NÃO é um remake de “O Clube dos Cinco”, e sim um remake de Power Rangers, então em algum momento eles vão precisar se transformar em heróis coloridos e lutar com coreografia de seriado japonês com monstros. Só que quando isso acontece, não apenas parece desconectado com a seriedade de filme indie que veio antes, mas também oferece uma cena de luta ruim e desleixada. Não, você leu direito: o filme tem UMA cena de luta, a que você viu no trailer. Acho que eles não ficam mais do que 5 minutos durante o filme vestidos de Power Rangers. Não sei vocês, mas isso pra mim é um problema bem grave num filme dos POWER RANGERS. Com esse problema tão sério, nem devia comentar outros menores (mas vou), como a necessidade de mostrar os rostos dos atores quando estão no comando dos zords, aquele velho clichê de filme de super-herói de que, se não mostrar o rosto, você não vai comprar a ideia da ação. E o que dizer do uso RIDÍCULO do tema da série? Olha, não sei o que você que está lendo pensa dos Power Rangers, mas uma coisa mais ou menos unânime é que a música-tema é contagiante! Empolgante! Desde o riff nervoso da introdução até os floreios lá no meio, passando pelo refrão “Go, Go, Power Rangers!” É uma das músicas-tema mais marcantes da cultura Pop. E ela toca por uns 30 segundos ali na cena dos zords, sem “build-up”, apenas jogada lá, meio que só pra constar. Criminoso! Por fim, o design dos robôs e monstros… cara, deixa isso pros japoneses. Realmente, os americanos não são bons nisso. Em resumo, um filme bipolar em sua radical mudança de estilo tão tarde na história. Não estou dizendo que você não vá se divertir, mesmo com as cenas de ação sendo como são, mas definitivamente deixa você coçando a cabeça… pelos motivos errados. Por fim, segue minha crítica… para um filme tão divisivo, uma crítica dividida:

Power Rangers – Como Filme Indie Sobre Jovens Esquisitos canecacanecacaneca

Power Rangers – Como Remake da Série dos Anos 90caneca

Os Suspeitos

24/03/2017

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Os Suspeitos – por Lucas Veloso canecacanecacanecacaneca

Hoje em dia, Bryan Singer é o “cara dos X-Men”, mas houve uma época, no meio da década de 90, em que ele se lançou com esse suspense de módica apresentação e imensas ambições, com um elenco variado e um roteiro muito bem escrito. “Os Suspeitos” deu a Kevin Spacey seu primeiro Oscar (não seria o último), e alavancou sua carreira, assim como a do roteirista Christopher McQuarrie, que até hoje é tido como um bom escritor. E Singer? Bom, não precisa nem falar, né… mas qual a história? O relato de um sangrento tiroteio envolvendo dinheiro de drogas dá início a um conto de vingança e mistério, enquanto um detetive tenta desvendar a identidade do chefão Kaiser Soze. Dizer mais seria fazer um desserviço ao filme, uma das tramas policiais mais bem-amarradas que já tive o prazer de ver. Claro que ajuda o fato de Spacey estar acompanhado por grandes nomes, como Benicio Del Toro, Chazz Palminteri, Kevin Pollak, Gabriel Byrne, meu ator-de-nome-complicado-favorito Pete Postlethwaite (e OK, até Stephen Baldwin está bem no filme). A conclusão do filme, junto a Seven (também com Spacey), é um dos melhores finais do cinema, de deixar o queixo no chão e de dar vontade de aplaudir. Se não viu, precisa conferir urgentemente. Aula de cinema praticamente “de graça”.

Kong: A Ilha da Caveira

22/03/2017

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Kong: A Ilha da Caveira – por Lucas Veloso canecacaneca

Antes de começar essa crítica, preciso confessar que posso não estar sendo totalmente justo com esse filme, já que fui vê-lo com muito, mas muito sono. Pra se ter uma ideia, cochilei até durante cenas de ação, algo que é muito inusitado para mim, principalmente se estiver no cinema, com aquele mega-sonzão absurdo. Dito isso, acho que o filme tem sua parcela de culpa também, afinal, se ele fosse bom, acredito que teria conseguido me manter acordado. Mas enfim… tem seus méritos: o design de Kong, fantástico! Ele é colocado como a criatura mítica do filme original, com postura mais humanóide, e não “apenas” um gorila gigante, como no filme de Peter Jackson. E aqui ele é um monstro, não é uma criatura benigna, digna de simpatia. O diretor até teve boas ideias, seja na trilha sonora cheia de clássicos do rock, ou com os bons personagens coadjuvantes (especialmente John C. Reilly, hilário), ou ainda na bela fotografia, que homenageia diversos filmes, nenhum mais do que Apocalypse Now, de Coppola. Claro que querer ser Apocalypse Now não é a mesma coisa que ser, então, fica pelo meio do caminho. O filme é meio desconjuntado, e senti que teve uma hora que Kong sumiu por pelo menos meia-hora, mas de novo, isso pode se dever aos meus cochilos durante o filme, então não posso bater o martelo aqui. Há ainda a pérfida necessidade de se estabelecer um “universo compartilhado” à la Marvel, a fim de criar uma nova mega-franquia, com direito até a cena pós-créditos. Preguiça… Seja como for, o diretor tem seu maior mérito no fato de ter tentado algo inovador… essa não é a história clássica já contada mil vezes, onde o gorila é confrontado em seu habitat, capturado e levado a NY, onde escapa e vai atrás da loira. Nada disso por aqui, e isso é ÓTIMO, uma variação do tema… o problema é que mesmo assim, acabou saindo um filme chato de Kong, o que por si só é uma proeza, mas não muito lisonjeira.

A Bela e a Fera

22/03/2017

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A Bela e a Fera – por Lucas Veloso canecacanecacaneca

Cara! Achei genial essa “nova” tendência da Disney de fazer filmes live-actions baseados nos seus desenhos clássicos! Pode parecer bobagem, mas acho que dá muito mais espaço para a história se desenrolar, e a fidelidade ao original agrada aos fãs de longa data. Nesse “A Bela e a Fera”, a fidelidade é impressionante! Tinha assistido ao original no dia anterior antes de ir conferir o novo no cinema, então as cenas e diálogos ainda estavam frescos na minha mente. Não é dizer que é exatamente a mesma coisa, afinal, qual seria o propósito, certo? Mas é bem fiel. O que o filme acrescenta? Bom, estamos em 2017, e se em 1991 o fato de uma mulher saber ler era feminista o suficiente (!), agora não cola mais. Essa Bela de Emma Watson pode ainda viver na provinciana vila, mas já viajou para outros países, sabe mais das invenções do pai do que o próprio, e não quer dar ao valentão Gaston nem um minuto de seu tempo (no desenho, ela ainda conseguia tratá-lo bem). Além disso, há um possível romance gay (velado) ausente do original e novas canções. Dan Stevens, de Downton Abbey é a Fera, e se sai bem debaixo da “maquiagem” digital. Outra coisa que curti demais foi a mobília mágica. Embora eles já fossem legais no desenho, eu não era muito fã do design. Aqui, curti tudo: não apenas os geniais atores convidados a dar vida a eles (Ewan McGregor, Ian McKellen, Emma Thompson etc), mas o design de produção, mais realista. Pra mim, foi um dos momentos fortes do filme. Na verdade, achei uma adaptação bem correta, e se não ganha mais pontos é porque a história em si é apenas OK, na minha opinião. Mas como eu disse, compro essa ideia, e já aguardo, desde já, as versões live-action de A Pequena Sereia e Aladdin!

ESPECIAL Power Rangers

10/03/2017

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Em 1995, no Brasil, a febre dos Tokusatsus (Jaspion, Changemen, etc…) já havia meio que passado e dado passagem às peripécias cósmicas dos Cavaleiros do Zodíaco e outros animes. Mas justamente nessa época, chegava ao mercado brasileiro os Power Rangers, a nova equipe multicolorida a fim de conquistar o coração da galerinha. E o negócio chegou pra detonar: vinha com linha de brinquedos da Bandai (inclusive os famigerados bonecos que “viravam a cabeça“), fantasias infantis, horário de destaque na Globo, e música de Sandy e Júnior (!). Ou seja, o pacote completo para criar uma nova mania juvenil. E o troço fez sucesso! A prova disso é que a série continua até hoje, claro que trocando de elenco e premissa a cada temporada (que é basicamente a fórmula que os equivalentes super sentais seguem no Japão). Eu, pessoalmente, já estava em outra vibe, os já citados animes lá do começo, mas sempre dava uma conferida em nome do meu fraco por tokusatsus… mas sempre achei a coisa toda meio soft. Meio Barrados no Baile com Changeman. Não entendia como aqueles 5 jovens totalmente diferentes e que segundo os filmes de high school nunca se tolerariam, agiam juntos sem nenhum desentendimento, tudo muito sanitizado, sem drama. Ah! E como eles andavam sempre com roupas das cores de seus alter-egos e ninguém falava NADA?! Nem por zueira, “Ah, olha lá, eles acham que são os Power Rangers!”, fala sério. Mas enfim… com o sucesso, veio o filme, e eles criaram umas armaduras mais bacanas pra galera, mas acho que eles as usam no filme durante uns 10 minutos ao todo. O resto do tempo, estão em algum planeta distante buscando algum poder ninja vestidos de ninja… vacilo! Não é isso que a gurizada quer ver. Com certeza não é o que eu queria ver. O elenco em geral é sempre composto por jovens com alguma habilidade atlética (pra ajudar nas lutas), e com pouquíssima habilidade dramática. Os grandes destaques são sem dúvida Jason David Frank, que foi o Ranger Verde, depois o Branco, e hoje é lutador de MMA e Amy Jo Johnson, a atlética, patricinha e linda Kimberly. Quando ficava difícil de continuar assistindo, eu lembrava que tinha a Kimberly e me alegrava de novo. Do lado de trás das câmeras, muito aconteceu. Jason, Trini e Zack saíram logo na segunda temporada, por disputas salariais, e deram lugar a Rocky, Aisha e Adam, que acabaram aparecendo no filme. Em 2001, perdemos Thuy Trang, a Ranger Amarela, em um acidente de carro. Alguns anos atrás, David Yost, o Ranger Azul Billy soltou o verbo e disse ter sofrido preconceito e pegadinhas no set por ser gay. Pelo visto, a tolerância e inclusão observadas na escolha do elenco eram só superficiais, né? Seja como for, a mania continuou (e continua), e esse ano, teremos uma nova versão dos Rangers em live action, desta vez numa grande produção da Lionsgate. Estou curioso em ver como vai ser… pelo visto, parece que será um pouco mais profundo do que a série (mas só um pouco), e que todos os Rangers serão baderneiros, o que ajuda a explicar melhor sua afinidade. Em geral, sempre vi PR como uma série com potencial, e que com o orçamento certo e investidores americanos, poderia elevar o super sentai a um novo patamar, mas eles sempre estiveram preocupados apenas em vender brinquedos e afins… vamos ver se agora vai. Ah, sim, e não poderia terminar sem mencionar a contagiante música tema: Go, Go Power Rangers… Boa sorte aos criadores do novo filme quando forem criar o novo tema…

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Logan

02/03/2017

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Logan – por Lucas Veloso canecacanecacanecacaneca

Pois é, então é isso: depois de 17 anos enfrentando mutantes megalomaníacos, amnésia, uma fúria assassina e roteiros ocasionalmente questionáveis, é hora de Hugh Jackman se despedir do personagem de Logan/Wolverine. E sua despedida não poderia ser mais espetacular: com muito sangue e garras. Nesse filme, Logan está beirando os 200 anos, seu fator de cura já não funciona mais tão bem, demorando mais para se curar, e ainda tem que cuidar de um Professor Xavier senil. Como pontuam muito bem em determinado momento, “a mente dele foi classificada como uma arma de destruição em massa… e está se degenerando”. Parece perigoso? E é. É nesse contexto turbulento que surge a pequena Laura, uma misteriosa nova mutante que parece ter laços com o carcaju canadense. É então que ele vai ter que abandonar a marra, botar a menina e Xavier num carro e descobrir o que tá pegando. “Logan” é western, é road movie, é X-Men, é indie, é anos 80/90, tudo num só pacote. É o filme mais diferente dos mutantes até o momento, e até por isso, bem-vindo. Um filmaço mesmo, que transcende o rótulo de “filme de HQ”, e eu recomendaria até para quem não gosta de quadrinhos. A todos os fãs que queriam ver a fúria assassina de Wolverine, é agora ou nunca. Deixe-me colocar dessa forma: nunca as consequências do ataque das garras de adamantium ficaram tão óbvias na telona. Os atores fazem todos um grande trabalho, principalmente Hugh Jackman e Patrick Stewart no que pode ser a última vez em que interpretam esses personagens. A surpresa fica por conta da jovem Dafne Keen, a Laura, que interpreta um papel difícil com suavidade e força, e com zero afetação de ator mirim. O filme me lembrou as histórias solo de Wolverine nos anos 90, e isso é sempre bom, pois para mim, foi a melhor fase dele nas HQs. Estão todos de parabéns, principalmente o diretor James Mangold, que pôde trazer a qualidade de seu “Os Indomáveis”, que tinha ficado meio diluída em “Wolverine Imortal”, que ele também dirigiu. Resumindo tudo, ESSE é o filme do Wolverine que estávamos esperando, sem dúvida.

Travelers

25/01/2017

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Travelers – por Lucas Veloso canecacanecacanecacaneca

Mais uma série viciante da Netflix. Ironicamente, não vi muita gente falando nela, então vou ajudar a divulgar pra ver se ganha uma segunda temporada: a premissa não é lá muito original, admito: viajantes do futuro estão se infiltrando entre nós, no lugar de pessoas comuns de diferentes contextos sociais e profissionais que estavam prestes a morrer, e agora, precisam ao mesmo tempo assumir a vida de seus hospedeiros com todos seus encargos e relacionamentos a fim de não levantar suspeitas, mas também achar tempo para cumprir suas missões, que visam melhorar o futuro de onde eles vem. O que eu gostei na série é que ela consegue, de forma bem esperta (leia-se, com um orçamento limitado) criar uma boa história de ficção científica, colocar um bocado de ação e aventura, e ainda achar tempo para desenvolver personagens. Sim, todo o elenco principal (e por que não, coadjuvantes também) dá um show de atuação, e fazem com que criemos empatia com os personagens facilmente. E a natureza singular da viagem do tempo faz com que cada caso seja diferente e empolgante, o que nos leva a ficar na expectativa sobre o próximo viajante. Hype gratuito, e a garantia de que a série poderá sempre se renovar. Essa primeira temporada é bem construída, explica toda a premissa direitinho e ainda deixa na pilha para uma segunda. Que, espero, não tarde a chegar do futuro.